A rede 5G já é uma realidade. Mas não no Brasil, claro

Operadoras estão em conversas para leiloar uma faixa para o 5G em 2019, mas para isso funcionar é necessário uma ampliação da infraestrutura

O 5G já é uma realidade. Ao menos nos Estados Unidos. Hoje, a operadora de telefonia norte-americana Verizon começa a cadastrar clientes interessados em ter um modem de internet 5G em casa, uma facilidade que será distribuída amplamente pela operadora a partir de 1 de outubro.

O 5G é a nova geração de internet móvel, sucessora do 4G, que tem mais velocidade e capacidade de transmissão de banda e dados. Segundo especialistas consultados por EXAME, a adoção do 5G se dará inicialmente para internet de residências, como a proposta da Verizon, para depois atender dispositivos de internet das coisas e celulares.

As primeiras cidades atendidas pela tecnologia serão Houston, Indianápolis, Los Angeles e Sacramento. Para atrair consumidores, a Verizon oferece instalação grátis, três meses de serviço complementar e facilidades como uma assinatura do serviço de streaming do YouTube por três meses. Para clientes da operadora, o valor será de 50 dólares, para novos consumidores, 70 dólares. Os modens com acesso a internet 5G têm velocidade de conexão entre 300mbps (megabits por segundo) e 1gbps — um tipo de serviço hoje acessível somente por fibra ótica, uma estrutura mais cara e de difícil acesso em algumas regiões.

Ainda vai levar algum tempo até que o 5G móvel chegue aos consumidores, já que nem todas as operadoras e fabricantes de celular dão suporte à novidade. Mas por enquanto a tecnologia deve facilitar o acesso de conexão à internet, além de colocar a Verizon na linha dos potenciais negócios em 5G e Internet das Coisas.

Enquanto outros países se preparam para chegar primeiro ao 5G, o Brasil patina com questões básicas como legislação e infraestrutura. No índice de preparação para redes de comunicação do Fórum Econômico Mundial, que mede questões como infraestrutura e ambiente legislativo, o Brasil está em 72º lugar, atrás de China, Chile e África do Sul. Dados da Associação Brasileira de Infraestrutura de Tecnologia mostram que há um total de 4 bilhões de reais represados em investimentos nessa área, esperando uma atualização regulatória do setor.

As operadoras estão em conversas para leiloar uma faixa para o 5G no Brasil já no ano que vem, mas para isso funcionar é necessário uma ampliação da infraestrutura. Em todo o Brasil, há um total de 72.000 torres, menos da metade das 200.000 torres disponíveis nos Estados Unidos. Se não destravarmos investimentos, ficaremos para trás também na corrida da internet das coisas.