Conheça o brasileiro do Grooveshark

Paulo da Silva, o funcionário número um do serviço de música Grooveshark, hoje com mais de 30 milhões de usuários, conta sua experiência

São Paulo — Paulo da Silva foi o primeiro funcionário contratado pelo serviço de música online Grooveshark, que hoje tem mais de 30 milhões de usuários. Nesta entrevista à INFO ele conta como foi a sua entrada na empresa e como as coisas funcionam por lá.

Como você foi parar nos Estados Unidos?

Silva — Eu nasci no interior de São Paulo, mas morei na capital até os 15 anos. Depois, meu pai conseguiu um emprego em uma empresa americana e minha família mudou-se para a Flórida. Fiz o colegial na cidade de Tampa e o curso superior de ciências da computação na Universidade da Flórida, em Gainesville.

E como o gosto por tecnologia entrou na sua vida?

Silva — Meu pai é engenheiro eletrônico, então tive acesso a computadores desde pequeno. O primeiro computador que eu aprendi a usar foi um 386 com MS-DOS quando eu tinha 7 anos. Eu adorava brincar com os computadores e aprender como tudo funcionava. Acabei virando o suporte técnico da minha vizinhança. Aos 12 anos, me matriculei em um curso de programação em Visual Basic com aulas de seis horas por quatro finais de semana. Todo mundo no curso era bem mais velho que eu. No primeiro dia de aula o professor me perguntou se eu estava procurando meus pais. No final do semestre, o pessoal me pedia ajuda com os projetos quando o professor estava ocupado. Nesta mesma época, meu pai colocou internet discada em casa e eu passava horas no computador aprendendo sobre programação, hacking e novas tecnologias.

Como foi sua entrada no Grooveshark?

Silva — Na primeira semana de faculdade, eu recebi um e-mail do departamento de computação dizendo que tinha uma start-up que estava procurando programadores com conhecimentos de PHP. O meu sonho era abrir uma empresa de software, então eu queria trabalhar em uma start-up pra ganhar experiência e conhecimento necessários para abrir minha própria empresa. Entrei em contato com o Josh [Greenberg], atual CTO e um dos fundadores da Grooveshark, e marquei uma entrevista.


Como era a empresa naquele momento?

Silva — O escritório deles era uma sala pequena com três caras usando caixas de papelão como mesa para os computadores. Até achei que era alguma roubada. Naquele momento, a empresa só contava com os três fundadores e uma ideia para desenvolver. Fui o primeiro empregado contratado e trabalhei em período integral enquanto fazia faculdade de 2006 a 2010. Fui uma das poucas pessoas na equipe que terminou a faculdade.

Qual a coisa mais legal em trabalhar no Grooveshark?

Silva — Tem tanta coisa legal que fica difícil escolher, mas o melhor é a liberdade. Nosso horário é bem flexível, eu não tenho hora pra entrar ou sair do trabalho. Geralmente, entro ao meio-dia e saio às 19 horas. Antes das 11 da manhã só umas cinco pessoas estão no escritório inteiro, quase não existem gerentes nem ninguém contando quantas horas você passou no escritório. Mesmo assim, o pessoal acaba trabalhando mais de 60 horas por semana. É como no Google, onde existe a lei dos “20%”, em você pode usar um dia da semana para trabalhar em qualquer projeto que quiser.

E qual o seu projeto pessoal?

Silva — Meu projeto é o “Grooveshark University”, um curso grátis que eu dou todo semestre para estudantes e programadores da região.

Você ainda compra música ou faz download de arquivos MP3 ou você ouve tudo por streaming?

Silva — Como muitos jovens Brasileiros, eu nunca fui de comprar CD ou música online. O único CD original que eu comprei foi o dos Mamonas Assasinas. Antes de lançar a primeira versão do Grooveshark, eu usava muito o Kazaa e tinha mais de 100 gigabytes de MP3 no meu computador. Hoje eu tenho zero. É bem mais fácil e rápido procurar e tocar uma música no Grooveshark do que procurar e puxar a mesma musica no Bit Torrent ou em outras aplicações P2P. E também já há bastante gente que me falou que parou de baixar música na internet depois que começaram a usar o Grooveshark.

Como você enxerga o futuro do mercado de música on-line?

Silva — Eu acho que o modelo streaming é o futuro da música na internet. Agora que quase qualquer lugar que você vai tem acesso à internet, não existe mais a necessidade de ter todos os seus arquivos no computador. Eu, por exemplo, não tenho nenhum arquivo pessoal no meu computador. Todas as minhas musicas estão no Grooveshark, as minhas fotos no Picasa, meus emails no Gmail, e os vídeos e documentos no Google Docs. O modelo streaming é uma evolução do rádio. Agora o usuário pode decidir exatamente onde, o que e quando quer escutar música.