Selic sobe a 10,75%; veja como ficam poupança e renda fixa

Alta da taxa básica de juros fica dentro do esperado e faz aplicações de renda fixa ganharem vantagem sobre a poupança

São Paulo – O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou a taxa Selic para 10,75% nesta quarta-feira, aumentando a rentabilidade das aplicações de renda fixa atreladas a ela. É o caso dos CDBs pós-fixados, sos fundos DI e sas Letras Financeiras do Tesouro (LFT), títulos públicos negociados via Tesouro Direto.

O rendimento da poupança continua inalterado, já que quando a taxa é maior ou igual a 8,50% ao ano, a poupança paga sempre 0,50% ao mês mais Taxa Referencial (TR), a mesma remuneração atribuída aos depósitos feitos até 4 de maio de 2012, que seguem a regra antiga.

A alta da Selic correspondeu às expectativas dos analistas consultados pela pesquisa Focus do Banco Central, que projetavam uma elevação de 0,25 ponto percentual para a Selic nesta reunião do Copom

Veja as rentabilidades das aplicações de renda fixa pós-fixadas (atreladas à Selic) com a Selic aos 10,75%:

Período Velha Poupança* Nova Poupança* CDB 90% do CDI Fundo DI com taxa de 1,0% a.a. Tesouro Direto
6 meses 3,35% 3,35% 3,65% 3,67% 3,94%
12 meses 6,80% 6,80% 7,70% 7,80% 8,34%
18 meses 10,38% 10,38% 12,20% 12,41% 13,23%
24 meses 14,07% 14,07% 16,65% 17,02% 18,09%
25 meses 14,70% 14,70% 17,94% 18,36% 19,50%

(*) Foi considerada uma TR de 0,05% ao mês, que é a TR acumulada nos últimos 30 dias, segundo cálculo feito na ferramenta Calculadora do Cidadão do Banco Central. Mesmo assim, como a TR varia diariamente, ela pode ser diferente para cada poupador, pois vale a TR da data de aniversário da poupança.

(**) Foi considerado o investimento por meio de corretoras que não cobram taxa de administração para aplicações no Tesouro Direto.

As rentabilidades estão líquidas de Imposto de Renda (IR), que é cobrado em todas as aplicações de renda fixa mostradas na tabela, à exceção da poupança. Foi considerada uma taxa de CDI equivalente à taxa Selic, uma vez que as duas taxas costumam ficar próximas.

As simulações mostram que, mesmo em um prazo de até seis meses, quando a alíquota de IR é a mais alta (22,50%), todas as aplicações relacionadas na tabela têm rendimento superior ao da poupança.

Isso ocorre porque, enquanto o rendimento da poupança não muda depois que a Selic atinge os 8,50% ao ano, as outras aplicações acompanham as variações da Selic em qualquer patamar que ela estiver.

No entanto, vale frisar que o CDI costuma ficar um pouco abaixo da Selic. Por exemplo, nos últimos 12 meses, o CDI acumulado foi de 8,61%, enquanto que a Selic acumulada do mesmo período foi de 8,76%.

Isso significa que CDBs e fundos DI que acompanham de perto o CDI possivelmente terão uma rentabilidade um pouco menor do que aquela mostrada na tabela. O parâmetro para as LFTs, no entanto, é a Selic mesmo.


Condições para a rentabilidade bater a da poupança

Para serem mais rentáveis que a poupança em qualquer prazo, os CDBs devem pagar pelo menos 83% do CDI. Se os bancos oferecerem remunerações menores do que essa, já compensa mais investir na caderneta.

Já os fundos DI só deixam de ser mais vantajosos do que a poupança se tiverem taxa de administração igual ou superior a 1,80% ao ano. Isso considerando um fundo que renda 100% do CDI.

E para que as LFTs sejam mais vantajosas do que a poupança em qualquer prazo, a taxa de administração não pode ser maior que 1,40% ao ano. Algumas corretoras, inclusive, chegam a isentar o investidor dessa taxa (veja o ranking das taxas cobradas por cada corretora). 

Já se o investimento for feito em um período maior do que um ano, quando o IR vai para 17,50%, mesmo com uma taxa de até 2,00% ao ano – taxa máxima cobrada pelas corretoras para negociação via Tesouro Direto – a LFT vai superar a poupança.

Vale lembrar que o Tesouro Direto já tem um custo fixo, a taxa de custódia de 0,30% ao ano, que é cobrada pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Atualmente, nenhuma corretora cobra mais que 2,00% ao ano de taxa de administração pelo Tesouro Direto.

Vídeo: Por que você deve prestar mais atenção aos CDBs?