Entrevista de Domingo: Serviço premia quem assiste vídeos na web

São Paulo – Muitos serviços na internet prometem remunerar usuários que ‘trabalhem’ clicando em links ou vendo publicidade. Parte desses serviços é considerada mal...

São Paulo – Muitos serviços na internet prometem remunerar usuários que ‘trabalhem’ clicando em links ou vendo publicidade. Parte desses serviços é considerada mal intencionada, por não pagar os usuários. O Contplay, um serviço que explora esse segmento usando vídeos,  deseja dar credibilidade a este tipo de negócio.

O serviço funciona assim: o usuário assiste vídeos publicitários, com  até 60 segundos de duração, que são sugeridos pelo Contplay. Para cada um que é visualizado totalmente, ele ganha pontos para trocar por livros, apps, games e ingressos para o cinema. A troca pelos prêmios é feita no próprio site do Contplay.

INFO conversou com Pedro Cabral, CEO do fundo de investimento Evolution e responsável pelo Contplay, sobre o funcionamento do serviço e a estratégia para conquistar novos usuários para este tipo de negócio – que desperta desconfiança na web.

Qual é o número médio de acessos ao site do Contplay? Em julho, 145 mil usuários únicos visitaram nosso site. Deste número, 60% eram novos usuários. Os 40% restantes eram usuários já cadastrados. Este pessoal fez 1,9 milhão de visualizações de vídeos para ganhar pontos. O serviço está se popularizando e, atualmente, cerca de 1,5 mil usuários se cadastram por dia no Contplay. Esses números, no entanto, devem crescer por dois anos.

Como você pretende aumentar o número de usuários? Estamos fazendo uma campanha online para divulgar o serviço para os usuários da internet. O vídeo da campanha do Contplay no YouTube alcançou dois milhões de  visualizações e começou a se tornar um viral.

Como você vê o futuro do Contplay e dos canais de vídeos na internet? O Contplay é um produto promissor. Algumas agências de publicidade me falam que ele tem muito potencial para atrair os jovens, principalmente aqueles que não gostam de assistir televisão e abominam propagandas televisas. Os elogios têm uma razão: os comerciais do Contplay têm uma linguagem mais jovial, com assuntos que interessam o público que gosta de internet. Nós temos uma quantidade enorme de usuários de até 20 anos que estão usando o Contplay para trocar os pontos por games e apps.

[quebra]

Você acredita que canais de vídeos, como o YouTube, podem implementar essa ideia de premiar quem assistir publicidade na web? Esse é o tipo de pergunta que só o YouTube pode responder. Eu trabalho na administração de outras agências e tenho números de algumas publicidades no YouTube. Sei, por exemplo,  que o percentual de pessoas que chega até o final do vídeo comercial é pequeno, cerca de 20%. Dependendo do vídeo e da duração, o número pode cair e ficar entre 7% e 8%. No Contplay a taxa de visualizações até o final é de 94%. Isso porque o nosso mecanismo de remuneração é baseado na visualização completa do vídeo. O meu consumidor só ganha pontos se ele assistir ao vídeo até o final e reconhecer a marca do anunciante em um quiz.

E se um usuário reconhecer a marca que está sendo anunciada no vídeo logo no começo, deixar o vídeo rolar enquanto continua fazendo outras coisas na internet e depois voltar para responder o quiz? Como o Contplay trabalha para evitar esse tipo de comportamento? É muito difícil de burlar nosso sistema porque colocamos uma série de mecanismos para que o vídeo pause se o usuário abandonar a nossa página. Por exemplo, se o usuário abrir um browser, entrar no Contplay e depois abrir uma aba no navegador em um site de notícias, o vídeo para automaticamente.

Quais são as parcerias do serviço para premiar os usuários? A gente conseguiu uma nova parceria com o Cinemark que está dando um resultado excelente. O usuário troca os pontos por ingressos para o cinema e ele vê o filme que quiser, no dia e na hora que desejar. No iTunes, nós melhoramos bastante a integração e estamos oferecendo mais apps e games. Ainda não oferecemos apps e games para Android, mas já estamos em negociação com o Google.

Existe algum aplicativo para dispositivos móveis para que o usuário possa assistir aos vídeos sem ter que estar na frente do computador? Nós já temos o aplicativo para iOS. O usuário, dono de iPhone ou de iPad, o encontra na App Store. Ele funciona de forma semelhante ao site. O usuário assiste aos vídeos, é premiado quando reconhece a marca e pode resgatar os pontos no próprio app. Por enquanto o aplicativo para mobile só existe na plataforma da Apple porque ainda estamos esperando o Google aceitar nosso pedido para criarmos um aplicativo para Android.