Congresso americano interroga, de novo, Twitter e Facebook

Empresas vão depor sobre atitudes que estão tomando para lidar com possíveis interferências para as eleições de novembro nos EUA

Executivos das principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos visitam nesta quarta-feira um lugar que está ficando cada vez mais familiar para eles: a tribuna do Congresso. Sheryl Sandberg, executiva de operações do Facebook, e Jack Dorsey, presidente do Twitter, irão comparecer pessoalmente para depor ao comitê de Inteligência do Senado sobre atitudes que as empresas estão tomando para lidar com possíveis interferências e problemas em suas plataformas para as eleições de novembro nos Estados Unidos. Larry Page, presidente da Alphabet, companhia-mãe do Google, também foi convidado a comparecer, mas preferiu enviar um porta-voz que lerá um depoimento por escrito aos legisladores.

A audiência, cujo título é “Operações de Influência Externa e Seu Uso de Plataformas de Mídias Sociais”, é uma continuação daquela realizada pelos senadores em novembro do ano passado, quando essas mesmas empresas estavam sob forte escrutínio a respeito da interferência russa nas eleições de 2016, que deram vitória ao republicano Donald Trump.

Será o primeiro depoimento de Dorsey quanto de Sandberg diante do Congresso sobre o assunto. O foco dessa vez será sobre o que foi feito em quase um ano de trabalho para minar as tentativas externas de “desinformação”. Dorsey também participa, à tarde, de uma audiência ao comitê de Energia e Comércio na Câmara sobre como o Twitter monitora o conteúdo que os usuários postam na plataforma — a preocupação, principalmente entre legisladores republicanos, é que a empresa seja enviesada contra perfis mais conservadores. O Twitter já negou essas acusações.

As recentes suspensões de perfis específicos no Twitter e no Facebook devem entrar na agenda de discussões, bem como os exércitos de robôs e contas falsas que ajudaram a emplacar palavras chaves e a ditar a direção dos assuntos nas redes sociais. As empresas já forneceram informações detalhadas sobre seus planos nos últimos meses, banindo diversas contas e páginas. Com isso, devem tomar uma atitude um pouco mais ofensiva diante do Congresso hoje, admitindo as culpas passadas, mas afirmando estarem preparadas para o que vem por aí.

Para nós, aqui no Brasil, é especialmente interessante estar atentos ao que sair das conversas hoje, até porque teremos nossa própria dose eleitoral em um mês — com essas empresas anunciando ações locais para conter qualquer tipo de interferência.