Brasil e França assinam acordo de cooperação tecnológica em Paris

O acordo foi assinado após o término do II Fórum empresarial realizado pelas patronais de ambos os países

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, e o titular de Economia da França, Arnaud Montebourg, assinaram nesta terça-feira em Paris um acordo para facilitar os intercâmbios tecnológicos.

O acordo foi assinado após o término do II Fórum empresarial realizado pelas patronais de ambos os países, que contou com a presença de empreendedores franceses e brasileiros e que seguiu as mesmas diretrizes do realizado no ano passado no Brasil.

“O objetivo é aprofundar as relações fortes que temos com a França, que têm que se intensificar no terreno comercial e nos investimentos em ambos os países, mas também na troca no terreno tecnológico”, afirmou Borges.

O ministro também ressaltou que havia muitas empresas francesas instaladas no Brasil, mas, nos últimos anos, a cada dia há mais reivindicação de empreendedores brasileiros que querem trabalhar neste país europeu.

Em relação às queixas de alguns empresários franceses, que qualificaram o Brasil como um país protecionista, Borges fez questão de negar este extremo.

“Todos os países importantes na Europa têm política industrial, e os emergentes também têm que ter as suas. Não considero que a nossa seja uma política protecionista, mas sim de fortalecimento da base industrial do país”, disse o ministro.

Neste sentido, Montebourg considerou “normal” que o Brasil queira proteger os setores estratégicos de sua economia, como “a França também faz”.

O ministro francês de Economia, que acaba de impulsionar uma lei para proteger certos setores industriais, ressaltou que “a Europa é o continente mais aberto do mundo” ao investimento de outros territórios.

Mas, segundo ele, “todos os países fortes têm que ter uma base produtiva forte”, e o “Brasil, por sua vez, pretende construir uma indústria para preservar seus interesses”.

Tanto Borges como Montebourg concordaram em destacar que os dois países devem aumentar os investimentos e os intercâmbios comerciais, baseados em “uma relação de equilíbrio e reciprocidade”.

“Acho que nossos países têm uma grande complementaridade e que nossos respectivos governos compartilham valores próximos, a mesma visão de serviço público, a mesma necessidade de ter um crescimento forte no mundo e uma cooperação tecnológica que tem que ser incrementada”, declarou Montebourg.

Borges agradeceu a cooperação do governo francês para ajudar as empresas brasileiras a se instalarem na França e, desta forma, poder reduzir o déficit comercial do país com a França, que é de cerca de US$ 3 bilhões.

Neste sentido, o presidente da patronal Confederação Nacional de Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, reconheceu que o investimento francês no Brasil “necessita de progressos” e, por isso, se comprometeu a trabalhar para isso.

Nesta edição, o fórum empresarial franco-brasileiro se centrou em três campos: o investimento em cidades sustentáveis, com especial atenção nos transportes; a energia, com mais atenção às jazidas de grande profundidade no Brasil, e a simplificação dos investimentos, destinada a eliminar barreiras burocráticas.

O responsável para o Brasil da patronal francesa Medef, Jean-Pierre Clamadieu, assegurou que, “no Brasil, há um punhado de empresas francesas muito assentadas, mas os intercâmbios gerais não são muito altos”.

“O Brasil é um país complicado. É preciso tempo para entender sua burocracia e seu sistema fiscal. Temos que fazer progressos nesse terreno. Mas, seu potencial é indubitável”, afirmou Clamadieu.

O presidente da CNI, por sua parte, reconheceu a existência dessas barreiras burocráticas, mas negou que o país seja protecionista e assinalou que “as empresas que conseguem se implantar no país alcançam grandes lucros”.