Confiança em privacidade online do Brasil está entre piores

O uso de sites de mídia social continua explosivo, apesar de os entrevistados brasileiros suporem que sua privacidade será mais difícil no futuro

São Paulo – Embora os benefícios proporcionados pelo avanço tecnológico sejam indiscutíveis, a questão envolvendo tecnologias digitais e privacidade ainda é permeada por uma série de paradoxos, cada um deles com sérias implicações para consumidores, empresas e os fornecedores de tecnologia, conforme revela o Índice EMC de Privacidade, estudo global realizado pela EMC, fornecedora de soluções de armazenamento e gerenciamento da informação, que avalia as atitudes dos consumidores em relação à privacidade online.

O estudo, para o qual foram entrevistadas 15 mil pessoas, revela que os pontos de vista sobre privacidade variam muito conforme a região e o tipo de atividade realizada online.

No caso do Brasil, que ficou na quinta posição entre os 15 países avaliados, 26% dos entrevistados disseram estar dispostos a negociar a privacidade para maior conveniência online, enquanto 56% declararam que não trocariam a privacidade pela conveniência e desejam mais controle sobre seus dados pessoais.

Assim como nos demais países, no Brasil, os usuários de mídias sociais revelaram ter a menor confiança na ética e nas habilidades das organizações em relação à proteção de sua privacidade.

O estudo mostra que 58% declaram ter confiança nas habilidades dos fornecedores para proteger dados pessoais e 53% disseram ter confiança na ética dessas organizações, o que coloca o País entre os menores índices de confiança.

O uso de sites de mídia social continua explosivo, apesar de os entrevistados brasileiros suporem que sua privacidade será mais difícil no futuro.

No geral, a confiança na privacidade no país é baixa. Dos entrevistados no Brasil, 71% disseram que sentem ter menos privacidade agora do que há um ano.

Além disso, 73% acreditam que a privacidade será mais difícil de manter nos próximos cinco anos. Para 89% dos usuários brasileiros de mídias sociais, devem existir leis que proíbam as empresas de comprar e vender dados pessoais, sem consentimento.

No Brasil, 76% dos entrevistados relataram já ter sofrido violação de dados (conta de e-mail invadida; dispositivo móvel perdido ou roubado; conta de mídia social invadida etc.), embora muitos deles não tenham tomando medidas para se proteger — 56% não trocam as senhas regularmente; 19% não personalizam as configurações de privacidade nas redes sociais; e 33% não usam proteção por senha nos dispositivos móveis.

Paradoxos globais

Entre os paradoxos apontados pelo Índice EMC de Privacidade está o do “queremos tudo”.

Os consumidores querem todas as conveniências e benefícios da tecnologia digital, embora digam que não estão dispostos a negociar sua privacidade para obtê-los.

Segundo o levantamento, 91% dos participantes valorizam o benefício de “acesso mais fácil à informação e ao conhecimento” que a tecnologia digital proporciona, mas apenas 27% dizem estar dispostos a trocar parte da privacidade por maior conveniência e facilidade online.

Além disso, 85% dos entrevistados disseram valorizar “o uso da tecnologia digital para proteção contra atividade terrorista ou criminosa”.

Entretanto, apenas 54% se dizem dispostos a trocar parte de sua privacidade por essa proteção.

Os participantes acima de 55 anos, em uma amostragem de países, dizem estar menos dispostos a trocar a privacidade pela conveniência e desejam mais controle sobre seus dados pessoais.

Outra contradição está no que a empresa classifica como “não tomar atitude”. Embora os riscos à privacidade afetem diretamente muitos consumidores, a maioria diz que não toma praticamente nenhuma atitude especial para proteger sua privacidade — em vez disso, transferem o ônus para os que lidam com suas informações, como o governo e as empresas.

Mais da metade dos entrevistados relatou já ter sofrido violação de dados, embora a maioria não tenha realizado as ações necessárias para proteger sua privacidade — 62% não trocam as senhas regularmente; quatro em cada dez pessoas não personalizam as configurações de privacidade nas redes sociais; e 39% não usam proteção por senha nos dispositivos móveis.

Riscos à privacidade

Entre os principais riscos para o futuro da privacidade, os participantes listaram empresas que usam, vendem ou negociam dados pessoais para obter ganho financeiro (51%) e a falta de atenção do governo (31%).

De modo similar, “a falta de supervisão e atenção das pessoas comuns como eu” teve uma classificação muito baixa (11%).

Em uma amostragem com pessoas acima de 55 anos, foi relatado que elas são muito menos propensas a proteger com senha seus dispositivos móveis ou a alterar as configurações de privacidade em suas redes sociais.

Por fim, há o paradoxo do “compartilhamento social”. Os usuários de sites de mídia social afirmam valorizar a privacidade, embora compartilhem livremente grandes volumes de dados pessoais — apesar de manifestarem falta de confiança na proteção que essas instituições dão a suas informações.

Há uma convicção entre os consumidores de que as instituições têm pouca habilidade e ética para proteger a privacidade dos dados pessoais em sites de mídia social — apenas 51% declaram ter confiança nas habilidades desses fornecedores para proteger dados pessoais e apenas 39% declaram ter confiança na ética dessas organizações.

A grande maioria dos consumidores (84%) afirma não gostar que alguém saiba qualquer coisa a seu respeito ou sobre seus hábitos, a menos que a decisão de compartilhar essas informações seja sua.

Em outra amostragem, os entrevistados acima de 65 anos estão significativamente mais preocupados com sua privacidade e revelam ter pouquíssima disposição para permitir que outras pessoas conheçam seus hábitos online.