Com pagamento via celular e maquininha de cartão, Movile quer ser fintech

Dona do iFood quer implementar pagamentos com QR Code

São Paulo — Com valor de mercado estimado em mais de 1 bilhão de dólares, a Movile é um grupo de tecnologia brasileiro de grande porte. Talvez, você conheça mais o seu principal aplicativo, o iFood. Se tem filhos ou crianças na família, pode ser que conheça o PlayKids, também da empresa. Se trabalha com eventos, é mais provável que já tenha ouvido falar no Sympla. Apesar já ter um portfólio amplo de aplicativos de renome, a empresa agora busca uma nova frente e entrará no campo das fintechs. O primeiro a receber a solução de pagamentos da Movile será o iFood, que permitirá pagamentos via QR Code, uma espécie de código de barras digital que é escaneado pelo smartphone, como se fosse um boleto.

Em 2019, a empresa espera usar a solução em 3 mil restaurantes. Sua ambição não é pequena: tornar o Movile Pay a maior fintech da América Latina. A Zoop, uma das empresas nas quais a Movile investiu, é a propulsora da plataforma de pagamentos.

A ideia do QR Code ajuda a minimizar filas. Enquanto o pagamento via celular, por NFC, como Samsung Pay ou Apple Pay, precisam ser feitos um por vez, esse adesivo digital pode ser lido em poucos segundos e diversas pessoas podem pagar suas contas rapidamente.

Daniel Bergman, CEO da Movile Pay, é o responsável pela implementação e expansão da nova vertical da companhia no Brasil. “Não é uma promessa, mas eu ficaria surpreso se chegarmos ao fim do ano sem ter o Movile Pay em pelo menos mais dois aplicativos”, afirmou Bergman, em entrevista a EXAME.

A carteira digital de pagamentos é algo que está em desenvolvimento e ela terá recursos também usados por rivais, como Mercado Pago (que pertence ao Mercado Livre) ou o PicPay (que pertence à J&F, responsável também pelo Banco Original e pela JBS).

A estratégia da Movile para o mercado de pagamentos não envolve apenas os pagamentos via aplicativos, que devem chegar à Sympla e ao parceiro estratégico Ingresso Rápido. Ela também entrou na guerra das maquininhas de cartão. Com dois produtos de 12 x de R$ 35,90 e 12 x de R$ 4,90, a companhia integra todas as transações em um portal para restaurantes. Para estimular a adoção de seus produtos em um mercado com concorrentes como Stone e PagSeguro (lembra da Minizinha?), a Movile dá o valor dos aparelhos em crédito para compra de insumos, como arroz ou embalagens. Isso será o suficiente? Agora, temos que esperar para descobrir os próximos capítulos dessa história.