Bin Laden poderia viver em jogos online, diz Inteligência dos EUA

Análise aparece um mês depois de informação ser divulgada por jornais; documento traz informações interessantes sobre o atual estado dos mundos online

Os resultados da espionagem norte-americana em games online foram finalmente divulgados. Em um relatório de mais de 120 páginas, os agentes da NSA afirmam que os mundos virtuais não podem mais ser desconsiderados como comunidades. E mais ainda: hoje, poderiam permitir até mesmo que jihadistas criassem um avatar do terrorista Osama Bin Laden para espalhar suas crenças.

A análise, batizada de “3D Cybersapce Spillover: Where Virtual Worlds Get Real” (algo como “Além do Ciberespaço 3D: Onde Mundos Virtuais se Tornam Reais”), aparece um mês depois de os jornais New York Times e The Guardian revelarem que a NSA estava agindo em jogos online. Agentes “infiltrados” passaram anos nos mundos de World of Warcraft, Second Life e tantos outros games em busca de possíveis atividades terroristas, de forma a evitá-las antes de se consolidarem.

No entanto, fora a possível criação de um Bin Laden virtual – um avatar chamado “Usama Bin Ladin”, segundo as criativas mentes dos agentes norte-americanos –, nenhuma evidência de militantes islamitas ou jihadistas foi de fato encontrada.

Mesmo assim, o estudo deixa claro que as possibilidades de uso dos mundos virtuais por pessoas, na visão dos americanos, mal-intencionadas são extensas. Um dos tópicos do estudo, por exemplo, foi intitulado “Mundos Virtuais: Refúgios para Atividades Ilícitas”, mas trabalha com especulações.

Além do terrorismo – O documento, claro, não se limita a uma análise da presença de radicais islâmicos nas comunidades de jogos online. Ele traz também algumas informações verdadeiramente interessantes sobre a situação atual de tais games – ou pelo menos uma boa visão “de fora” sobre esses universos paralelos.

No texto, os norte-americanos colocam China e Coreia do Sul como os principais polos de comunidades online, e traçam uma interessante relação entre a situação política de ambos e seus ambientes virtuais. Chineses, por exemplo, vivem em um mundo virtual também cercado de autoritarismo – “restrições contra o livre discurso e a liberdade de expressão estão intrincados nas leis que regem os ambientes virtuais chineses”, segundo o texto.

Os sul-coreanos, por sua vez, já convivem uns com os outros em um mundo online competitivo, estimulado pelo próprio governo. Para os norte-americanos, seria esse o modelo ideal a ser adotado pelos Estados Unidos, especialmente pela infraestrutura de telecomunicações bem adaptável, ideal para um “ambiente em mudança”.

Economia – O estudo ainda mostra que, para os agentes, o dinheiro que circula nos mundos virtuais poderia, em breve, concorrer com o “de verdade”. Para eles, as moedas online continuarão evoluindo e adquirindo cada vez mais propriedades monetárias. Ao mesmo tempo, ficarão ainda mais seguras, de forma a evitar fraudes e outros problemas comuns nas transações feitas hoje no lado de fora.

É justamente por isso que os espiões consideram como o dinheiro do futuro as moedas em circulação nos games e mundos online – um tópico do próprio estudo, “Dinheiro virtual é o futuro”, confirma. Aliás, de acordo com o documento, o prazo para que uma unidade monetária virtual se tornasse convertível para uma real seria de cinco ou dez anos. E curiosamente, se levarmos em conta que o estudo foi concluído em 2009, o limite para a previsão seria 2019 – e já em 2013 vimos a ascensão do Bitcoin e a criação de tantos outros derivados.

Segundo a Wired, o documento completo foi divulgado sob uma solicitação do Ato de Liberdade de Informação dos EUA, algo como a Lei de Acesso a Informação no Brasil. O pedido foi feito pela Federação dos Cientistas Americanos, que publicou o estudo em seu próprio site. Se quiser conferi-lo na íntegra, em um arquivo em PDF, clique aqui.