Europa se prepara para virar mãezona dos carros elétricos

A principal dificuldade para quem tem carro elétrico pode estar perto de ser resolvida na Europa: UE planeja instalar em cada país milhares de postos de carregamento

São Paulo – Apesar de reduzir as emissões de CO2 e a dependência do petróleo, os carros verdes ainda não decolaram em âmbito global. A falta de infraestrutura para recarregá-los e a diversidade de tecnologias – fora o preço – dificulta sua popularização. Mas a Europa, que tem dado grande ênfase no uso de energias limpas, está preparando um grande pacote para abraçar de vez os carros elétricos.

Na última semana de novembro, uma comissão do Parlamento Europeu aprovou uma resolução que exige que os seus estados membros instalem, até 2020, milhares de postos de carregamento de veículos elétricos e de hidrogênio em pontos estratégicos.

A medida, ainda em discussão, visa abrir esse mercado que hoje conta com pouco mais de 64 mil pontos públicos de recarga em todo o mundo, segundo a consultoria Navigant Research.

São números tímidos, considerando que apenas a Alemanha teria que instalar 86 mil novos postos de acordo com o plano. Ou seja, mais do que existe hoje em todos as nações do globo. O país tem atualmente menos de dois mil postos.

A Itália teria de ter 72 mil e Portugal, 123 mil, com Reino Unido tendo que construir 70 mil pontos de recarga.

Com isso, o cálculo é que até 2020 estarão em circulação cerca de 10 milhões de veículos elétricos na Europa.

Outra medida da resolução exige que os países com redes de combustível de hidrogênio adicionem mais postos de recarga para que a distância máxima entre duas estações seja de 300 km.

A resposta positiva para o meio ambiente viria em grande estilo, caso a medida realmente seja aprovada em 2014, como se espera: a adoção dos novos postos vai gerar uma redução de 60% nas emissões de gases de efeito estufa até 2050.

O mercado

Mesmo com as novidades no setor e do investimento governamental, as medidas ainda são pequenas para que o mercado de veículos elétricos cresça como poderia.

De acordo com Siim Kallas, vice-presidente da Comissão Europeia e Comissário Europeu dos Transportes, o número limitado de infraestrutura para reabastecimento acabou por minar a expectativa das pessoas e fez com que o setor estagnasse nos últimos anos.

Mas pesquisas apontam que até 2020 esse mercado tem um futuro promissor. Estudo recente da empresa britânica ABI Research mostra que os elétricos devem crescer 48% ao ano.


Medidas para isso já estão sendo adotadas. O governo português, por exemplo, tem, desde 2009, o Programa para a Mobilidade Elétrica em Portugal – MOBI.E. Seu objetivo é viabilizar os carros elétricos no país, definindo um plano de estruturação nacional de recarga de carros elétricos.

Paris, na França, é outro local que pensa medidas para o crescimento do mercado. A cidade luz oferece o AutoLib desde 2011, um serviço de locação de carros elétricos que tem a mesma estrutura do aluguel de bicicletas. Com uma assinatura é possível retirar o veículo em uma estação de atendimento e devolver em qualquer outro ponto da rede.

Em maio deste ano, a Alemanha também deu início a um programa sustentável: o Plataforma Nacional para a Mobilidade Elétrica. Ele promete ter um milhão de veículos elétricos nas ruas até 2020 usando para isso dois sistemas de recarga: um que carrega 100% da bateria durante sete horas e outro que, em 30 minutos, abastece 80% da capacidade total do veículo.

O Brasil, porém, ainda enfrenta grandes desafios para o crescimento do consumo de carros elétricos, sobretudo por causa da falta de investimentos públicos na rede de abastecimento desses veículos.

Um bom exemplo, no entanto, é a cidade de Campinas, no interior de São Paulo, que passará a disponibilizar infraestrutura para receber esses automóveis.

O Programa de Mobilidade Elétrica, que teve início em agosto de 2013, é desenvolvido pela geradora e distribuidora CPFL Energia em parceria com a prefeitura da cidade, do governo do estado de São Paulo e de várias empresas locais.

A ideia é implantar uma rede de 100 pontos de recarga na região, tendo investimento inicial de R$ 6,5 milhões em veículos e infraestrutura, o que, até o final do programa, poderá alcançar R$ 25 milhões.