Descoberta nova espécie de ave no Brasil

O primeiro exemplar foi visto em 1993 por uma expedição com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

São Paulo – Macuquinho-preto-baiano é como foi batizado este pequeno passarinho, que pesa cerca de 15 gramas e mede apenas 12 centímetros.

O Scytalopus gonzagai é uma espécie da ordem Passeriformes, que engloba os animais conhecidos popularmente como pássaros ou passarinhos.

Foram necessários 20 anos de pesquisa para que fosse confirmada a existência da ave.

O primeiro exemplar foi visto em 1993 por uma expedição com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que fizeram a coleta de exemplares e gravações das vozes da espécie.

Entretanto, durante muito tempo, o Scytalopus gonzagai foi confundido com o macuquinho-preto comum, encontrado no sul e sudeste do Brasil, e com características bastante semelhantes.

Este ano, após estudos sistemáticos para descrever a nova espécie, que incluíram uma grande expedição em 2006, com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, finalmente a existência do macuquinho-preto-baiano foi reconhecida oficialmente.

Em agosto de 2014, o achado foi publicado pela revista The Auk, periódico científico da American Ornithologists’ Union (União dos Ornitólogos Americanos).

Segundo os pesquisadores, o Scytalopus gonzagai apresenta diversas características que o diferenciam das demais espécies da ordem, como um ritmo de canto mais forte e distintas vocalizações.

“O macuquinho-preto-baiano difere dos seus parentes também por tamanho e coloração, o que é um fato notável para o gênero”, afirma Marcos Ricardo Bornschein, cientista do setor de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná e do Instituto de Pesquisas Ambientais de Curitiba (PR) e um dos coautores do estudo.

Apesar da descoberta, o novo macuquinho brasileiro já nasce considerado ameaçado de extinção. Estima-se que existam pouco menos de 3 mil indivíduos, número baixo para aves.

A nova espécie é encontrada exclusivamente num trecho de montanhas do litoral baiano, numa área de florestas de 5.865 hectares, no bioma Mata Atlântica.

Recentemente, um outro pássaro também foi descoberto no país e enfrenta o mesmo perigo de extinção. Foi o caso da patativa-tropeira (Sporophila beltoni), como noticiado no Planeta Sustentável.