Os melhores e piores investimentos de maio

O governo Temer ficou por um fio e a crise política puxou para baixo os fundos de ações. Já os fundos cambiais lideraram o ranking de investimentos de maio

São Paulo – Foi um mês histórico. As últimas revelações envolvendo o presidente Michel Temer e os irmãos Batista, da JBS, desestabilizaram o mercado em maio.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, cedeu 4,12% no período, guiando os fundos de ações que pagam dividendos ao pior desempenho no ranking de investimentos de EXAME.com, com uma baixa de 3,54%. O Tesouro IPCA com juros semestrais e vencimento em 2050 acompanhou esse movimento e ficou com o segundo pior desempenho no mês: uma queda de 3,51%.

Na ponta oposta, os fundos cambiais saltaram 3,56% e encabeçaram a lista das melhores performances. O ouro subiu 1,55% e ficou na segunda colocação do ranking em março.

Planejadores financeiros indicam a aplicação em fundos cambiais apenas para pessoas que precisam se proteger da oscilação de moedas estrangeiras. É o caso, por exemplo, de quem vai viajar ao exterior.

Fora dessa circunstância, esse investimento não é recomendado aos pequenos investidores, uma vez que a taxa de câmbio varia muito. Em todos os casos, a orientação é sempre lembrar que a rentabilidade passada não significa garantia de rendimento futuro.

É importante mencionar que o ranking de investimentos considera a rentabilidade bruta das aplicações no mês e em 2017, sem descontar Imposto de Renda. Em aplicações em fundos de ações, há IR de 15%.

Nos fundos de curto prazo, a alíquota é de 22,50% para resgates em até 180 dias e de 20% para resgates depois de 180 dias. Nas demais categorias de fundos (longo prazo), a tributação segue tabela regressiva, em que a alíquota varia entre 15% e 22,5%, conforme o prazo de vencimento.

Os títulos públicos também são tributados pela tabela regressiva de IR. Veja o passo a passo para investir no Tesouro Direto e como escolher a corretora. A poupança não tem cobrança de Imposto de Renda e a aplicação em ouro também é isenta de IR até 20 mil reais.

Confira o ranking de investimentos de maio:

Investimento Desempenho em maio Desempenho em 2017
Fundos Cambiais* 3,56% 2,05%
Ouro BM&F 1,55% 10,27%
Tesouro Selic 2021 (LFT) 0,82% 4,66%
Tesouro Prefixado 2018 (LTN) 0,81% 5,66%
Tesouro Selic 2023 (LFT) 0,76% ?
Fundos de Renda Fixa Investimento no Exterior* 0,68% 4,89%
Fundos Renda Fixa Simples* 0,64% 3,97%
Poupança** 0,52% 2,37%
Fundos de Ações Investimento no Exterior* 0,33% 4,37%
Tesouro IPCA+ 2019 (NTN-B Principal) 0,09% 5,30%
Fundos Multimercados Investimento no Exterior* -0,07% 4,12%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2021 (NTN-F) -0,17% 7,08%
Tesouro Prefixado 2021 (LTN) -0,36% 7,45%
Fundos Multimercados Livre* -0,53% 4,30%
Fundos Renda Fixa Indexados* -0,59% 4,72%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 (NTN-B) -1,75% 5,67%
Fundos de Ações Small Caps* -1,78% 14,91%
Tesouro IPCA+ 2035 (NTN-B Principal) -2,59% 6,66%
Fundos de Ações Livre* -2,80% 7,38%
Fundos de Ações Indexados* -3,06% 5,41%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTN-B) -3,51% 6,13%
Fundo de Ações Dividendos* -3,54% 6,18%

Referências:

Investimento Desempenho em maio Desempenho em 2017
Ibovespa 4,12% 3,32%
Selic*** 0,93% 4,82%
CDI*** 0,88% 4,76%
IPCA**** 0,46% 3,95%
Dólar comercial 1,94% -0,41%

*Até 30 de maio, dado mais atual disponível na Anbima.

**Até 30 de maio.

***O desempenho mensal se refere aos últimos 30 dias até a data de fechamento.

****Projeção do Boletim Focus do Banco Central.

Fontes: Anbima, BM&FBovespa, Thomson Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional.

Avaliação

A economia vinha em uma trajetória positiva, com a expectativa de aprovação das reformas no Congresso, mas os mercados foram pegos de surpresa pelas delações da JBS. A notícia desestabilizou a Bolsa e o dólar.

Para o CEO e fundador da consultoria de investimentos Magnetis, Luciano Tavares, era natural que o mercado reagisse dessa forma após o baque. Por isso, especialmente neste momento, ele recomenda diversificar os investimentos pensando no longo prazo, para se proteger do que pode vir pela frente.

“Maio ilustrou que é muito difícil prever o que vai acontecer no curto prazo. Uma notícia política mudou totalmente o cenário”, explica.

Daqui para frente, é melhor não tentar adivinhar qual ativo vai se valorizar ou desvalorizar. É mais indicado planejar investimentos no longo prazo e adequá-los ao perfil de risco do investidor. Ou seja, nada de vender todos os seus fundos de ações, nem de aplicar todo seu dinheiro em fundos cambiais.