Presidente da B3 quer mais pessoas físicas investindo na bolsa

Para isso, Gilson Finkelsztain pretende trabalhar junto às corretoras e distribuidoras para "dar o incentivo correto” a essas pessoas

O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, pretende trabalhar junto às corretoras e distribuidoras para aumentar a participação de pessoas físicas na bolsa.

“O modelo de distribuição de investimentos está mudando, como mostra o crescimento de modelos como a da XP (XP Investimentos, hoje líder de mercado), e vamos trabalhar junto às corretoras para dar o incentivo correto para a pessoa física”.

Segundo ele, esse movimento já vem crescendo nos últimos meses com o aumento das ofertas públicas e a queda dos juros.

Finkelsztain não fala em rever tarifas da B3, como a de custódia, mas diz que pode trabalhar junto com as corretoras para eventualmente dar incentivos para aumentar a participação de pessoas físicas.

“Talvez façamos algo na área de educação financeira ou algum serviço que as corretoras precisem, como integração de informações de ações e renda fixa, e ampliar o mercado secundário de renda fixa privada, que é pouco profundo no Brasil”, diz.

Com a queda dos juros, espera o executivo, a pessoa física tende a migrar de fundos mais conservadores, como renda fixa ou DI ou Tesouro Direto para debêntures, crédito de empresas e ações.

Segundo ele, quando o investidor vir que o rendimento não é mais de 1% ao mês, começará a procurar alternativas.

“Com juros de 7%, 8% ao ano, o investidor vai receber líquidos 6%, 5% até, e aí vai buscar opções”, diz.

“O momento é propício para essa migração, nos últimos 10 anos, não houve um cenário tão bom, com inflação sob controle e juro baixo que pode se manter por mais tempo e não pareça que vá ser revertida”, afirma.

“Devemos viver esse período positivo por um a três anos”, afirma, destacando que há a questão da eleição presidencial.

“Mas o povo brasileiro é conservador e a tendência é que seja escolhido um candidato de centro, nem radical de esquerda, nem de direita, que vai levar as reformas estruturais adiante”, disse.

Sobre o Índice Bovespa atingir 71 mil pontos, Finkelsztain não arrisca dizer que ele está caro. Mas observa que há o risco do mercado internacional.

“Houve uma melhora institucional no Brasil, mas há também uma liquidez internacional elevada que favorece o mercado”, diz. No caso de uma mudança de fluxo para os emergentes, esse cenário pode mudar.

O mesmo vale para as aberturas de capital ou IPO na sigla em inglês. “Já tivemos sete ofertas públicas de ações este ano, que arrecadaram R$ 24 bilhões,  e teremos mais 10 pelo menos, neste ano ou no próximo”, afirma.

“Há uma janela de oportunidade nos próximos meses beneficiada pela liquidez internacional e muitas empresas vão aproveitar”, explica.

Sobre a reforma da Previdência, Finkelsztain acredita que o mercado conta com a aprovação da idade mínima, pelo menos.

“Se ela não passar, o mercado vai sentir, vai haver frustração, mas a agenda não acabará e deve ganhar força em um novo governo”, explica. Mas esse pode ser um risco para algumas ofertas de ações.

Este conteúdo foi publicado originalmente no site da Arena do Pavini.