Selic sobe para 7,5%; veja como ficam poupança e renda fixa

Com alta da taxa básica de juros, poupança, Tesouro Direto, CDBs e fundos DI passam a render um pouco mais

São Paulo – Conforme já esperava o mercado, o Banco Central elevou a taxa básica de juros nesta quarta-feira. A Selic passou de 7,25% para 7,50% ao ano, melhorando a remuneração das aplicações de renda fixa atreladas aos juros, como a caderneta de poupança, os CDBs pós-fixados, fundos DI e Letras Financeiras do Tesouro, vendidas via Tesouro Direto.

Veja como fica a rentabilidade dessas aplicações a partir de agora:

Prazo de investimento Velha poupança* Nova Poupança* CDB 90% do CDI Fundo DI com taxa de 1,0% a.a. Tesouro Direto**
6 meses 3,04% 2,59% 2,56% 2,47% 2,73%
12 meses 6,17% 5,25% 5,38% 5,20% 5,74%
18 meses 9,39% 7,98% 8,46% 8,21% 9,04%
24 meses 12,72% 10,78% 11,47% 11,17% 12,27%
25 meses 13,28% 11,25% 12,35% 12,03% 13,21%

(*) A TR foi considerada zero, pois varia de acordo com a data de aniversário da aplicação e, atualmente, a taxa média mensal tem se aproximado de zero.
(**) Foi considerado o investimento por meio de corretoras que não cobram taxa de administração para aplicações no Tesouro Direto.

As rentabilidades da tabela estão líquidas de Imposto de Renda, cobrado a todas as aplicações de renda fixa, com exceção da poupança. É por isso que a caderneta, mesmo sob as novas regras que a remuneram em 70% da Selic mais TR, chega a render mais que as demais aplicações nos prazos mais curtos, quando incide sobre os rendimentos da renda fixa uma alíquota de IR maior.

A poupança não tem custos nem sofre a incidência de IR. Mas, no momento, CDBs devem pagar mais de 90% do CDI para serem tão ou mais rentáveis que a poupança, em função do imposto de renda. Já os fundos DI precisam cobrar no máximo 0,6% ao ano para serem mais vantajosos que a poupança em qualquer prazo.

Pelo mesmo raciocínio, para que as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) sejam mais vantajosas que a poupança em qualquer prazo, é preciso que a corretora não cobre mais que 0,3% ao ano de taxa de administração. Algumas chegam a “cobrar” taxa zero. Mas para quem está disposto a deixar o dinheiro aplicado por mais de um ano, a corretora pode cobrar uma taxa de até 0,3% ao ano que o Tesouro Direto mantém sua vantagem sobre a poupança. Isso porque o Tesouro Direto já tem um custo fixo, a taxa de custódia de 0,3% ao ano, cobrada pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).


Outros títulos do Tesouro Direto vêm apanhando

A perspectiva de alta de juros vinha prejudicando a rentabilidade dos títulos do Tesouro Direto que se beneficiam da expectativa de queda na Selic. O aumento da pressão inflacionária se tornou uma ameaça para o ciclo de cortes nos juros iniciado em meados de 2011.

A maior parte dos títulos prefixados (LTNs e NTN-Fs) e dos títulos que tem parte da remuneração prefixada e a outra parte atrelada à inflação (NTN-Bs) acumulam quedas no ano. A NTN-B Principal com vencimento em 2035, por exemplo, teve queda de 6,25% em 2013. Já a LTN com vencimento em 2016 acumula uma queda mais modesta, de 0,09%. No ano passado, quando os juros ainda estavam em queda, a NTN-B com vencimento em 2050 chegou a valorizar 50%.

Isso não significa necessariamente que quem comprou esses títulos pelo Tesouro Direto vai perder dinheiro. A perda só ocorre se o investidor vender o título antes do vencimento em um momento de baixa. Caso carregue o título até o vencimento, o investidor vai receber exatamente a rentabilidade acordada no momento da compra. 

*Matéria atualizada em 12/07/2013 às 19h49.