A briga pelos dados dos europeus

Em jogo, a privacidade de 742 milhões de pessoas. O plenário do Parlamento Europeu debate hoje e amanhã a aprovação de um novo acordo com os Estados Unidos para resguardar as informações digitais de seus habitantes.

O novo acordo, batizado de Privacy Shield (escudo de privacidade), deve substituir um acordo de 15 anos atrás, tirado de operação pela corte europeu de justiça por não oferecer proteção contra as mais modernas ameaças — a fragilidade foi escancarada pelo hacker Edward Snowden.

Membros do Parlamento ainda não estão totalmente convencidos de que o novo acordo dará conta do recado. Grupos de defesa da privacidade online devem pedir por mais garantias e talvez até queiram reabrir as negociações.

O Privacy Shield prevê a criação de um regulador central para controlar os dados — antes, os controles eram responsabilidade das empresas. Mas o novo acordo poderia ser ainda mais restritivo, já que continua permitindo a troca de informações transatlânticas. Assim, as empresas não precisam processar dados de europeus no próprio continente.

A limitação de fluxo dificultaria a venda de anúncios baseados em informações pessoais — e mexeria com um mercado bilionário. Só no primeiro trimestre de 2016, o Facebook faturou 5,2 bilhões de dólares com anúncios na rede, e o Google faturou 18 bilhões. A Microsoft já anunciou que o escudo tem de ser aprovado assim como está. A resposta sai na quinta-feira.