Existe futuro para os smartphones do Google?

Nesta terça-feira, 7, na conferência Google I/O, a gigante de tecnologia pode revelar seu novo aparelho celular, o Pixel 3a

O Google tem mais uma oportunidade para tentar obter sucesso no mercado de smartphones. Nesta terça-feira, 7, começa o evento anual Google I/O, em que a companhia anuncia, em três dias, seus novos produtos e projetos para o próximo ano. E para além do lançamento do novo sistema operacional de celulares Android 10 (ou Android Q), o mercado espera que o Google apresente um modelo novo mais barato do seu smartphone Pixel, chamado preliminarmente de “Pixel 3a”.

O Pixel nasceu em 2016, quando o Google resolver bancar a aposta de desenvolver seu próprio smartphone. A linha é reconhecida por seu software sem modificações por parte de terceiros e pelo bom processamento de fotografias. Produtos de hardware, contudo, não são o forte da companhia.

Na semana passada, ao divulgar o balanço do primeiro trimestre, o presidente Sundar Pichai admitiu que o Google está no “começo, mas tem grande comprometimento” com o negócio de hardware. Os números, por outro lado, não são tão animadores. A empresa revelou que sua venda de “outros produtos”, na qual engloba os números do Pixel, foi de um crescimento em 2018 de 35% em relação ao ano anterior, para uma queda de 25% em 2019 em comparação a 2018.

Pichai, em uma ligação com investidores na segunda-feira, 29, disse explicitamente que as vendas dos smartphones Pixel caíram no trimestre. “A indústria de smartphones está passando por uma fase de ventos contrários ano após ano”, justificou o presidente da companhia. Ele não está errado. Na semana passada, a Apple divulgou que as vendas do iPhone no primeiro trimestre foram 20% menores no mesmo período do ano anterior, enquanto o faturamento da Samsung caiu 40% no trimestre. No ano passado, ambas também viram as vendas caírem. Os ventos só não estão ruins para a chinesa Huawei, que teve crescimento vigoroso em 2018, ultrapassou a Apple no último trimestre e hoje está somente atrás da Samsung em aparelhos mais vendidos.

Se quiser seguir os passos da Huawei, o Google precisa repensar sua estratégia de mercado. O modelo mais barato do Pixel está na faixa dos 800 dólares, algo que não acontece nem mesmo com a Apple, um pouco mais focada nos segmentos de luxo – a empresa de Cupertino oferece o iPhone 7 a partir de 449 dólares nos EUA.

Uma explicação é que talvez o Google não queira brigar de frente com as empresas fabricantes de smartphone que hoje usam seu sistema operacional, por isso o Pixel não estaria sendo colocado em muitos mercados fora dos Estados Unidos, como afirmam fontes ouvidas pelo site norte-americano Bussiness Insider. Assim, por enquanto, o dispositivo serviria mais como um produto modelo de como o chamado “Android puro”, em vez de apresentar um risco para as companhias parceiras, como a Samsung e LG, que fizeram do Android o sistema mais popular do planeta. As características do smartphone que será revelado nesta terça indicarão qual o caminho que a companhia deseja para o Pixel daqui em diante.