Asus Zenbook UX31

logo-infolab

Avaliação do editor Airton Lopes / O ultrabook da Dell é vendido em três versões. A mais poderosa foi a melhor da categoria em quase todas as provas de performance do INFOlab. Porém, o campeão de força também ostenta a posição de lanterna dos ultrabooks na duração de bateria. Outra desvantagem é a falta de leitor de cartão, saída HDMI e conexão para rede cabeada. Além de belo, o modelo é bem resistente. O corpo é feito de alumínio usinado e fibra de carbono.

Avaliação de Leonardo Veras / Notebooks que aspiram se qualificar para o clube exclusivo dos ultrabooks são obrigados a seguir regras estritas. Não por acaso, a falta de liberdade dos fabricantes produziu muitas máquinas superficialmente e internamente semelhantes. Mas, como tudo que é sofisticado, cada modelo de ultrabook expressa sua individualidade de forma muito sutil. O Zenbook da Asus, por exemplo, leva a estética do corpo fino ao extremo. O HP Folio, por sua vez, prefere ser mais pragmático e adota características de notebook corporativo. Para se diferenciar nesse mercado de alta costura da informática, a Dell miniaturizou a linha XPS na forma do XPS 13, um ultrabook cuja razão de ser é agradar as mãos do usuário.

Por confortável que esse notebook possa ser, ele não deixa de ser um computador. Falemos, portanto, do poder de computação. O chip que rege a atividade do XPS 13 é um Intel Core i7 2637M, cujos dois núcleos rodam a uma frequência básica de 1,7 GHz que pode ser ampliada em um dos núcleos a até 2.8 GHz, dependendo de como o sistema utiliza a CPU. Dentro da família Core i7 26×7, este é um processador intermediário, notável principalmente pelo clock relativamente alto. Mas quando o observamos sob o contexto geral dos processadores de baixa voltagem da Intel, o 2637M é sem dúvida um dos melhores, capaz até mesmo de superar algumas unidade de voltagem média.

Acompanhando os dois núcleos do processador no mesmo bloco de silício encontramos a unidade de processamento gráfico Intel HD Graphics 3000. Como todo ultrabook, o XPS 13 depende apenas dela para reproduzir efeitos de vídeo. No caso, como se trata de um chip de baixa voltagem, as doze unidade de execução dessa GPU apresentam um clock básico menor que o normal (350 MHz contra 650 MHz). Apesar dessa limitação, ela é muito competente em algumas tarefas, como a conversão de formatos de vídeo (graças ao Quick Sync) e o processamento de gráficos baseados no DirectX 9 (não há suporte ao DirectX 11).

O XPS 13 se vale dos mesmos 4 GB de RAM que a esmagadora maioria dos notebooks utiliza e, a princípio, não há qualquer motivo para expandir essa reserva. De qualquer modo, não muito espaço para modificações aqui: como outras máquinas dessa categoria, o XPS 13 utiliza uma motherboard estreita de dupla face e a RAM é soldada na placa. Ultrabooks definitivamente não são máquinas projetadas para serem abertas, fato anunciado pelo enorme número de parafusos que costuma ser utilizado para fixar a tampa inferior dessas máquinas.

Muito mais interessante do que a RAM é o SSD responsável pelo armazenamento da máquina. Além de ter muito espaço para um drive de memória flash (256 GB), esse SSD se beneficia do conector mSATA, a versão do SATA 6 Gbit/s. Em outras palavras, o drive pode receber e enviar informações mais rapidamente porque tem uma banda de transferência maior do que a que um SATA mais antigo pode oferecer.

É inegável que a configuração do XPS 13 é excelente, mas o mesmo pode ser dito a respeito de quase todo ultrabook. Aliás, é muito difícil apontar diferenças de desempenho entre as máquinas dessa categoria durante o uso prático de cada uma delas: a combinação de CPU poderosa com SSD torna todas elas muito rápidas. A única forma que nos resta de elencar cada ultrabook segundo sua performance é através dos resultados dos benchmarks, que, é bom lembrar, não podem ser tomados como critério único de avaliação do conjunto de hardware que compõe um computador.

Cortando os entretantos e partindo para os finalmentes, podemos dizer que o XPS 13 é o campeão absoluto de benchmarks nos testes realizados com ultrabooks aqui no INFOlab. Suas marcas de desempenho geral no PCMark 7 (3.842 pontos) e de performance gráfica no 3DMark06 (4.376 pontos) superam todos os outros modelos que já passaram por nossas mãos. 

Benchmark PC Mark 7 (em pontos)
Barras maiores indicam melhor desempenho

Dell XPS 13

3.842
Apple Macbook Air 13”
3.669

Asus Zenbook UX31E

3.442
HP Folio 13
3.142
Acer Aspire S3
1.545

Benchmark 3DMark06 (em pontos)
Barras maiores indicam melhor desempenho

Dell XPS 13

4.376
Apple Macbook Air 13”
4.293
Asus Zenbook UX31E
3.943
HP Folio 13
3.459
Acer Aspire S3
2.994
Samsung Série 9
2.008

Mas todo Aquiles tem um calcanhar vulnerável. Se fossemos eleger a maior falta do XPS 13, ela com certeza seria a da escassez de conexões. Com apenas duas USB (uma 3.0 e outra 2.0), uma mini DisplayPort (com adaptador para VGA), Wi-Fi e Bluetooth, esse notebook consegue ser pior que o MacBook Air em conectividade. Até no caso do Bluetooth o XPS 13 vacila: enquanto quase todos os fabricantes implementaram a versão 4.0 em seus ultrabooks, a Dell optou pela versão 3.0. Se existe um notebook antissocial, este é o XPS 13.

