5 ideias que ajudam a iluminar o mundo

Mais de 1 bilhão de pessoas vivem sem energia elétrica no mundo. Conheça cinco projetos que podem ajudar a resolver o problema

A falta de acesso à eletricidade é um problema que atinge uma a cada sete pessoas no mundo, de acordo a Organização Mundial de Saúde (OMS). A maioria dessas pessoas vive em regiões pouco desenvolvidas, onde as escassas opções de fonte de energia são caras e não renováveis, o que agrava ainda mais a situação.

Mas já existem diversas iniciativas pelo mundo que propõem soluções para tornar a eletricidade mais acessível e sustentável. Conheça cinco dessas criações.

GravityLight: o peso que acende a luz

Na África Subsaariana, mais de 600 milhões de pessoas vivem sem energia elétrica. Elas dependem de alternativas como os lampiões a querosene. Mas a compra do combustível pode consumir quase um terço do orçamento familiar, e sua queima pode causar sérios problemas à saúde. Em 2009, dois designers britânicos de produtos, Jim Reeves e Martin Riddiford, encararam o desafio de desenvolver uma forma de iluminação acessível, renovável e não dependente de conexões com a rede elétrica.

Surgiu, então, o GravityLight, um gerador de corrente contínua que converte energia mecânica em energia elétrica. Para funcionar, é preciso pendurar uma sacola com objetos pesados em uma das pontas da máquina. A queda dessa sacola alimenta o gerador, que acende uma lâmpada de LED com capacidade de iluminação cinco vezes maior que a de um lampião a querosene. A invenção já passou por duas rodadas de crowdfunding e, em 2015, foi a vencedora do Shell Springboard, programa que premia projetos com soluções inteligentes para a redução da emissão de gases de efeito estufa.

Assista ao vídeo e veja como funciona:

Sigora Haiti: rede rápida de energia elétrica

No Haiti, 75% dos moradores vivem em regiões sem acesso à eletricidade – e, mesmo nos locais cobertos pela rede elétrica, frequentemente ela não funciona por mais do que duas a seis horas por dia. A Sigora, uma startup baseada no país, criou em apenas seis meses uma rede elétrica capaz de atender uma cidade de 5 000 habitantes. A intenção é alcançar 300 000 haitianos até o fim de 2017. Para isso, a empresa conectou uma série de “microgrids”, que normalmente são usados de forma independente com pequenos geradores, a uma fonte central de energia.

O gerenciamento da distribuição da energia é mais simples, pois está concentrado em apenas um local. Ao mesmo tempo, é um sistema mais barato e mais confiável do que o de uma rede elétrica tradicional, pois cada cidade tem seu grid próprio. Logo após o furacão Matthew, que destruiu a maior parte da rede de distribuição do país, em outubro passado, a startup conseguiu restabelecer seus “microgrids” em apenas 55 horas.

Saiba mais sobre a startup aqui.

Sigora Haiti: microgrids fornecem energia elétrica para cidades haitianas

Sigora Haiti: microgrids fornecem energia elétrica para cidades haitianas (Sigora Haiti/Divulgação)

SoloPower: painéis solares leves e flexíveis

Baseada na Califórnia, a SoloPower produz painéis fotovoltaicos leves e flexíveis que podem ser enrolados como um tapete. A empresa criou um kit solar portátil que é montado em menos de cinco minutos e fornece energia suficiente para alimentar lâmpadas de LED por até dez horas.

Composto por um painel, cabos conectores, uma bateria e uma lâmpada, o kit cabe dentro de um balde e pesa menos de 10 quilos. Cada cabo é único e se encaixa em apenas um lugar, o que faz com que a instalação possa ser feita sem a necessidade de ferramentas ou o auxílio de profissionais. A intenção é que os usuários liguem o sistema durante o dia e guardem o painel à noite, para evitar que sofram danos ou roubos.

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Pavegen: placas de energia cinética

Aproveitar a energia cinética dos nossos passos é a ideia por trás das placas cinéticas da Pavegen. Os painéis, instalados no chão, captam a energia cinética dos movimentos e a transformam em energia elétrica, que pode ser armazenada e utilizada à noite. Para desenvolver a tecnologia, a empresa participou do Shell LiveWIRE, um programa de aceleração de negócios que ajuda jovens empreendedores a iniciar e viabilizar suas startups.

As placas cinéticas já foram usadas no Brasil. Cerca de 200 foram instaladas em um campo de futebol no Morro da Mineira, uma comunidade no Rio de Janeiro. O movimento dos jogadores alimenta o sistema. A energia armazenada, completamente renovável, é usada para ligar refletores que iluminam o campo à noite.

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Makani Power: pipas eólicas para regiões altas

Pipas foram a inspiração do protótipo da Makani Power. A empresa criou uma espécie de turbina eólica amarrada a uma estação terrestre, semelhante a uma pipa gigante, que é capaz de gerar 50% mais energia que as turbinas convencionais. A ideia é aproveitar os ventos mais fortes das áreas mais altas da atmosfera, inalcançáveis pelas turbinas eólicas tradicionais. A pipa, que mais parece um drone, gira em círculos no céu, buscando sempre o trajeto para aproveitar o vento da forma mais eficiente. Um GPS mantém o sistema na rota.

Como a estação ocupa pouco espaço e é barata de manter, é possível instalá-la em regiões não apropriadas para a produção de energia eólica, como montanhas ou locais muito remotos. Desde 2013, a empresa faz parte do Google X, o laboratório de pesquisa e avanços tecnológicos mantido pela gigante da internet.

Assista ao vídeo e veja como funciona: