Perdi o emprego, não paguei a fatura e já devo R$ 8 mil. O que faço?

Economista responde dúvida de leitor sobre dívidas pessoais. Envie você também sua pergunta

Dúvida do leitor: Não consegui pagar a fatura do cartão de crédito e, depois de um mês de atraso, o banco dividiu o valor automaticamente em 12 parcelas de 687,32; quase dobrou o valor. Fiquei desempregada e não consegui pagar as parcelas. Esse mês vence a quarta fatura que eu deveria ter pago. Olhei meu extrato e eles debitaram o valor na minha conta corrente, sendo que não tenho saldo nenhum. Estou vivendo da ajuda da família e a dívida agora já está em quase 8 mil reais, sendo que parcelei um valor de 5.860,57 reais, que já era absurdo. Estou desesperada e não sei o que fazer.

Resposta de Marcela Kawauti*

Nunca é fácil se ajustar a um evento que implique em queda brusca na renda da família, como o desemprego. O primeiro e mais importante passo a ser tomado é colocar todas as despesas correntes no papel, separando o que é essencial daqueles gastos que podem ser cortados ou reduzidos.

Nesse momento, e principalmente diante da sua situação, corte tudo que não for essencial. Com isso, você terá uma ideia de quanto você precisa por mês para se sustentar diante do seu novo padrão de vida.

Em seguida, olhe para suas dívidas. Vá até o banco, explique sua situação e veja se consegue renegociar sua pendência. Antes disso, é importante saber exatamente quanto você consegue pagar para o banco.

Você disse que não tem mais nenhuma renda e está contando com ajuda financeira da família, mas talvez possa vender algum bem, como um automóvel, computador ou televisão, por exemplo, e usar o valor para quitar sua dívida. Se ela for paga à vista, é possível que consiga um desconto significativo.

Se isso não for possível, a segunda opção seria tentar uma troca de dívida. Nesse caso, talvez uma saída seja apelar para amigos ou familiares mais uma vez, e pedir ajuda para quitar sua dívida com o banco.

O problema de dever para o banco nas modalidades que você deve atualmente é que as taxas de juros são muito elevadas, o que faz com que o valor devido cresça rapidamente. No caso do cartão, o parcelamento da fatura, assim como o pagamento do valor mínimo, implica no pagamento de taxas altas e deve ser evitado sempre que possível.

Para utilizar o cartão de crédito de forma saudável, é essencial saber que ele não representa uma extensão da sua renda mensal, e os gastos feitos a cada mês devem caber dentro do seu orçamento – caso contrário, você estará vivendo fora do seu padrão de vida, gastando mais do que ganha e, em algum momento, a situação pode sair do controle.

Se não conseguir ajuda de conhecidos, há ainda a opção de trocar um empréstimo mais caro por um mais barato. Por exemplo, você tem uma dívida no cartão de crédito parcelado e outra no cheque especial, que possuem juros médios de 174% ao ano no caso do cartão, e de 320% no caso do cheque especial.

Se você tomar um novo empréstimo, por exemplo no crédito pessoal, os juros serão de cerca de 23% ao ano, e você pode pagar as dívidas anteriores, ficando com uma dívida nova, só que mais barata. Mas fique atenta: se você precisar se endividar novamente, é essencial buscar as menores taxas de juros, geralmente ligadas ao empréstimo consignado e pessoal.

Por fim, assim que você se recolocar profissionalmente, priorize a formação de uma reserva para imprevistos. O ideal é que se tenha o equivalente a 6 meses dos seus gastos mensais alocados nesse tipo de reserva. É ela que vai te resguardar em situações de imprevistos como o desemprego, evitando que sua situação financeira fuja do controle.

Marcela Kawauti é economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e colabora com o portal Meu Bolso Feliz 

O SPC Brasil conta com novo aplicativo gratuito para smartphones, o “SPC Consumidor”. A ferramenta, disponível nas plataformas Google Play e Apple Store, oferece consulta de CPF, dicas de bem-estar financeiro e outros serviços.

Envie suas sobre dívidas, empréstimos e financiamentos para seudinheiro_exame@abril.com.br.

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