Entre maconha e demissões: as novas polêmicas da Tesla

Após presidente da empresa fumar maconha em programa, empresa perde mais de 3 bilhões de dólares em valor de mercado

A crise na montadora americana de carros elétricos Tesla parece não ter fim. Esta semana começa com a empresa sob forte escrutínio de investidores e analistas. O motivo: a tragada mais cara da história. O presidente da empresa, Elon Musk, um conhecido bilionário do Vale do Silício, fumou maconha durante um programa de podcast do comediante Joe Rogan, que foi ao ar na sexta-feira — o que foi suficiente para fazer a Tesla perder mais de 3 bilhões de dólares em valor de mercado.

Apesar de a maconha ser legalizada na Califórnia, a atitude não pegou nada bem com o relativamente conservador mercado de investimentos, derrubando as ações em 6,3% na sexta-feira. Alguns, inclusive, já falam sobre Musk ter desrespeitado os códigos de conduta da empresa, na medida que durante a entrevista ele estava representando a Tesla.

Mas não foi só a fumaça de Musk que embaçou a Tesla na semana passada. Dave Morton, que comandava a área contábil da empresa havia um mês, pediu demissão. Gabrielle Toledano, a diretora de recursos humanos, também decidiu de que não irá retornar de uma licença. Morton havia assumido o cargo em 6 de agosto — um dia antes de Musk anunciar que tinha “financiamento garantido para tornar a Tesla privada”, uma ideia que foi rapidamente abandonada. Segundo Morton, sua saída acontece pelo “alto nível de visibilidade pública da Tesla”.

De acordo com um dos mais famosos analistas de empresas de tecnologia, Gene Munster, da empresa de análises Loup Ventures, usar drogas em aparições públicas é “algo que vai contra as regras não ditas sobre ser um presidente de empresa pública”. Para ele, Musk tem sua própria maneira de lidar com a imprensa e com relações públicas — e deve seguir sua própria cartilha.

A Tesla precisa vender 60.000 unidades do Model 3 por trimestre, com uma margem de lucro de 20%. A estimativa é que a Tesla venda 55.000 unidades no terceiro trimestre deste ano. A empresa ainda pode ter que captar mais dinheiro no mercado para continuar suas operações antes ser totalmente lucrativa. A entrevista regada a maconha só tornou essa eventual arrecadação ainda mais difícil.