Conheça Songza, o serviço de música que o Google comprou

A Songza tem tecnologia e especialistas para analisar canções e oferecer recomendações aos usuários. É algo que pode impulsionar os serviços de música do Google

São Paulo — Um mês depois de a Apple adquirir a Beats, é a vez de o Google ir às compras. A empresa está adquirindo a Songza, dona de um serviço de streaming de música.

Embora o valor do negócio não tenha sido divulgado oficialmente, o jornal New York Post afirma que o Google estava oferecendo 15 milhões de dólares pela empresa. É um ninharia perto dos 3 bilhões que a Apple pagou pela Beats.

Mas a compra parece ser estratégica para o Google. Seu serviço Google Play Music, disponível em alguns países (mas não no Brasil) não é um sucesso estrondoso.

A tecnologia e os profissionais da Songza podem ajudar o Google a elevá-lo a um patamar mais alto.

A especialidade da Songza é fazer recomendações de músicas aos usuários. Isso é feito tanto por meio de listas produzidas por humanos como por meio de algoritmos que sugerem canções em função de preferências pessoais do ouvinte.

Alguns exemplos de listas da Songza são: canções para ouvir no trabalho, música para dias ensolarados (a empresa leva em conta a previsão do tempo ao publicar essas listas); para celebrar o Canadá; mulheres obstinadas; e homens sensíveis dos anos 90. 

O serviço só está oficialmente disponível na América do Norte. Para ouvir, usam-se apps para Android e iPhone, mas este último não está na App Store brasileira.

O Songza tem 5,5 milhões de usuários, pouco mais de um oitavo do que tem o Spotify, o maior serviço de streaming de música do mundo.

Mas a participação modesta no mercado parece não ser problema para o Google. Se tiver sucesso na criação de um bom serviço de música, o Google poderá expandi-lo rapidamente por sua base planetária de usuários. 

A Songza tem 40 funcionários que, agora, trabalham para o Google. A empresa diz que o serviço e os apps da Songza seguirão inalterados por enquanto. Mas a equipe deve se mudar para o escritório do Google em Nova York.

Lá, eles devem trabalhar na incorporação da tecnologia da Songza ao Google Play Music e, possivelmente, também ao YouTube.

Algoritmos x humanos

Como se sabe, o Google é especialista em algoritmos. Esses procedimentos matemáticos são a base de seu serviço de buscas e de seu lucrativo negócio de venda de publicidade.

Mas algoritmos de busca focados em textos não funcionam com áudio. Pode-se pesquisar o nome de uma música ou de um artista no Google. Mas o sistema de busca não é capaz de analisar os sons permitir pesquisas neles.

Analisar arquivos de áudio é algo complicado. O Pandora, serviço de música popular nos Estados Unidos (e concorrente do Songza), é baseado em dez anos de análises do Music Genome Project.

Essas análises são feitas por músicos especialmente treinados, que identificam 450 características distintas das canções. Com base nessas informações, o Pandora tenta oferecer a cada usuário músicas que combinam com ele.

A Songza faz basicamente a mesma coisa, talvez de forma menos abrangente. Ela tenta adequar as sugestões musicais a situações e perfis específicos. A equipe de especialistas humanos é algo que o Google não tem, e que pode contribuir bastante para melhorar o Play Music.

E os algoritmos da Songza também devem interessar ao Google, já que sua especialidade não é música. Podemos imaginar um cenário em que um app de relógio no Android acorda a pessoa com uma música especialmente escolhida para ela e para aquele dia.

Uma integração entre o Songza e o Google Now também seria interessante. O assistente para smartphones do Google poderia, por exemplo, tocar músicas automaticamente quando a pessoa estivesse a caminho do trabalho.

Uma coisa que falta ao Songza é interatividade. É algo que o Google, com sua vasta experiência no YouTube e no Google+, pode acrescentar facilmente.