Aplicativos ajudam a fiscalizar candidatos no pós-eleições

App estrutura um modelo de acesso a informações que podem auxiliar os brasileiros a "adquirirem memória e iniciarem processo de cobrança de promessas"

São Paulo – Lançado nesta sexta-feira em São Paulo, um aplicativo para smartphones e tablets pretende ajudar os eleitores no acompanhamento das propostas dos candidatos que saírem vitoriosos das urnas.

O app “Eu, Eleitor” estrutura um modelo de acesso a informações que podem auxiliar os brasileiros a “adquirirem memória e iniciarem processo de cobrança de promessas”, segundo a responsável pelo aplicativo, Fabiana Makiyama.

“A missão do aplicativo é ajudar a memória política do eleitor, além de estimular esse hábito e saber o que fazer com ela depois. O primeiro passo é registrar em quem votou e acessar as atualizações do aplicativo que serão feitas até as próximas eleições”, contou ela à Agência Efe.

Em menos de um mês, o aplicativo foi elaborado pela empresa de tecnologia Integru com quatro entidades – IBV – Instituto Brasil Verdade, MCCE SP – Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral Estadual SP, MPD – Movimento do Ministério Público Democrático e PNBE – Pensamento Nacional das Bases Empresariais.

“O aplicativo vai funcionar muito bem após a eleição. A pessoa vai poder salvar em quem votou para acompanhar, pois o brasileiro não tem memória política, 70% não lembra em que deputado ou senador que votou”, explicou.

Baixado gratuitamente, o programa vai ser útil também para quase 10% dos eleitores que ainda estão indecisos sobre seus candidatos a cargos estaduais e federais.

Na primeira fase do projeto, o usuário conseguirá obter as informações dos presidenciáveis e dos políticos do Estado de São Paulo. A responsável acredita que até amanhã à noite, todos os candidatos brasileiros estarão incluídos.

Muitas outras ferramentas para celulares e tablets foram criadas neste ano para auxiliar a população a encontrar informações sobre as candidaturas, encontrar o local de votação ou até mesmo lembrar o número do candidato e acompanhar a apuração em tempo real.

Só o Tribunal Superior Eleitoral criou três apps gratuitos: um que reúne um banco de dados dos 26 mil candidatos que concorrem a algum cargo nestas eleições, outro com a lista de zonas eleitorais e um de acompanhamento dos resultados dos pleitos em todo o Brasil.

Um dos mais completos é o aplicativo “Candidaturas”, onde os candidatos podem ser pesquisados por filtro e por estado, sendo possível consultar nome, coligação, número da candidatura e até a situação de registro dos aspirantes, indicando candidaturas impugnadas.

Nesse aplicativo, há o link para sites oficiais dos políticos e também informações pessoais, histórico profissional na política, sendo a primeira vez que uma iniciativa desse tipo é lançada em nível nacional.

O “Política de Boteco” é um projeto da empresa de tecnologia Webcitizen e tem faz uma espécie de simulação em que os brasileiros podem “votar” nos projetos de lei mais polêmicos a fim de fazê-los participar de discussões políticas que afetam os rumos do Brasil.

“Meu voto digital” permite selecionar os nomes escolhidos para votação em uma cola virtual, indicando uma pesquisa informal de intenções de votos.

Além deste, foram lançados como guias informativos os aplicativos “Acordei”, “VoteCerto!” e “Deputados”.

Com a temática de fiscalização, surgem aplicativos ancorados por entidades como o Movimento Contra Corrupção Eleitoral e Observatórios de Transparência como “Ficha Limpa” e o estadual “Eleições SP”.

E tem aplicativos em que os eleitores podem dar sua opinião, como é o caso do “Voto e Veto”, onde é possível vetar ou votar em um banco de dados com as propostas dos candidatos avaliando os candidatos pelos planos de governo.

“Baixei o Voto x Veto, porque é interessante ficar vendo o que os candidatos planejaram e que não há tempo para serem divulgados nos programas eleitorais de TV, nem em debates”, contou o estudante Leonardo Ortiz.

O “Fala Candidato” permite que o usuário envie mensagens para os políticos que concorrem aos cargos desta eleição, mas não há garantia de resposta deles.