Os melhores e piores investimentos de janeiro

A renda variável segue firme no topo do ranking das aplicações financeiras mais rentáveis, incentivada pela condenação do ex-presidente Lula

São Paulo — Com a Selic em 7% ao ano, a menor desde 1986, o mercado de ações continuou no topo do ranking de investimentos em janeiro.

Os fundos de ações indexados, que têm como objetivo seguir as variações de indicadores de referência, entre eles o Ibovespa, tiveram o melhor desempenho do levantamento, com alta de 9,17% no mês.

Os fundos de ações de empresas que pagam bons dividendos acompanharam o movimento e ficaram em segundo lugar no ranking, com valorização de 7,35% no primeiro mês do ano.

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Sucessivos cortes na taxa básica de juros (Selic) já vinham deixando os fundos que investem em ações mais atrativos nos últimos meses. Mas no primeiro mês deste ano, a condenação em segunda instância do ex-presidente Lula por lavagem de dinheiro e corrupção foi a notícia que o mercado esperava para adicionar risco aos portfólios, analisa Dennis Kac, sócio da Brainvest.

A condenação diminui significativamente a probabilidade de eleição de um candidato que não esteja alinhado com a continuidade das reformas estruturais iniciadas pelo governo Temer, complementa o executivo. “Com isso houve uma queda significativa dos juros futuros e dólar, aliado com uma alta na bolsa de valores”.

O cenário externo benigno de crescimento sincronizado, inflação controlada e uma política monetária ainda acomodatícia também favorece os investimentos em ativos de risco globais.

Na outra ponta do ranking, os fundos cambiais ficaram na última posição do ranking. Esses fundos desvalorizaram 3,51% no período, acompanhando a queda de 4,05% do dólar.

O ranking de investimentos considera a rentabilidade bruta das aplicações no mês, sem descontar Imposto de Renda (IR).

Em aplicações em fundos de ações, há IR de 15%. Nos fundos de curto prazo, a alíquota é de 22,5% para resgates em até 180 dias e de 20% para resgates depois de 180 dias. Nas demais categorias de fundos (longo prazo), a tributação segue a tabela regressiva, na qual a alíquota varia entre 15% e 22,5%, conforme o prazo de vencimento.

Os títulos públicos também são tributados pela tabela regressiva de IR. A poupança não tem cobrança de imposto e a aplicação em ouro é isenta do tributo para aplicações de até 20 mil reais.

Confira o ranking de investimentos de janeiro:

Investimento Desempenho em janeiro
Fundos de Ações Indexados* 9,17%
Fundo de Ações Dividendos* 7,35%
Fundos de Ações Livre* 5,96%
Fundos de Ações Investimento no Exterior* 5,96%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 (NTN-B) 5,70%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTN-B) 4,68%
Tesouro IPCA+ 2035 (NTN-B Principal) 4,01%
Fundos de Ações Small Caps* 3,61%
Fundos Multimercados Livre* 1,57%
Fundos Renda Fixa Indexados* 1,35%
Tesouro Prefixado 2021 (LTN) 1,19%
Ouro BM&F 1,18%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2021 (NTN-F) 1,08%
Fundos Multimercados Investimento no Exterior* 0,94%
Tesouro IPCA+ 2019 (NTN-B Principal) 0,67%
Fundos de Renda Fixa Investimento no Exterior* 0,64%
Tesouro Prefixado 2019 (LTN) 0,53%
Tesouro Selic 2021 (LFT) 0,46%
Poupança** 0,39%
Fundos Renda Fixa Simples* 0,39%
Tesouro Selic 2023 (LFT) 0,38%
Fundos Cambiais -3,51%

Referências

Investimento Desempenho em janeiro
Ibovespa 11%
Selic*** 0,55%
CDI*** 0,53%
Dólar comercial -4,05%
IPCA 0,40%

*Até 30 de janeiro, dado mais atual disponível na Anbima.

**Até 28 de janeiro.

***O desempenho mensal se refere aos últimos 30 dias até a data de fechamento.

****Projeção do Boletim Focus do Banco Central.

Fontes: Anbima, BM&FBovespa, Thomson Reuters, Banco Central do Brasil e Tesouro Nacional.