Para a aposentadoria, invisto em ações ou fundos de ações?

Internauta planeja aposentadoria por meio de investimento em fundos de ações e multimercados, mas questiona se aplicar diretamente não seria melhor

Dúvida do internauta: Tenho 43 anos e 1,6 milhão de reais aplicados da seguinte forma, para a minha aposentadoria: 55% em fundos de ações e 45% em fundos multimercados. Aplico em bancos de investimentos, e não em bancos de varejo, e geralmente tenho uma performance acima do mercado. Gostaria de saber se vale mais a pena aplicar diretamente em ações em vez de fundos de ações, pensando mais nos dividendos proporcionados, vantagens tributárias e redução de custos, uma vez que não há taxa de administração.

Resposta de Annalisa Blando Dal Zotto*:

Em primeiro lugar gostaria de lhe dar meus parabéns. Você demonstra ter mais conhecimento sobre investimentos do que a maioria dos brasileiros!

Imagino que pela sua idade você ainda vai trabalhar por muitos anos e, portanto, o objetivo de sua carteira de investimentos financeiros é de ganho de capital, ou seja, acúmulo de patrimônio.

Diante disso, acredito que investir em empresas boas pagadoras de dividendos não seja uma estratégia adequada ao seu momento de vida atual, já que empresas que pagam bons dividendos são companhias maduras, que não tem muito como crescer e se valorizar e, por isso, não precisam mais reter lucros para reinvestimentos. Este tipo de estratégia é ideal para quem busca ter renda na época de usufruir do patrimônio acumulado.

Operar ações por conta própria exige muita dedicação para acompanhar as empresas que compõem sua carteira e o setor onde estão inseridas, sem falar em cenário macroeconômico e outras tantas variáveis.

Investir em fundos de ações tem vantagens e desvantagens tributárias. A desvantagem é que, ao receber dividendos (que para pessoas físicas é isento de imposto a pagar), eles geralmente se incorporam às cotas dos fundos, valorizando-as e com gerando imposto de renda a pagar sobre eles também. Por outro lado, existe a vantagem do diferimento tributário, já que os fundos operam livremente e o pagamento do IR se dá apenas no resgate das cotas, ao contrário da carteira própria, em que se paga o tributo após a venda de cada ação. Sem falar ainda no trabalho de se fazer o carnê-leão para calcular os impostos devidos.


Por tudo isso, e ainda por questões comportamentais, é muito raro pessoas físicas superarem os índices de referência (ex: Ibovespa) e mais ainda, superarem os bons gestores de fundos ativos.

Observe que me referi a fundos ativos, que são aqueles em que os gestores podem investir nas empresas em que eles acreditam, desde que esteja em linha com a política do fundo. Já os fundos passivos, os chamados indexados, devem seguir um índice de referencia determinado.

De fato, não convém pagar taxa de administração para fundos passivos, uma vez que existem os ETFs, fundos de índices comercializados na Bovespa que geralmente cobram baixas taxas de administração.

Enfim, considerando o momento turbulento atual e as eleições no próximo ano, acredito que sua carteira terá uma performance melhor se estiver delegada a bons gestores do que se você operar por conta própria. Sugiro ainda que você considere aumentar sua participação em multimercados e diminuir sua posição em fundos de ações que só atuem comprados (“long only”). Ou ainda, que invista em fundos de ações que façam proteções contra turbulências ou erros dos gestores, como fundos long and short.

*Annalisa Blando Dal Zotto, CFP® é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner) concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF)

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