Quanto custa comprar e manter um barco

Veja todos os gastos envolvidos na manutenção e compra de um barco e veja se você tem condições financeiras para arcar com os custos desse bem

*Texto atualizado às 14h33 do dia 31/01/2013. 

São Paulo – Diz o ditado popular que um barco traz duas alegrias ao dono: uma na hora da compra e outra na hora da venda. Mas, sabendo quais são os valores de um barco e os custos para mantê-lo, é possível fazer uma compra mais consciente e evitar arrependimentos. 

Os gastos para manter um barco costumam variar entre 8% e 15% do seu valor por ano, segundo o diretor do Boat Show, Márcio Dottori. E os limites de gasto tanto para aquisição quanto para manter o barco são tão vastos quanto o meio em que eles navegam.

Veja a seguir todos os custos que o proprietário de um barco deve estar preparado para arcar.

Custo de aquisição: pode ser menor do que o valor de um carro popular ou bater a casa dos milhões

O custo de aquisição de uma embarcação é tão variável quanto os preços de carros. Segundo Dottori, os barcos mais comuns para lazer são as lanchas de 20 a 23 pés, que também estão entre os mais econômicos. O pé é a medida mais usada para embarcações e equivale a cerca de 30 centímetros.

“Uma lancha de 19,5 pés, ou 20 pés pode custar cerca de 40.000 a 45.000 reais”, afirma o diretor da Boat Show, que acrescenta que é possível encontrar lanchas com cerca de 23 pés por 70.000 reais. Segundo os estaleiros Coral e Fibrafort, para um barco de 20 pés os motores costumam partir de 90 HP. E os barcos de 23 pés têm uma motorização que normalmente se inicia em 120 HPs. 

Fernando Previdi, autor do blog “Avante – da terra para o mar” e proprietário de barcos desde 2007 está planejando morar em um barco, por isso tem se aprofundado muito no assunto. Ele afirma que um bom barco, de 25 pés, com uma cabine e banheiro, custa cerca de 100.000 reais. 

Os valores crescem de acordo com a motorização, o tamanho e o luxo do barco, e podem chegar à casa dos milhões de reais. Mas, também é possível encontrar valores compatíveis com o de carros populares (de 20.000 a 30.000 reais) e até mais baixos, sobretudo se o barco for usado.

O presidente da Associação Brasileira de Construtores de Barcos e Seus Implementos (Acobar), Eduardo Colunna, afirma que um iate de 43 pés, com dois quartos, banheiro, cozinha e alguns equipamentos, como fogão, geladeira e televisão, que tenha motor de 320 HP (que alcança cerca de 65 km/h para um barco desse porte) custa a partir de 500.000 reais. E para esse porte de barco, normalmente são necessários dois motores. 

Cuidados na compra

Antes de comprar um barco, é essencial que o comprador visite o estaleiro. “Ainda há muitos casos de pessoas que compram e não recebem o barco, ou que recebem com muito atraso. As empresas têm lojas maravilhosas, mas em alguns casos, ao visitar o estaleiro, você descobre que se trata de uma empresa de fundo de quintal”, diz Fernando Previdi. 

Para evitar problemas, além de visitar o estaleiro, o consumidor pode acessar fóruns na internet, participar de eventos e pedir informações a proprietários de barcos. Também existem assessorias náuticas, que buscam as melhores embarcações de acordo com o perfil do cliente e prestam assessoria jurídica na compra. O assessor náutico Norberto Mühle, da Trovão Assessoria Náutica, por exemplo, cobra até 6% do valor da embarcação pela assessoria, sendo que o serviço pode até sair de graça se a compra for feita em uma loja conveniada.


Custo da marina: para um barco de 23 pés, custo médio é de 690 reais, mas custos podem partir de 460 reais por mês

Se o barco for muito grande para ser guardado em casa, o comprador deve incluir no orçamento o custo da marina, que é pago pela vaga do barco (que pode ser coberta ou descoberta) e pelos serviços para ligar o motor semanalmente, retirar e colocar o barco na água e limpeza do barco, o que em alguns casos é cobrado à parte.

