Facebook ajudará no código de reconhecimento facial dos EUA

Companhias que usam a tecnologia ajudarão a escrever as regras de como podem ser usadas as imagens e perfis online

Washington – A Facebook Inc., a Walmart Stores Inc. e outras companhias que planejam utilizar escâneres de reconhecimento facial para segurança ou para passos adaptados de vendas especializadas ajudarão a escrever as regras de como podem ser usadas as imagens e perfis online.

O Departamento Americano de Comércio começará a reunir-se com a indústria e com defensores da privacidade em fevereiro para esboçar um código voluntário de conduta para usar os produtos de reconhecimento facial, segundo um aviso público. O esboço estará pronto até junho.

“Somos muito céticos em relação a esmagar a tecnologia ainda no berço”, disse Mallory Duncan, vice-presidente sênior da National Retail Federation Inc. (NRF), sediada em Washington, em entrevista por telefone. “Não é uma boa ideia desenvolver códigos ou leis que congelam a tecnologia antes de podermos determinar o que ela pode conseguir”.

No Reino Unido, a Tesco Plc instalará tecnologia de escâneres de rosto nos seus postos de gasolina para determinar a idade e o gênero dos consumidores e poder transmitir-lhes anúncios especializados nas telas dos caixas. Os varejistas poderiam comparar as imagens dos clientes tomadas por câmeras de segurança com bancos de dados fotográficos da polícia.

A Facebook, a Apple e outras companhias de Internet estão tentando fazer com que os consumidores voltem a ter confiança em que elas protegem a privacidade em meio à indignação da comunidade internacional com as revelações de que a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA colheu dados sobre seus usuários.

A União Americana de Liberdades Civis (ACLU) e outros grupos defensores da privacidade querem leis, não padrões voluntários, para evitar que os escâneres faciais sejam usados para espionar e rastrear. Grupos comerciais como a NRF, que representa a Walmart, se opõem às regulamentações ou leis. Esses grupos dizem que elas poderiam prejudicar um mercado emergente que alcançará US$ 6,5 bilhões até 2018, segundo estimativas da MarketsandMarkets, empresa de pesquisa sediada em Dallas.


Marcação em fotos

A tecnologia de detecção facial emprega uma fórmula matemática para criar um modelo digital do rosto de uma pessoa, também conhecida como “faceprint”. Ela sustenta uma das atividades mais populares na Internet – marcar-se a si mesmo e a outros nas fotos publicadas nos sites de redes sociais, como o Facebook, ou aplicativos de gestão de fotos, como o iPhoto, da Apple.

Entretanto, os escâneres faciais estão ficando mais comuns para estabelecer identidades de acesso seguro a prédios ou dispositivos. Em 3 de dezembro, a Apple Inc. recebeu uma patente para que um sistema use um escâner facial para abrir um iPhone ou computador.

O Departamento Americano de Comércio, que iniciará as discussões em fevereiro, diz que o código de conduta somente se aplicará a usos comerciais, não a como as agências de espionagem ou de cumprimento da lei poderiam usá-lo.

Vigilância secreta

Os padrões voluntários escritos principalmente por companhias com interesses comerciais no uso do reconhecimento facial não garantirão uma proteção adequada da privacidade das pessoas, como evitar que os rostos delas sejam registrados sem seu conhecimento, disse Christopher Calabrese, advogado da ACLU, em Washington.

“Uma das preocupações mais graves com o reconhecimento facial é que permite a vigilância secreta à distância”, disse Calabrese em entrevista por telefone. “De repente, você já não é mais realmente anônimo em público”.

O crescimento no mercado de reconhecimento facial está sendo impulsionado pelas câmeras que podem capturar fotos de qualidade, bancos de dados com fotos ligadas às identidades online das pessoas e tecnologia informática capaz de analisar imagens, disse Joseph Atick, cofundador da Associação Internacional de Biométrica e Identificação, sediada em Washington, em entrevista por telefone.

A tecnologia possui um grande potencial para beneficiar a sociedade, com propósitos comerciais ou usos com fins de segurança, como achar criminosos, disse Atick. Deve ser controlada com “extremo cuidado” a fim de não perder a confiança dos consumidores e cidadãos, disse Atick.