O porquê desse isolacionismo se explica parcialmente por uma característica positivo do ultrabook: o tamanho. Todos os ultrabooks são finos e o XPS 13 sequer detém o título de ultrabook mais estreito. Ele é, no entanto, o menor ultrabook de 13 polegadas que já testamos quando o critério é largura e profundidade (31,6 x 20,5 x 2,0 cm). A Dell sacrificou o espaço das conexões e instalou uma tela de borda excepcionalmente fina para ganhar alguns milímetros que fazem a diferença na hora de encontrar um lugar para guardar a máquina. Valeu a pena? A resposta depende das necessidade do usuário. Quem precisa de um note conectado responderá que não. Quem precisa carregar o notebook em uma pequena mala ou pasta responderá que sim.

A questão do design não para por aí. A Dell optou por uma construção incomumente rígida, até mesmo entre os ultrabooks. Por um lado isso é vantajoso, pois componentes como a tela tendem a se adaptar melhor a espaços estreitos justamente em consequência dessa rigidez. Por outro lado, a máquina pode ser mais suscetível a danos causados por impactos, possibilidade que talvez tenha incentivado a decisão de cobrir o display com Gorilla Glass (mais sobre isso adiante).

Além da carcaça rígida, a o XPS 13 é composto por uma mistura de alumínio e tinta emborrachada que é diferente de tudo que a concorrência produziu até agora. O resultado é extraordinário tanto pela beleza quanto pela praticidade. Não podemos deixar de elogiar a Dell pela originalidade, ainda que se trate de uma mudança superficialmente simples no design típico dos ultrabooks.

Afirmamos que o design é prático pelo efeito que produz no teclado. Descansar os punhos sobre o XPS 13 é uma experiência bem mais agradável do que a maioria dos ultrabooks, com suas carcaças metálicas e extremidade pontiagudas, é capaz de proporcionar. A textura aderente também ajuda na digitação, assim como o próprio tamanho e espaçamento das teclas. Em vez de fingir que o rei não está nu, a Dell reconheceu uma necessidade óbvia de todo teclado e incluiu uma tecla para o “?” e o “/”, algo ausente em muitos teclados de notebook. Para adicionar mais um ponto positivo à extensa lista de vantagens do teclado, podemos mencionar a retroiluminação do mesmo.

Infelizmente não podemos cobrir o touchpad com tantas elogios. Não é o hardware que nos desagrada: trata-se de uma unidade enorme e que não impõe nenhum obstáculo ao deslizar dos dedos. O software, no entanto, poderia ser melhor. Ultrabooks costumam apresentar drivers melhores, com gestos de controle que são naturais e confiáveis, mas este não é o caso. A rolagem de página e o zoom, por exemplo, são um tanto erráticos e nunca indicam exatamente quão amplo um gesto determinado deve ser para alcançar um resultado correspondente. A boa notícia é que questões de software podem ser resolvidas com um simples patch.

Acima do teclado encontra-se outro dos poucos pontos fracos do XPS 13: a tela. Como comentamos acima, ela coberta por Gorilla Glass, o que ajuda a evitar riscos e fissuras na tela. A necessidade dessa proteção extra em um notebook é por si só questionável, mas existem ainda outros motivos para não incluir tal implemento. O vidro especial torna o notebook um pouco mais pesado e aumenta a reflexividade da tela, dificultando seu uso em ambientes muito iluminados. Mesmo desconsiderando o Gorilla Glass, a tela em si é de baixa qualidade para um ultrabook. Embora a resolução de 768p ainda seja comum mesmo entre os ultrabooks, esperávamos mais de uma máquina de 13 polegada dessa categoria. Os ângulos de visão e o contraste também poderiam ser melhores.

Possuir um bom sistema de áudio parece ser uma tendência entre os ultrabooks, mas isto não impede que nos surpreendamos com o som que máquinas tão pequenas são capazes de produzir. Como outros modelos da categoria, o XPS 13 tem um áudio relativamente bom. No entanto, sua principal característica não é a qualidade e sim a altura do som.

Discutimos extensivamente a potência do XPS 13 como computador. De fato, essa é uma máquina perfeitamente confiável para a maioria das atividades. Contudo, o poder de processamento e o tamanho reduzido do notebook produziram um efeito negativo na duração da bateria. O XPS 13 obteve um resultado péssimo no nosso teste com o Battery Eater: ele suportou apenas 80 minutos de uso intenso. Com isso em mente, talvez seja mais vantajoso escolher uma versão de configuração mais modesta (a Dell oferece modelos com Core i3 e Core i5), pois é provável que a bateria dure mais e a máquina não perderia muito poder de fogo.

Duração da bateria em uso intenso
Barras maiores indicam melhor desempenho

Asus Zenbook UX31

2h53min

HP Folio 13

2h46min
Samsung Série 9
2h17min
Acer Aspire S3
2h04min
Apple Macbook Air 13”
2h02min
Dell XPS 13
1h20min

Ficha técnica

Tela 13,3”
Processador Intel Core i7-2677M 1,6 GHz
RAM 4GB
Armazenamento SSD de 256 GB
GPU Vídeo onboard
Peso 1,4 kg
SO Windows 7 Home Premium
Duração de bateria 2h53min

Avaliação técnica

Prós Configuração excelente; ótimos resultados nos benchmarks; design que foge da norma sem deixar de ser atraente e útil;
Contras Escassez de conexões; duração de bateria medíocre; tela poderia ser melhor; preço elevado;
Conclusão A Dell arriscou e acertou no design do XPS 13; não fosse pelas faltas graves no quesito bateria e conexões, ele seria uma das melhores máquinas que já resenhamos;
Configuração 8,7
Vídeo e áudio 8,2
Usabilidade 8,2
Bateria 8,9
Média 8.3
Preço 5999