Os custos são proporcionais ao tamanho da embarcação. Segundo o diretor do Boat Show, paga-se em média 30 ou 35 reais por pé mensalmente. Para dar um exemplo, em uma marina que cobra 30 reais por pé, para um barco médio de 23 pés, o custo mensal é de 690 reais. 

Lembrando que os custos podem ser muito variáveis, já que existem marinas mais caras, como a dos iates clubes, que além do custo da marina também cobram a compra do título para a associação ao clube e uma mensalidade. Ou ainda custos menores, como em algumas marinas de São Vicente, que cobram cerca de 20 reais por pé, o que daria 460 reais por mês, se considerado um barco de 23 pés. 

E nos casos em que a limpeza não é incluída no custo da marina, segundo Fernando Previdi, é possível encontrar alguém que faça o serviço por cerca de 200 a 500 reais por mês. 

Manutenção preventiva: 1.000 a 2.500 reais para manutenção do motor e 1.000 a 2.500 reais para manutenção geral 

O motor é a peça que exige mais cuidados, Sua manutenção pode incluir a troca de correia, de óleo, de filtros e da hélice. Esses gastos podem variar de 1.000 a 2.500 reais por ano para um barco entre 20 e 30 pés com apenas um motor. Mas, se o uso for mais severo e se houver mais de um motor (mais comum entre barcos grandes) os valores podem aumentar bastante.

Previdi também recomenda que se computem alguns gastos eventuais com manutenção da parte elétrica e mecânica do barco, como a revisão das fibras do barco – que seriam o correspondente à funilaria do carro -, estofamentos internos, GPS, entre outros itens. “O mar agride muito o barco, então é interessante ter uma previsão de 1.000 a 2.500 reais por ano, o mesmo valor gasto com o motor, para gastar com esses outros itens”, diz.

Combustível – 7.000 reais para um barco pequeno e 21.000 reais para um barco grande

Pela falta de pesquisas sobre o mercado náutico não é possível dar uma média dos preços se não pelos relatos de quem lida com esse tipo de gasto frequentemente. Dottori afirma que os gastos entre as lanchas mais populares, que têm entre 20 e 23 pés, é de 20 litros por hora.

Para fazer uma simulação do gasto anual, vamos considerar que o uso médio do barco por ano seja de 100 horas, uma média citada por vários especialistas no assunto. E que a gasolina custe 3,50 reais por litro, valor que tem sido praticado em postos de marinas, segundo Previdi e Dottori. Para essas lanchas mais econômicas, portanto, gastam-se por ano 7.000 reais de combustível.

Previdi afirma que uma lancha de 25 pés, por exemplo, pode consumir cerca de 35 litros por hora. No caso dele, considerando que o valor da gasolina seja de 3,50 reais por litro, são gastos 12.250 reais anualmente. “O maior custo de uso do barco é com combustível. É possível gastar muito menos do que eu gasto e existem lanchas e iates muito maiores e com motores mais potentes que gastam muito mais”, completa Previdi.

Em muitos casos a gasolina sai mais cara para barcos do que para carros. Segundo Norberto Mühle, isso ocorre porque os postos que ficam nas marinas elevam os preços por serem as únicas opções no local. “Algumas marinas não têm postos e os proprietários acabam transportando gasolina de postos comuns até o barco, o que é proibido por lei, mas que infelizmente ocorre pela falta de estrutura náutica”, diz. 


O presidente da Acobar também afirma que barcos maiores que 28 pés, também costumam ter motores movidos a diesel. Se o motor for de 320 HP, o consumo de diesel pode ser próximo de 30 litros por hora. “Se o mesmo motor fosse movido a gasolina, o consumo seria quase o dobro, mas motor a diesel custa 50% a mais do que o motor da gasolina”, diz.

