Venda de imóveis de um quarto dobrou de 2012 para 2013 em SP

Apartamentos de um dormitório representaram nada menos que 25% das vendas de imóveis novos no ano passado na cidade de São Paulo

São Paulo – Os imóveis de um dormitório ganharam tanta popularidade na cidade de São Paulo que sua participação na venda de imóveis novos saltou de 15,6% em 2012 para 25,2% em 2013.

Foram eles que puxaram a elevação de 23,6% na venda de imóveis residenciais novos na capital em 2013. No ano passado, foram vendidas 33.319 unidades, contra 26.958 unidades em 2012.

As informações são do Balanço do Mercado Imobiliário 2013 do Secovi-SP, divulgado nesta terça-feira (11).

O segmento de um dormitório foi o grande destaque do ano, com 8.931 unidades vendidas, um crescimento de 99,7% em relação ao ano anterior, quando foram comercializadas 4.202 unidades.

Segundo Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, foi principalmente esse aumento de participação dos apartamentos de um quarto que puxou para cima o preço médio do metro quadrado na cidade de São Paulo, que passou de 7.200 reais em 2012 para 8.700 reais em 2013.

“Os imóveis compactos são mais caros que os demais e acabam puxando o aumento dos preços”, diz Petrucci, que explica que é mais caro construir prédios de unidades de um quarto, além de normalmente esse tipo de imóvel se concentrar em regiões mais valorizadas da cidade.

Em volume financeiro, as vendas de imóveis novos na capital somaram 19,1 bilhões de reais em 2013, crescimento de 30,2% na comparação com 2012, quando o volume de vendas atingiu 14,7 bilhões de reais.

A quantidade de unidades remanescentes em 2013, que totalizou 19,7 mil, foi praticamente a mesma de 2012.

Contrariando os anos anteriores, em 2013 o primeiro semestre concentrou o maior volume de vendas, sendo responsável por 52,2% do total de unidades comercializadas (6,9 mil unidades). Normalmente, o primeiro semestre tem menor volume de vendas, de cerca de 45,5%.

Mercado deve se estabilizar em 2014

Apesar do crescimento em 2013, Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP, espera uma maior estabilização o mercado em 2014. “Não achamos que o mercado tenha muito espaço pra crescer, e se crescer vai crescer pouco”, afirma.

Para ele, os preços dos imóveis novos devem ficar estáveis em 2014, em termos reais (descontada a inflação), a não ser que haja distorções, tal como o aumento de participação dos imóveis de um quarto em 2013, que acabou elevando o preço médio do metro quadrado.

Segundo Bernardes, eventos como Copa do Mundo e eleições desviam a atenção dos compradores da aquisição de imóveis. E as eleições, mais especificamente, ainda têm o agravante de deixar os compradores mais inseguros em relação ao rumo da economia.

Para o presidente do Secovi, diante desses desvios de foco, o baixo nível de desemprego é o que deve segurar a estabilidade do mercado imobiliário em 2014.


Lançamentos

O volume de lançamentos residenciais cresceu 16,4%, passando de 28.517 unidades em 2012 para 33.198 unidades em 2013.

Os imóveis de um dormitório também foram destaque entre os lançamentos, com 9.261 unidades, crescimento de 92,9% ante 2012, quando foram lançadas 4.800 unidades.

De 2004 a 2012 o segmento de um dormitório correspondia a apenas 8% do total lançado, enquanto em 2013 os lançamentos de um quarto representaram 28%.

O líder de participação, no entanto, continua sendo o segmento de dois dormitórios, que representou 40% dos lançamentos no ano passado, a mesma proporção verificada entre 2004 a 2012

Região Metropolitana

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) registrou crescimento de 3,0% em lançamentos residenciais de 2012 para 2013.

Foram 56.423 unidades lançadas na RMSP em 2012, ante 58.143 unidades em 2013.

O crescimento foi liderado pela capital, cujos lançamentos (33.198 unidades) representaram 57,1% do total lançado na região metropolitana.

As 38 cidades restantes da região, somaram 24.945 unidades, queda de 11% em relação a 2012 (27.906 unidades).

As vendas na RMSP cresceram 14,7%, passando de 50.903 unidades em 2012 para 58.370 em 2013.