Escola na periferia de São Paulo recebe painéis de energia solar

Projeto idealizado pela ONG Greenpeace mobilizou jovens de todo o Brasil para a instalação das 48 placas solares nos telhados da escola

A Escola Estadual de Ensino Fundamental Oswaldo Aranha, no bairro de Arthur Alvim, na zona leste de São Paulo, foi inaugurada nesta segunda-feira como a primeira do Estado a receber placas de energia solar, o que deverá gerar uma economia na conta de luz da instituição em até 25%, beneficiando mais de 1200 alunos.

Parte da campanha de clima e energia da ONG Greenpeace Brasil, o projeto idealizado pela ONG mobilizou jovens de todo o Brasil para a instalação das 48 placas solares nos telhados da escola.

“A economia deste projeto não vai para o poder público, temos um acordo que todo o valor economizado, o que dá por volta de 10 mil reais por ano, vai para a escola investir em atividades culturais”, explicou hoje ao Efe Escola, Bárbara Rubim, idealizadora do projeto.

Os jovens envolvidos no projeto são chamados de “Multiplicadores Solares” pela ONG e são treinados para espalhar o conhecimento que adquirem sobre energia solar por todo o país a partir de oficinas e ações como esta.

“Estes jovens vêm de todo o país e foram selecionados por seu envolvimento em trabalhos voluntários ou por serem líderes em suas comunidades”, disse Rubim.

A Oswaldo Aranha é a segunda escola no Brasil a receber as placas de captação de energia solar. A primeira foi a Escola Municipal Milton Porto, em Uberlândia (MG).

A ideia do projeto é que, com o passar dos anos, os próprios multiplicadores envolvidos nas duas instalações repliquem a iniciativa em suas comunidades.

Segundo Rubim, este é um processo “sempre contínuo” e que, além das atividades teóricas e práticas, deve “expandir o conhecimento” dos jovens participantes, responsáveis por repassá-lo entre si.

Jana Lopes, de Salvador, é uma das multiplicadoras que colaboraram com o projeto no colégio em São Paulo. Ela afirma sempre ter se interessado pela temática do meio ambiente.

“Já trabalhava em Salvador com isso, onde estamos multiplicando nas escolas e nas ruas, para todas as pessoas”, apontou a Multiplicadora que confessou ter ficado “com um pouco de medo”, ao subir nos telhados, mas depois que subiu “não quis mais descer”.

A diretora da Escola Estadual Professor Oswaldo Aranha, Wilma Nogueira, destaca que os professores se preocupavam com o meio ambiente e já desenvolviam atividades voltadas à reciclagem tanto em sala de aula quanto no programa do Governo do Estado “Escola da Família”, mas assumiu que a energia solar é algo “ainda a descobrir”.

“Estamos vendo que é algo viável e que será devolvido para a educação”, comemorou a diretora.

O que for economizado em suas contas de luz irá para a administração da escola, que poderá escolher, junto com os alunos, a melhor forma de investir em atividades extracurriculares e reforçar a formação dos estudantes.

As instalações foram custeadas por mais de dois mil doadores, que contribuíram com um financiamento coletivo organizado pelo Greenpeace.