Cacau Show agora tem assistente de voz na linha de produção

Empresa de produtos alimentícios começa a utilizar Voice Picking para otimizar a produção e aumentar lucro

São Paulo – Em um mundo onde a tecnologia está se tornando uma parte importante de diversas áreas, o ambiente corporativo não fica por fora. Empresas brasileiras estão começando a adotar o serviço de Armazenamento Direcionado por Voz, ou Voice Picking, que consiste em utilizar tecnologia de assistente de voz para aprimorar os processos de armazenamento e distribuição. A Cacau Show, marca nacional de chocolates, começou a utilizar recentemente o serviço, a fim de inovar os métodos processuais e aumentar a quantidade de vendas.

O sistema usado é fornecido pela Seal Sistemas, companhia que desenvolve diversas tecnologias para inovar a estrutura e a produção de empresas do segmento de vendas. Essa nova logística irá permitir um crescimento na quantidade de caixas de chocolate vendidos por dia para todos os estados do Brasil. Atualmente, segundo a companhia, 45 mil caixas de produtos são enviados diariamente – número que, com a distribuição e separação por reconhecimento de voz, deve aumentar em 5% no próximo ano, de acordo com uma estimativa realizada pelas instituições Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).

A partir de agora, os funcionários passarão a trabalhar com as mãos livres e utilizando um fone de ouvido conectado com um coletor de dados por ondas de rádio, ou radiofrequência, que transmite as informações para o trabalhador. Por exemplo, a partir de uma única central, o funcionário consegue registrar por voz em que parte do processo está e quantas caixas ele armazenou até o momento, de modo que o sistema registra todas as suas atividades e o indica qual é o próximo passo.

Em entrevista a EXAME, Stefenson Soalheiro, diretor de logística da Cacau Show, afirma que as únicas informações que permanecem registradas no sistema da companhia são as que possuem relação com o trabalho. Portanto, nenhum registro de voz além do necessário deve ficar guardado no software.

Soalheiro ainda informou que, antes da empresa decidir implementar o novo software, vários testes foram realizados. O sistema de separação por voz, de acordo com ele, estava sendo estudado há quase dois anos pela empresa, até serem contatados pela Seal, cerca de um ano e meio atrás, e começarem a testar o serviço.

“Quanto mais produtivo o ecossistema, mais rentável ele se torna no final”, disse Soalheiro sobre a decisão de seguir em frente com a utilização do uso do Voice Picking, que está começando a se instalar no país especialmente no mercado de varejo, ou seja, em companhias que comercializam seus produtos diretamente ao consumidor.

O funcionário, além de conseguir realizar suas ações com maior rapidez, pode começar a ter uma visão mais ampla do processo e do armazém. Para Norberto Tomasini, sócio da consultoria de mercado PwC Brasil, essa é uma maneira de auxiliar o funcionário a se sentir parte da companhia. “Os operadores da tecnologia se sentem muito mais inseridos no processo, de maneira geral, e acabam tendo uma visão mais integrada do processo que faz parte”, disse Tomasini.

Uma das razões para o mercado de varejo estar começando a investir em serviços mais tecnológicos, segundo Wagner Bernardes, presidente da Seal, é a concorrência. Segundo Bernardes, a alta demanda do mercado pede que as empresas se atualizem, por conta de o varejo ser uma área bastante dinâmica e frenética. O mercado que mais procura utilizar os serviços da Seal, de acordo com o presidente, são em sua maioria negócios varejistas.

Outra companhia que investe em serviços de voz para melhorar a experiência do cliente é o Bradesco. Em 2016, o banco se aliou ao Watson, plataforma de serviços de inteligência artificial da americana IBM. Com isso, foi criada a assistente virtual Bia. A iniciativa consiste em utilizar a tecnologia para treinar os funcionários do banco. A Bia os auxilia durante todo o dia, os dando informações sobre suas atividades e acaba se tornando mais inteligente depois de cada interação, graças ao recurso de aprendizagem de máquina. Não importa o segmento, a história mostra que a tecnologia se desenvolve de modo a tornar as empresas mais eficientes e lucrativas. E, no fim, quem sai ganhando é o consumidor, que tem experiências cada vez melhores com marcas e serviços que investem em inovação.