Selic sobe para 8%; veja como ficam poupança e renda fixa

Rentabilidade da poupança e da renda fixa aumentam com elevação da taxa básica de juros acima do esperado

São Paulo – O Banco Central elevou, nesta quarta, a taxa básica de juros (Selic) de 7,50% para 8,00% ao ano, melhorando a remuneração das aplicações de renda fixa atreladas aos juros, como a caderneta de poupança, os CDBs pós-fixados, fundos DI e Letras Financeiras do Tesouro, vendidas via Tesouro Direto.

O aumento de 0,50 ponto percentual foi um pouco superior à principal estimativa do mercado, que era de 0,25 ponto percentual, devido ao crescimento abaixo do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2013.

A elevação da Selic a 8,00% ao ano, contudo, ainda não foi suficiente para a poupança voltar à remuneração fixa de 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR). Essa forma de remuneração só volta a ser usada se a Selic ficar mais alta que 8,5%. Veja como fica a rentabilidade das aplicações de renda fixa a partir de agora:

Prazo de investimento Velha poupança* Nova Poupança* CDB 90% do CDI Fundo DI com taxa de 1,0% a.a. Tesouro Direto**
6 meses 3,04% 2,76% 2,73% 2,65% 2,92%
12 meses 6,17% 5,60% 5,74% 5,60% 6,14%
18 meses 9,39% 8,52% 9,04% 8,85% 9,68%
24 meses 12,72% 11,51% 12,26% 12,06% 13,16%
25 meses 13,28% 12,02% 13,20% 12,99% 14,16%

(*) A TR foi considerada zero, pois varia de acordo com a data de aniversário da aplicação e, atualmente, a taxa média mensal tem se aproximado de zero.
(**) Foi considerado o investimento por meio de corretoras que não cobram taxa de administração para aplicações no Tesouro Direto

As rentabilidades da tabela estão líquidas de Imposto de Renda, cobrado a todas as aplicações de renda fixa, com exceção da poupança. É por isso que a caderneta, mesmo sob as novas regras que a remuneram em 70% da Selic mais TR, chega a render mais que as demais aplicações nos prazos mais curtos, quando incide sobre os rendimentos da renda fixa uma alíquota de IR maior.

A poupança não tem custos nem sofre a incidência de IR. Mas, no momento, CDBs devem pagar mais de 90% do CDI para serem tão ou mais rentáveis que a poupança, em função do imposto de renda. Já os fundos DI precisam cobrar no máximo 0,7% ao ano para serem mais vantajosos que a poupança em qualquer prazo.

Pelo mesmo raciocínio, para que as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) sejam mais vantajosas que a poupança em qualquer prazo, é preciso que a corretora não cobre mais que 0,4% ao ano de taxa de administração. Algumas chegam a “cobrar” taxa zero.

Mas para quem está disposto a deixar o dinheiro aplicado por mais de um ano, a corretora pode cobrar uma taxa de até 0,3% ao ano que o Tesouro Direto mantém sua vantagem sobre a poupança. Isso porque o Tesouro Direto já tem um custo fixo, a taxa de custódia de 0,3% ao ano, cobrada pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).


Outros títulos do Tesouro Direto podem apanhar ainda mais

A perspectiva de alta de juros vem prejudicando a rentabilidade dos títulos do Tesouro Direto que se beneficiam da expectativa de queda na Selic. O aumento da pressão inflacionária se tornou uma ameaça para o ciclo de cortes nos juros iniciado em meados de 2011 e interrompido na última reunião do Copom, que reverteu essa tendência com o aumento da Selic de 7,25% para 7,50% ao ano.

Com essa alta acima do esperado pelo mercado, é possível que esses títulos apanhem ainda mais. Mesmo assim, a meta dos analistas ouvidos pelo Boletim Focus, do Banco Central, é de 8,25% até o final de 2013.

A maior parte dos títulos prefixados (LTNs e NTN-Fs) e dos títulos que tem parte da remuneração prefixada e a outra parte atrelada à inflação (NTN-Bs) acumulam quedas no ano. A NTN-B Principal com vencimento em 2035, por exemplo, teve queda de 7,31% em 2013. Já a NTN-F com vencimento em 2023 acumula uma queda de 3,26%. No ano passado, quando os juros ainda estavam em queda, a NTN-B com vencimento em 2050 chegou a valorizar 50%.

Isso não significa necessariamente que quem comprou esses títulos pelo Tesouro Direto vai perder dinheiro. A perda só ocorre se o investidor vender o título antes do vencimento em um momento de baixa. Caso carregue o título até o vencimento, o investidor vai receber exatamente a rentabilidade acordada no momento da compra.

*Matéria atualizada em 12/07/2013 às 19h46