Veja o que fazer com seus investimentos nesse momento de crise

Analistas recomendam cautela para evitar decisões precipitadas

Quem está dentro não deve sair e quem está fora não deve entrar agora. Essa é a recomendação dos analistas para aqueles que têm – ou pretendem ter – dinheiro aplicado na Bolsa. “Esse é o momento de o investidor mostrar que tem sangue frio”, ressalta Rogério Perna, gerente da área de Gestão de Recursos de Terceiros da Nossa Caixa.

A rejeição do plano de socorro ao sistema financeiro pelo Congresso americano levou o Ibovespa a registrar nesta segunda-feira (29/9) seu pior desempenho desde janeiro de 1999, quando estourou a crise cambial que levou o país a abandonar o sistema de bandas. O indicador chegou a desabar quase 14%, obrigando a BM&FBovespa a colocar em operação o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações toda vez que o Ibovespa recua mais de 10% . No final do dia, o indicador contabilizava queda de 9,36%, voltando aos 46.028 pontos, patamar de um ano e meio atrás.

Apesar de não estarem descartadas novas perdas nos próximos dias, os analistas afirmam que a pior decisão que o investidor pode tomar nesse momento é resgatar suas aplicações por impulso. “Se ele fizer isso, estará realizando uma perda, que no longo prazo poderia ser minimizada ou até mesmo transformada em lucro. Sair da Bolsa agora só se houver a necessidade de utilização dos recursos”, diz Eduardo Jucevic, superintendente de Investimentos do Banco Real.

Neste mês, o Ibovespa já recuou quase 20%, tirando o sono de muitos pequenos investidores que viam na Bolsa o caminho para a realização de seus sonhos. Ações de gigantes como Vale do Rio Doce, Petrobras e siderúrgicas chegaram a cair mais de 50% desde o pico de alta da Bolsa, em maio deste ano. Os lucros fartos, proporcionados por cinco anos consecutivos de valorização das ações, e as expectativas de mais ganhos com a promoção do Brasil a grau de investimento levaram milhares de pessoas físicas ao mercado acionário, muitas vezes, sem a preparação necessária. “Quem não tem apetite a risco e não suporta perdas não pode ficar exposto à Bolsa”, diz André Simões, gestor de fundos da Modal Asset Management.

Por isso, os especialistas aconselham aos investidores manter a calma e aproveitar esse momento de crise para fazer uma auto-avaliação. “Quando está tudo bem e a Bolsa está em alta é difícil verificar qual a tolerância a risco. Agora, o investidor pode testar seus limites e repensar sua estratégia de investimentos”, diz Jucevic.

Nova estratégia

Depois de reavaliar seu perfil de investidor e seus objetivos, é o momento de colocar em prática uma nova estratégia para as próximas aplicações. Para aqueles que constataram que já ultrapassaram seus limites na Bolsa, a recomendação dos especialistas é aplicar em fundos DI e Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pós-fixados, que acompanham a evolução da taxa de juros.

Já quem tem perfil agressivo e perspectiva de longo prazo pode pensar em reforçar seus investimentos em ações. “Como é muito difícil saber qual o ponto mais baixo da Bolsa e quando as ações voltarão a subir, uma boa alternativa é ir comprando os papéis aos poucos”, diz Jucevic, ressaltando que a crise não durará para sempre e que uma hora a Bolsa vai se recuperar.

Na escolha dos papéis, Simões chama a atenção para ações de empresas de grande porte e que dependem pouco de empréstimos. “As elétricas são uma boa opção”, diz.

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