A Ford na corrida pelo carro-robô

Ao criar a linha de montagem para o seu Modelo T, Henry Ford revolucionou o transporte individual. Desde então, o carro, como conhecemos, sofreu transformações radicais na performance e na segurança, mas, em sua essência, todo o resto sempre esteve lá, volante, pedais de frenagem e pedais de aceleração. Mas na tarde desta terça-feira, a Ford anunciou um plano: produzir em larga escala em 2021 um carro completamente autônomo sem volantes e pedais para uso compartilhado ou por serviços de transportes nas grandes cidades.

Além de um carro robotizado, a Ford vai abraçar uma mudança no modelo de negócio da indústria automobilística adotado até aqui: em vez de incentivar um carro por pessoa, o objetivo será estimular a posse compartilhada ou uso por empresas como Uber.

“Isso significa que os carros serão utilizados de forma mais eficiente, diminuirão a poluição, economizarão o tempo de procura  por um estacionamento e ajudarão a reduzir o congestionamento em todo o mundo, tornando a vida melhor para todos nós”, afirmou Mark Fields, CEO da Ford, em evento no Vale do Silício.

Para tirar o carro autônomo do papel, a Ford adquiriu a startup israelense Saips, especializada em machine learning, e fez um aporte nesta semana de 75 milhões de dólares na fabricante de sensores de laser Velodyne. O número de engenheiros na Califórnia também deve dobrar até o final do ano que vem.

Os carros inteligentes são a bola da vez na indústria automotiva e, para quem tem pioneirismo no DNA, não há razão para ficar parado. A Audi também anunciou nesta semana que dois de seus modelos vão conversar com os semáforos dos Estados Unidos, calculando se o motorista tem tempo suficiente para passar pelo sinal verde. Tesla e Mercedes já oferecem modelos com piloto automático limitado. Embora seja cedo para dizer quem se dará melhor nessa competição, só há uma certeza, confirmada por Fields, – um carro-robô ainda terá um preço alto. A revolução da indústria automotiva ainda não chegou no bolso.