Considerando que o diesel custe hoje cerca de 2,50 reais, segundo Colunna, para um uso de 100 horas, pode-se dizer que seriam gastos 7.500 reais por ano para um barco grande a diesel. E segundo ele, para o mesmo porte de barco, se o motor fosse movido a gasolina, o consumo poderia chegar a 60 litros por hora. Para um uso de 100 horas por anos, com a gasolina a 3,50 reais por litro, seriam 21.000 reais por ano. 

Habilitação

Para pilotar uma embarcação, é preciso realizar um exame de habilitação e, em alguns casos, comprovar um número mínimo de horas navegadas. Existem cinco níveis de habilitação, sendo o mais comum o de arrais amador, que permite conduzir qualquer embarcação dentro dos limites da Capitania de Portos do respectivo estado.

A taxa para inscrição no exame de habilitação é de 40 reais e a Capitania de Portos é quem aplica o teste. “Os testes são teóricos, seja qual for o nível. Essa é uma crítica no meio náutico, porque é como se um motorista tirasse a carta sem nunca ter dirigido um carro”, afirma Mühle. 

A critério do Capitão dos Portos, podem ser exigidos exames em clubes náuticos e marinas para que o piloto tenha as horas de navegação. Por isso, também é preciso adicionar o custo do curso, que para arrais amador pode variar entre 300 e 800 reais, segundo o presidente da Acobar. 

Documentação

Os proprietários de embarcações devem fazer a inscrição do barco, quando novo, ou a transferência, se usado. Para isso, é cobrada uma taxa de 30 reais. E além dessa inscrição, que tem o efeito de registrar junto à Capitania dos Portos a nova posse de um barco, o proprietário também deve pagar 30 reais pela emissão do Título de Inscrição, que seria o correspondente à CRLV (certificado de registro dos carros). 

E se o barco for zero quilômetro, há ainda o Documento Provisório de Propriedade, que fica com o proprietário temporariamente, até que seja emitido o Título de Inscrição. Para emissão desse documento, paga-se uma taxa de 80 reais. 

Seguro

As seguradoras costumam cobrar entre 0,5% e 1% do valor do barco pelo seguro, segundo Fábio Avellar, sócio-diretor da Brancante Seguros, corretora especializada em seguros para barcos. Sendo que o percentual pode ser mais elevado para barcos com mais de 20 anos.

Ele explica que o seguro cobre o valor integral do barco em casos de sinistros. “É feita uma vistoria por engenheiros navais e assim define-se o valor do barco e da cobertura”. A vistoria é realizada pela falta de uma base de dados com valores de mercado dos barcos, como ocorre com os seguros de carros, cujos preços são baseados na tabela Fipe. 

Em caso de outros incidentes que prejudiquem a estrutura do barco, desde que causados por fatores externos, a manutenção corretiva também é coberta pela seguradora. “E é possível incluir cláusulas extras de proteção, como para cobertura sobre roubos de equipamentos”, diz Avellar.

Vale ressaltar que os seguros de barcos, diferentemente de carros, não possuem benefícios extras, como assistência durante a navegação. Se algum incidente ocorrer, por exemplo, não é a seguradora quem guincha o barco, mas ela cobrirá os eventuais gastos decorrentes do serviço. 

Gastos adicionais: 20% a 50% do valor do barco

“O barco é como uma casa, é possível montar um apartamento básico ou sofisticado”, afirma o presidente da Acobar. 

Alguns dos acessórios que podem ser colocados em barcos são: ar-condicionado, fogão, micro-ondas, aquecedor para chuveiro, gerador elétrico, televisão. “Costuma-se gastar com equipamentos em média de 20% a 50% do valor do barco”, afirma Mühle. 

Fernando Previdi também lembra que podem existir gastos esporádicos com bebidas e comidas, por exemplo, ou com taxas de pernoites em marinas, se o barco for usado para viajar. “Em Ilhabela, por exemplo, o custo de pernoite do barco gira em torno de 100 reais”, diz.