Brasil bate recorde de pedidos de remoção de conteúdo no Google

Para se ter uma ideia, o Google foi obrigado por autoridades brasileiras a tirar do ar 398 textos jornalísticos apenas na primeira metade do ano passado

São Paulo – Só na primeira metade do ano passado, o Google recebeu no País 398 pedidos de retirada de material divulgado em seus servidores. Não se trata, necessariamente, de material jornalístico: muitos se referem a conteúdos abusivos ou ilegais. Nenhum outros país no mundo teve tantos pedidos no mesmo período. O número é o dobro do segundo da lista, que foi a Líbia. Dos 398 pedidos, 270 foram atendidos, sendo 177 por ordem judicial.

O dado está no relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), divulgado na terça-feira em São Paulo. Além disso, nos dias finais da corrida eleitoral brasileira, os juízes do País emitiram 21 ordens de censura, revela uma pesquisa do Centro Knight para o Jornalismo, do Texas (EUA). Muitas agências de notícias foram também multadas ou tiveram de remover conteúdos.

“Esse quadro mostra que a censura e a autocensura, que vem junto estão atingindo níveis muito sérios no Brasil”, resumiu Carlos Lauria, coordenador do CPJ, que veio ao Brasil apresentar o levantamento Ataques à Imprensa em 2010. Ele distribuiu ainda outro texto menor sobre a situação na América Latina, em encontro promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). “Nossos levantamentos apontam 44 jornalistas mortos em serviço e 145 presos, em todo o mundo, no ano passado”, resumiu.

A censura ao jornal O Estado de S. Paulo, hoje em seu 566.º dia, é o destaque de abertura do levantamento sobre o continente. “É espantoso que, num país como o Brasil, um dos maiores jornais seja proibido de noticiar um grande escândalo, que envolve figuras políticas conhecidas. Não consigo imaginar o The Washington Post sendo proibido de publicar algo sobre um ex-presidente americano”, disse ele. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A notícia original publicada pela Agência Estado estava errada, e foi corrigida hoje (quinta-feira), às 14h27