Chegada de J.K.Rowling ao mundo digital movimenta indústria editorial

Criadora de Harry Potter lançou projeto de site colaborativo para compartilhar material inédito com fãs

Londres – A chegada da criadora da saga do bruxinho Harry Potter, J.K.Rowling, ao mundo literário digital tem implicações ainda desconhecidas para a indústria editorial, segundo o jornal britânico “Financial Times”.

Rowling era uma grande defensora dos livros impressos até o surpreendente anúncio nesta semana do projeto “Pottermore”, um site no qual compartilhará material inédito com seus fãs.

A firmeza de seu compromisso anterior e sua tremenda popularidade fazem de sua decisão um marco equivalente à chegada dos Beatles ao iTunes da Apple, em novembro do ano passado, segundo o periódico britânico.

Ao vender diretamente seu material aos leitores, Rowling deixa de lado a livraria eletrônica da Amazon e outros no varejo do setor digital rivais, como o iTunes.

O “Financial Times” comenta também que o papel secundário adotado pelas editoras de seus livros, Bloomsbury e Scholastic, parece indicar que não foram exatamente elas que impulsionaram o projeto.

De acordo com o jornal, várias inovações já estão transformando o equilíbrio de poder entre autores, editores e o comércio no varejo de livros.

A Amazon, que controla aproximadamente dois terços do mercado de livros eletrônicos graças ao Kindle, anunciou esta semana que John Locke é o primeiro autor que, sem o respaldo de uma grande editora, conseguiu vender mais de 1 milhão de livros para o e-book.

O diário britânico lembrou também que o agente literário Andrew Wylie alarmou os editores no ano passado ao criar um selo para a venda de versões eletrônicas de livros de seus clientes, entre eles o romancista americano John Updike.

No entanto, muitos escritores encontrariam dificuldades em seguir os passos de J.K.Rowling, que tem uma base de fãs sem igual, o que lhe proporciona uma marca e dinheiro suficientes para criar um portal e atrair toda essa atenção. Além disso, a britânica é uma das poucas figuras literárias que possui os direitos de exploração digital de suas obras.

Por isso mesmo, John Makinson, diretor-executivo da Penguin, editora que não assina contratos que não incluam também os direitos digitais, não acredita que a iniciativa da criadora de Harry Potter vá se transformar em um movimento.

Segundo Shahid Khan, da empresa de consultoria MAG, o maior perigo para os editores estabelecidos é a possibilidade de livrarias digitais como a Amazon superá-los com os direitos para livros eletrônicos. Esta categoria representou 19% das vendas totais em abril, 158% a mais que no mesmo mês do ano passado.

Segundo o “Financial Times”, existe outro grande obstáculo que dificultará outros autores de seguirem Rowling: a complexidade das regras impostas por Apple e Amazon para edições eletrônicas.

Afinal, de acordo com Benedict Evans, da Enders Analysis, adaptar um livro eletrônico comprado em um site externo para leitura em outro dispositivo tem suas dificuldades técnicas.