Estudo diz que desaceleração no aquecimento global é temporária

Paris -  Uma desaceleração no aquecimento global que os céticos do clima dizem socavar a teoria dos gases de efeito estufa é simplesmente um 'hiato' em meio a temperaturas...

Paris –  Uma desaceleração no aquecimento global que os céticos do clima dizem socavar a teoria dos gases de efeito estufa é simplesmente um “hiato” em meio a temperaturas mais elevadas, alertaram cientistas esta quarta-feira.

Ao abordar uma das questões mais espinhosas das políticas climática, os cientistas afirmaram que a recente desaceleração se baseia em um resfriamento natural, porém temporário, do Oceano Pacífico tropical. “O hiato atual é parte da variabilidade climática natural”, afirmaram.

Eventos similares podem voltar a ocorrer, mas avaliados com base em uma escala de tempo de décadas, “(a) tendência de aquecimento muito provavelmente vai continuar com o aumento dos gases estufa”, acrescentaram. A questão aborda em uma anomalia na ciência climática.

Ao contrário de previsões anteriores, o aquecimento da superfície terrestre nos últimos anos não andou de mãos dadas com níveis crescentes de gases de efeito estufa na atmosfera. Nos últimos 50 anos, as temperaturas do planeta subiram 0,12ºC por década, em média.

Mas nos últimos 15 anos, a elevação diminuiu a uma taxa de 0,05ºC por década, embora as emissões de combustíveis fósseis tenham continuado a bater recordes. Os céticos consideraram a discrepância uma prova de que se o aquecimento existe, não é causado pelo homem, mas tem causas naturais, como flutuações no calor do sol.

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O novo estudo, publicado na revista científica Nature, utiliza um modelo climático para dizer que o enigma pode ser explicado pela circulação oceânica. Yu Kosaka e Shang-Ping Xie, do Instituto de Oceanografia Scripps, da Califórnia, decompuseram o calor em um modelo do Pacífico tropical centro e leste, uma região que abrange 8% da superfície do planeta.

Segundo eles, o resfriamento está relacionado a uma tendência incomumente longa, porém natural, similar ao fenômeno La Niña. Sob influência do El Niño, um acúmulo de águas excepcionalmente quentes cruza do oeste para o leste do Pacífico. No La Niña, acontece o contrário, e o oceano no leste do Pacífico fica mais frio do que o normal. Nos dois casos, podem ocorrer secas extremas ou chuvas torrenciais.

O oceano desempenha um enorme papel na complexa questão do aquecimento global. Ele absorve dióxido de carbono (CO2) e calor na superfície e, então, os mobiliza com ondas e correntes. Pesquisas anteriores sobre a então chamada “pausa” climática exploraram a ideia de que o calor que faltava era levado para as profundezas marinhas.

O novo estudo, no entanto, sugere outra coisa, afirmou Richard Allan, meteorologista da Universidade Reading, na Grã-Bretanha, em um comentário.

Ele reforça a importância da rotação no vasto corpo que é o Pacífico, mas a uma profundidade relativamente rasa, “particularmente os cem metros mais na superfície ao invés da profundidade abaixo de 1.000 metros”, afirmou.

Dese 1750, quando começou a industrialização, os níveis de dióxido de carbono (CO2) aumentaram 40%. As concentrações aumentaram de 278 partes por milhão para 390,5 ppm em 2011. No começo do ano, uma estação de monitoramento no Havaí detectou brevemente níveis de CO2 superiores a 400 ppm.