Com queda de iPhones na China, Apple aposta nos serviços

Companhia divulga seus resultados trimestrais nesta terça-feira. Expectativa é de retomada nos números apenas em 2020

Os últimos três meses foram duros para a gigante de tecnologia Apple — e tudo graças à China. Mesmo com novos iPhones no mercado, a empresa americana viu seus smartphones perderem espaço no território chinês graças ao fortalecimento da concorrência e a uma estratégia de preços que não agradou muito os consumidores. O resultado? Queda nas vendas e nas ações e uma aparente crise instaurada. É em meio a este cenário que a empresa divulga nesta terça-feira seus resultados financeiros do primeiro trimestre fiscal de 2019.

A própria Apple não está exatamente otimista em relação ao que esperar. Sua previsão inicial, de que a receita no período ficaria entre 89 e 93 bilhões de dólares, foi cortada para 84 bilhões de dólares em uma carta enviada pelo presidente Tim Cook a investidores no começo de janeiro. Cook elencou alguns dos motivos, mas destacou que o principal foi, de longe, o mercado chinês.

“Nós esperávamos alguns desafios em mercados emergentes, mas não previmos a magnitude da desaceleração econômica, particularmente na China”, escreveu Cook. A economia chinesa, no entanto, desacelerou apenas 0,2 ponto percentual, para 6,6% de expansão, o que mostra que o problema, mais do que na China, está na Apple mesmo.

Os problemas foram agravados pelo alto preço dos novos smartphones da empresa e pela guerra comercial que a região disputa hoje com os Estados Unidos, afetando a receita gerada geradas pelos iPhones. O executivo não cita os números exatos das vendas do celular e também não deverá fazê-lo: a partir deste trimestre, a empresa colocará os valores em uma categoria unificada, de produtos, junto com os totais de Macs, iPads e outros aparelhos.

Na estimativa do analista Gene Munster, da empresa de investimentos Loup Ventures, a queda deve ficar na casa dos 36% em relação ao mesmo período do ano passado. A China representa 20% da receita total da companhia.

O vácuo deixado pela Apple no país foi ocupado principalmente por rivais locais, com modelos mais acessíveis. Segundo dados da consultoria Gartner, Huawei, Xiaomi e Oppo, que têm atuação mais forte na China, têm nadado de braçada. A Huawei já tomou da empresa americana o segundo posto entre as maiores fabricantes de smartphone do mundo, atrás da sul-coreana Samsung.

Para Rod Hall, do banco Goldman Sachs, a previsão é de que esse cenário não melhore no próximo trimestre, porque os custos altos dos iPhones devem fazer com que os clientes não pensem em trocar de celular tão cedo. Em nota a acionistas, o analista cortou a expectativa do preço dos ações para os próximos 12 meses, de 182 para 140 dólares.

Mas nem todas as notícias são ruins. Na carta aos acionistas, Cook destacou que o setor de aparelhos vestíveis (o Apple Watch e os fones AirPods) e os serviços tiveram bons resultados. A receita do primeiro saltou 50% em 12 meses. Os serviços geraram cerca de 10,8 bilhões de dólares de receita no trimestre, um recorde na história da companhia.

O resultado desses negócios ainda não deve ser suficiente para salvar o ano fiscal de 2019 da Apple — na previsão da Loup Ventures, a empresa deve encerrar o período de 12 meses com uma queda de 5% na receita. Mas a expectativa é de que os números gerais voltem a crescer em 2020. O iPhone pode ter perdido espaço, mas a Apple deve continuar a crescer.