Quanto rendem R$ 5 mil com a Selic em 6,75% ao ano

Patamar mais baixo da Selic reduz o retorno de investimentos de renda fixa. Veja simulação

São Paulo – O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu, nesta quarta-feira (6), cortar a taxa básica de juros da economia de 7% para 6,75% ao ano —o menor patamar histórico.

A redução da Selic não surpreendeu o mercado, que já esperava pelo corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na reunião deste mês, segundo as projeções do Boletim Focus do Banco Central. Foi o décimo primeiro corte consecutivo na Selic.

Além da queda na remuneração da poupança, o patamar mais baixo da Selic também reduz o retorno de outros investimentos de renda fixa, diminuindo a diferença de rentabilidade entre a caderneta e as demais aplicações —em alguns casos, a poupança pode até render mais, dependendo do prazo.

Vão render menos os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) com taxas pós-fixadas, os fundos DI (que têm nova nomenclatura; veja detalhes abaixo) e o Tesouro Selic, título público negociado pelo Tesouro Direto que paga ao investidor a variação da taxa básica.

Essas três opções têm seu rendimento atrelado à taxa Selic ou à taxa DI (CDI), que é bem próxima ao patamar do juro básico.

Veja abaixo quanto seria o valor final da aplicação de 5 mil reais na poupança, no CDB, no fundo DI e no Tesouro Selic em diferentes prazos. Os cálculos foram feitos por Leandro Florenzo, pesquisador do Laboratório de Finanças do Insper.

Período Poupança* CDB 90% do CDI** Fundo DI com taxa de 1% ao ano** Tesouro Selic***
6 meses R$ 5.116,76 R$ 5.114,47 R$ 5.108,11 R$ 5.117,77
12 meses R$ 5.236,25 R$ 5.239,04 R$ 5.225,60 R$ 5.246,00
18 meses R$ 5.358,53 R$ 5.374,29 R$ 5.353,00 R$ 5.385,32
24 meses R$ 5.483,66 R$ 5.520,86 R$ 5.490,89 R$ 5.536,41
30 meses R$ 5.611,72 R$ 5.659,34 R$ 5.620,97 R$ 5.679,28

* A TR considerada foi zero. Não há desconto de Imposto de Renda nesta aplicação.
** Taxa DI considerada foi de 6,64% ao ano. 
*** Houve desconto de uma taxa de 0,5% (CBLC + corretagem)

Os valores já descontam o Imposto de Renda, que é cobrado em todas as aplicações, exceto na poupança, que é isenta. De acordo com a tabela regressiva do IR, para resgates em até 180 dias a alíquota é de 22,5%; de 181 dias a 360 dias o imposto cai para 20%; de 361 dias a 720 dias vai para 17,5%; e acima de 721 dias é aplicada a menor alíquota, de 15%.

Apesar de a poupança ser livre de Imposto de Renda, as simulações feitas acima mostram que as rentabilidades do CDB, fundo DI e Tesouro Selic são maiores do que a da poupança nos prazos mais longos.

As simulações consideram taxas de administração e de remuneração normalmente praticadas no mercado.

É importante lembrar que, com a mudança nas regras de classificação dos fundos promovida pela Anbima (associação de entidades de mercado) em 2015, os fundos DI deixaram de ter uma denominação própria. Com isso, eles foram incorporados à classe de fundos de renda fixa.

As próprias gestoras puderam determinar para qual subcategoria os fundos DI iriam —a maioria foi para “Fundos de Renda Fixa Duração Baixa Soberano” ou “Fundo de Renda Fixa Duração Baixa Grau de Investimento”.

De todo modo, como os fundos que acompanham os juros continuam a ser chamados de fundos DI no mercado, o levantamento também manteve a nomenclatura. É preciso que o investidor consulte a estratégia de cada produto para checar se, de fato, trata-se de um fundo que acompanha a flutuação do CDI.

Quanto ao Tesouro Selic, deve-se considerar que, ao comprar qualquer título público, o investidor paga uma taxa de custódia de 0,3% ao ano para a B3, não importa a corretora escolhida.

Ele também pode ter que pagar um valor de corretagem, de até 2% ao ano, conforme a instituição. Algumas delas não cobram essa taxa. Veja no site do Tesouro Direto as alíquotas cobradas por cada corretora.

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Comentários

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  1. Atelier Gisleide Novelo

    Ainda temos muito que reduzir os juros em nosso país para temos um economia realmente forte onde se pague menos impostos,pois estes não são revertidos para a sua população .
    https://www.gisleidenovelo.com

  2. Luciano Leite Galvão

    Se a política de controle de inflação seguir e o real manter um padrão forte diante do dólar sem ter muita desvalorização acho que as coisas melhoram nos juros. Porém o meu ver a inflação pode empurrar os juros para cima. E não é uma inflação injusta, porque o governo precisa melhorar a logistica, parque tecnológico brasileiro e oferta de energia mais barata e abundante. Sem essas 3 coisas sempre vai existir o ensejo para inflacionar preços e manter as margens de lucro no padrão desejado para um líquido positivo mais certeiro. No meu ver os juros deveriam andar entre 1% e 3%, mas com problemas grosseiros de coisas que são fatores que afetam diretamente o custo das coisas vai ser difícil. Peguem no google pesquisas sobre logistica. Vão achar ai: Brasil gasta 145,00 reais por tonelada com 3 mil Km de pista rodoviária rodada, já os EUA gastam 33 dólares por tonelada para transportar cargas com a mesma distância por ferrovias. Custo ou destrói ou constrói o mau da inflação.