China rejeita novamente acusações de ataques virtuais

EUA acusam o exército chinês de atacar empresas de comunicação, sociedades privadas e agências governamentais americanas

Pequim – A China negou novamente as acusações feitas pelo relatório de um órgão de segurança americano. O documento diz que o exército chinês atacou empresas de comunicação, sociedades privadas e agências governamentais dos Estados Unidos.

As afirmações da empresa Mandiant – que presta consultoria ao governo americano na área de computação – são “infundadas”, garantiu Geng Yansheng, porta-voz do ministério chinês da Defesa, em comunicado.

“Os ciberataques são obviamente transnacionais, anônimos e enganadores, existem muitas incertezas sobre sua origem”, afirmou.

“Fundamentar-se em endereços de IP de computadores para dizer que estes ataques vêm da China denota uma ignorância de regras técnicas básicas”, afirmou o ministério chinês.

“Todo mundo sabe bem que todos os dias endereços IP são utilizados por hackers”, acrescentou, repetindo assim a clássica linha de defesa das autoridades chinesas sobre a questão.

A empresa Mandiant acusou o exército chinês de controlar milhares dos hackers mais virulentos do mundo, após centenas de investigações sobre o assunto durante os três últimos anos.


O relatório de 74 páginas da Mandiant se concentrou em um grupo chamado “APT1”, sigla para “Advanced Persistent Threat”, que teria roubado grandes quantidades de informação e atacou sistemas importantes, como as atividades energéticas americanas.

As assinaturas destes ciberataques puderam ser rastreadas até um imóvel de 12 andares, nos arredores de Xangai. Segundo o relatório, a APT1 teria “centenas, até mesmo milhares, de funcionários”.

Nesta quarta-feira a segurança ao redor do edifício, situado na cidade de Gaoqiao, perto de uma usina petroquímica ao norte de Xangai, foi reforçada, constatou a AFP.

Um fotógrafo da AFP que esteve nas proximidades do prédio foi interpelado por seis soldados da polícia chinesa e detido durante meia hora, assim como um grupo de jornalistas estrangeiros.

Os soldados confiscaram o cartão de memória de sua câmera, com imagens do prédio, alegando que fotos de instalações militares são proibidas.