Como surgiu o boato de que o Brasil vendeu a Copa do Mundo?

O texto é quase o mesmo de quando o Brasil perdeu a final em 1998 e ganhou a Copa em 2002. A carta é uma das mais tradicionais correntes da internet

“Se as pessoas soubessem o que aconteceu na Copa do Mundo, ficariam enojadas!” E se você acessou o Facebook ou abriu o WhatsApp nos últimos dias, as chances de ter se deparado com esta frase são bem grandes. Ela começou atribuída a um jogador da seleção espanhola, mudou para um atleta do Brasil e precede uma suposta revelação bombástica: o país teria vendido a Copa, e os atletas, decepcionados, ficaram tão abatidos que levaram dois gols do Chile na primeira fase (caso da Espanha) ou sete gols da Alemanha na última terça (caso dos brasileiros).

Mas calma lá, não é nada disso, como muitos já devem saber. A suposta carta, assinada por um Gunther Schweitzer, diretor da ESPN ou da Central Globo de Jornalismo (as empresas variam), é uma das mais tradicionais correntes que se espalharam por fóruns e sites pela internet ainda na época pré-redes sociais – igual àquela genial da Samara, que tem 14 anos, ou melhor, teria, se não tivesse morrido aos 13.

O texto deste ano é quase o mesmo distribuído pela web desde que o Brasil perdeu a final em 1998 e ganhou a Copa em 2002. Apenas os nomes dos jogadores – como o autor da frase e o “santo” que se recusa a jogar e é cortado –, do presidente da confederação de futebol e de outros envolvidos foram devidamente trocados, assim como as datas e alguns valores. No clássico “escândalo” de 1998, por exemplo, os personagens principais eram Leonardo, Ronaldo e Ricardo Teixeira, enquanto no deste ano envolvendo os brasileiros aparecem Maxwell (ou qualquer outro jogador da seleção), William e José Maria Marín.

Então de onde saiu esse boato? 

A origem do rumor não é exata, e a única certeza é que não foi o tal Gunther Schweitzer quem escreveu a carta. Ele realmente existe (tanto que concedeu entrevistas à ESPN, ao portal Terra e à BandNews), não é um jornalista e recebeu o e-mail original em 2002. Na época, trabalhava na Volkswagen e acreditou na mensagem, que encaminhou a todos os seus amigos. Só que o texto, por culpa de um descuido e do Outlook, acabou indo com sua assinatura, o que fez com seu nome acabasse associado a essa bomba eternamente.

Segundo as entrevistas, ele é hoje personal trainer em Mogi das Cruzes e nem gosta muito de futebol. E na divertida conversa com a rádio (disponível na íntegra aqui, nos 22 minutos), ele ainda revelou que a carta (que já envolveu também o sorteio da Copa, Libertadores e tantos outros campeonatos de tempos passados) o atormenta há 12 anos. Pessoas o procuram para esclarecimentos até hoje, e só nesta semana, disse Schweitzer, 500 solicitações de amizade foram recebidas por ele no Facebook. O trauma foi tamanho, aliás, que o personal nunca mais encaminhou uma corrente – um exemplo que todos deveriam seguir.