Tesouro Direto paga R$ 9 bilhões a investidores. Qual título comprar agora

Em tempos de Selic e inflação baixas, vale a pena reinvestir o valor recebido? Confira a avaliação de especialistas em investimentos

São Paulo – Nesta quarta-feira (15), 122 mil investidores devem receber 88 bilhões de reais por conta do vencimento de um título Tesouro IPCA+, antiga NTN-B. Do total, cerca de 9 bilhões de reais são para pessoas físicas. É o maior vencimento da história do Tesouro Nacional.

Com negociações iniciadas em 2013 e encerradas em 2017, o valor mínimo de investimento no título era 37 reais. Quem investiu o valor mínimo no início das emissões, vai resgatar nesta quarta-feira 64 reais. Já quem investiu 373 reais em 2013, resgatará 644 reais.

A rentabilidade bruta no período de 2013 a 2019 foi de 72,9%, enquanto a rentabilidade bruta ao ano foi de 9,03%, de acordo com simulação feita pela corretora Easynvest. O Tesouro IPCA+ paga juro real mais inflação, mantendo o poder de compra do investidor ao longo dos anos.

Investir em título público nada mais é do que emprestar dinheiro ao governo em troca de uma remuneração. Hoje, é possível investir a partir de 30 reais no Tesouro Direto, programa de compra e venda dos títulos da dívida pública pela internet.

Os títulos públicos vêm se tornando cada vez mais populares. Em abril, eles atingiram a marca de 1 milhão de investidores. Um dos motivos é que uma maior concorrência entre as corretoras vem tornando o investimento mais acessível.

Hoje, a maioria das instituições financeiras não cobra taxa de corretagem na aplicação, mas é preciso checar isso antes de investir. O Banco Central disponibiliza em seu site uma lista das taxas cobradas pelas corretoras para investir no Tesouro Direto.

Há quem até pague o primeiro investimento, um valor de 30 reais, para quebrar a insegurança do investidor em relação à aplicação. A campanha é realizada pela corretora Necton. Veja o passo a passo para investir no Tesouro Direto.

O que fazer agora

A popularidade do Tesouro pegou um período de inflação e Selic alta, que chegou a 14,25% no segundo semestre de 2015. Agora, em um ambiente de juros de 6,5% ao ano, menor nível histórico, e inflação estável, variáveis que têm impacto sobre a rentabilidade dos títulos, vale a pena reinvestir o valor resgatado hoje no Tesouro Direto?

Segundo Artur Schneider, responsável pela área de renda fixa da assessoria de investimentos Monte Bravo, sim. “Consideremos os títulos IPCA+ como uma boa opção para parte da carteira de investimentos. Acreditamos que os vencimentos em 2024 e 2026 são os que oferecem uma melhor relação risco-retorno. As taxas são apenas um pouco menores do que a de títulos com vencimentos maiores, que oferecem mais risco”.

Nas primeiras emissões, em 2013, o título IPCA+ que vence hoje pagava a inflação mais rendimento de 3% ao ano e a taxa Selic estava em 7,25% ao ano. Não é uma situação muito diferente de hoje, apesar de estar longe do pico de 2015, quando o título chegou a pagar inflação mais 8%. Atualmente, o título paga a inflação mais juros de 4,3% a 4,8%, de acordo com o vencimento.

O título IPCA+ oferece segurança para o investidor que carregá-lo até o vencimento. Caso tenha de revendê-lo antes no mercado, o detentor do título pode ter surpresas negativas, já que o preço pode oscilar.

A indicação é reforçada pela corretora Necton, cuja estratégia atual para investir em títulos públicos consiste em aplicar 75% do valor no Tesouro IPCA+, sendo 50% do total em títulos com vencimento em 2024 e 25% em títulos com vencimento em 2050.

Os outros 25% devem ser aplicados, segundo a corretora, em títulos Tesouro Selic, diretamente impactado pela taxa básica de juros. “Ele é indicado para uma reserva de curto prazo, já que não há expectativa de aumento dos juros ao menos até o final do ano”, diz Rafael Giovani, diretor da Necton.

É necessário lembrar que os títulos públicos oferecem rentabilidade maior do que a poupança, que hoje paga 70% da taxa Selic, em qualquer prazo, conforme mostra simulação.

Outras aplicações recomendadas por Schneider são debêntures incentivadas, cuja rentabilidade se assemelha ao dos títulos públicos atrelados à inflação e contam com isenção de Imposto de Renda. Nos títulos públicos, incide a tabela progressiva do IR.

É necessário, contudo, ressaltar que as debêntures não são tão seguras quanto os títulos públicos. “Portanto, quem não conhece o mercado deve buscar um profissional para orientá-lo na aplicação”.

Com a taxa de juros na mínima histórica, que pressiona a rentabilidade de investimentos de renda fixa, atrelados a ela, Schneider também recomenda a colocar parte do dinheiro em renda variável, no caso de investidores com perfil mais moderado.

“Recomendamos fundos de ações, ETFs e também montar uma carteira de ações por conta própria, com a ajuda de um profissional especializado. A palavra chave agora é diversificar”.