Preço do aluguel tem queda real de 0,68% no 1º semestre

O Índice FipeZap de Locação subiu 1,93% na primeira metade do ano, abaixo da inflação. Locatários têm poder para barganhar o reajuste do aluguel

São Paulo – O preço do aluguel de imóveis se manteve praticamente estável na primeira metade do ano. O Índice FipeZap de Locação, que acompanha o preço médio de imóveis anunciados para alugar em 15 cidades brasileiras, sofreu uma queda real de 0,68% no primeiro semestre.

A queda real é registrada quando o valor de um determinado bem sobe menos que a inflação, medida pelo IPCA. Nos primeiros seis meses de 2018, o preço médio do aluguel subiu 1,93%. enquanto a inflação foi de 2,60%.

Vale destacar que a variação real não é obtida com uma simples subtração. Para realizar o cálculo, é preciso dividir a oscilação dos preços pela variação da inflação.

Entre as cidades monitoradas, apenas três registraram recuo no preço médio do aluguel na primeira metade do ano: Niterói (-1,41%), Rio de Janeiro (-0,48%) e São Bernardo do Campo (-0,23%).

Locatário pode barganhar reajuste

Em junho, o preço do aluguel subiu 0,03%, enquanto a inflação foi de 1,26% no mesmo período. A tendência é que o preço do aluguel siga subindo abaixo da inflação até o fim do ano, segundo o economista da Fipe Bruno Oliva, pesquisador do Índice FipeZap.

Nos últimos 12 meses, o preço do aluguel subiu 0,75%, enquanto a inflação medida pelo IPCA foi de 4,39%. Já a inflação medida pelo IGP-M, índice tradicionalmente usado para reajustar os aluguéis, foi ainda maior: de 6,94% no período.

“O IGP-M é descolado da realidade do mercado imobiliário, por isso, o locatário tem poder de barganha para negociar que o aluguel não seja reajustado pelo IGP-M. O proprietário que perder o locatário não vai conseguir outro que aceite pagar quase 7% mais caro”, explica Oliva.

Preço médio em cada cidade

O valor médio do aluguel de imóveis nas cidades monitoradas pelo Índice FipeZap em junho foi de 28,51 reais por metro quadrado. São Paulo se manteve como a cidade com o maior valor médio por metro quadrado do país, de 36,74 reais. Já a cidade com o valor do aluguel mais barato por metro quadrado, de 16,10 reais, foi Goiânia.

A seguir, confira o preço médio do metro quadrado anunciado para locação e a variação dos preços nas 15 cidades pesquisadas pelo Índice FipeZap. Nas cidades em que o preço está caindo, o poder do locatário para negociar preço é maior.

Cidade Preço médio do metro quadrado em maio Variação do preço em junho Variação do preço em 2018 Variação do preço nos últimos 12 meses
São Paulo R$ 36,74 0,28% 3,11% 2,91%
Rio de Janeiro R$ 31,03 -0,66% -0,22% -6,14%
Distrito Federal R$ 29,74 0,42% 4,66% 5,04%
Santos R$ 29,20 0,01% 1,72% 1,36%
Recife R$ 25,27 0,72% 4,08% 7,29%
Florianópolis R$ 22,65 -0,54% 1,40% 1,21%
Porto Alegre R$ 21,26 0,37% 1,09% -0,29%
Campinas R$ 20,86 -0,25% 1,45% 0,10%
Niterói R$ 20,47 -0,24% -1,41% -6,71%
Belo Horizonte R$ 20,25 0,39% 1,97% 2,52%
Salvador R$ 20,18 -0,63% 2,73% 4,35%
São Bernardo do Campo R$ 18,73 0,44% -0,23% 0,09%
Curitiba R$ 17,29 0,95% 1,12% 4,20%
Fortaleza R$ 16,17 -0,54% 0,12% -1,15%
Goiânia R$ 16,10 -0,30% 5,43% 5,98%

Retorno do investimento em imóveis

Em junho, o retorno médio para investidores que optaram por alugar seu imóvel foi de 4,40% ao ano. A taxa avalia o retorno médio que um proprietário teria em 12 meses com a locação do imóvel, sem considerar possível ganhos com valorização ou desvalorização decorrente do aumento ou da queda no preço dos imóveis no período.

A rentabilidade do aluguel é calculada por meio da divisão entre o preço médio de locação mensal e o preço médio de venda mensal. A taxa ao ano é obtida multiplicando-se o resultado por 12.

O retorno do aluguel de imóveis ficou abaixo da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 6,50% ao ano. A taxa está no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986.

Ou seja, há outras opções de investimentos de renda fixa mais atraentes do que o aluguel de imóveis. Os fundos imobiliários também são alternativas para quem gosta de investir em imóveis, mas busca retornos maiores. Veja dicas para investir.