Os melhores e os piores investimentos de julho

Ibovespa tem a maior rentabilidade do mês e NTN-F, título do Tesouro Direto prefixado, lidera ranking entre investimentos de renda fixa

São Paulo – O Ibovespa, principal índice de referência da Bolsa, teve o melhor rendimento do balanço de investimentos de julho, com alta de 5,00%. 

Em seguida, os melhores desempenhos do mês foram registrados por fundos de investimentos em ações.

Dentre as aplicações de renda fixa, que são mais conservadoras, o investimento mais rentável foi a Nota do Tesouro Nacional série F (NTN-f), título do Tesouro Direto cuja remuneração é definida no início da aplicação.

Veja na tabela a seguir o ranking do desempenho de algumas das principais aplicações do mercado em julho e no acumulado de 2014: 

Aplicação Desempenho em julho Desempenho no ano
Ibovespa 5,00% 8,39%
Fundos de ações dividendos* 4,62% 9,82%
Fundos de ações Ibovespa Ativo* 3,96% 4,77%
Fundos de ações livre* 2,95% 4,65%
NTN-F (vencimento em 01/01/2025)* 2,04%
Dólar 1,92% -4,18%
Fundos Multimercado Multiestratégia* 1,56% 4,85%
Fundos de Investimento Imobiliário (IFIX) 1,54% 2,49%
LTN (vencimento em 01/01/2018)* 1,24%
Fundos Multimercados Juros e Moedas* 1,18% 5,73%
Fundos de Renda Fixa* 1,06% 6,57%
NTN-B Principal (vencimento em 15/05/2035)* 1,01% 16,46%
Fundos referenciados DI* 1,00% 5,88%
Fundos Multimercado Macro* 0,97% 3,19%
NTN-F (vencimento em 01/01/2017)* 0,96% 8,54%
LTN (vencimento em 01/01/2015)* 0,94% 5,91%
LFT (vencimento em 07/03/2015)* 0,94% 5,99%
Selic* 0,90% 6,00%
CDI* 0,89% 5,95%
LFT (vencimento em 07/03/2017)* 0,87% 5,89%
NTN-B (vencimento em 15/05/2035)* 0,81% 12,54%
NTN-B Principal (vencimento em 15/05/2015)* 0,75% 6,76%
NTN-B (vencimento em 15/05/2015)* 0,75% 6,74%
Poupança antiga* 0,55% 3,95%
Poupança nova* 0,55% 3,95%
NTN-B (vencimento em 15/08/2050)* 0,39% 13,23%
IPCA (estimativa do Banco Central)** 0,15% 3,90%
IGP-M (estimativa do Banco Central)** -0,37% 2,07%
Fundos de ações Small Caps* -0,53% -1,05
Ouro -0,53% 3,31%

Fontes: Banco Central, BM&FBovespa, Tesouro Nacional e Anbima.

(*) O desempenho mensal se refere aos últimos 30 dias até a data de fechamento.

(**) Expectativa de inflação para o mês de junho e para o acumulado em 2014 até julho, segundo o Banco Central.

À exceção dos fundos de investimento imobiliário, os resultados dos rendimentos de todos os fundos da tabela foram fechados no dia 25 de julho, assim como as expectativas sobre o IGP-M e o IPCA.

Os dados sobre a poupança nova e antiga, taxa Selic, o CDI, o ouro, o dólar e os títulos do Tesouro foram fechados no dia 30 de julho. E as rentabilidades do Ibovespa e do IFIX são referentes ao fechamento do dia 31 de julho.

Renda fixa

Com alta de 2,04% no mês, as NTN-Fs com vencimento em 2025 tiveram a melhor rentabilidade da renda fixa. 

Conforme explica o administrador de carteira de valores mobiliários Fabio Colombo, a alta desses títulos prefixados pode ser explicada pela expectativa de queda dos juros básicos da economia, que foi bastante aventada ao longo do mês. 

“Com a economia fraca, o mercado começou a aventar a possibilidade de redução dos juros, mas no final do mês o Banco Central deu a entender que não faria isso e a curva de juros voltou a acelerar, mas não o suficiente para reverter a alta que esses títulos tiveram no mês”, diz Colombo. 

Como a NTN-F paga uma taxa de juro já definida no momento da aplicação, quando existe a expectativa de que a Selic pode cair, os títulos comprados anteriormente ficam mais vantajosos, uma vez que a redução da taxa básica pode levar novos títulos a oferecerem taxas de juros menores. 

Como esses títulos prefixados já vendidos ficam mais atrativos, a maior procura por esses papéis no mercado eleva sua rentabilidade no mês. 

Mas, vale lembrar que esse resultado, de +2,04%, vale apenas para quem comprou e vendeu o título no espaço de um mês. Os investidores que compram o papel com o objetivo de carregá-lo até o vencimento receberão exatamente os juros que são acordados na compra.

As Letras do Tesouro Nacional (LTNs) tiveram o segundo melhor resultado na renda fixa, com alta de 1,24% no mês. Como também são títulos públicos prefixados, a valorização pode ser explicada pelas mesmas razões da NTN-F. 

A caderneta de poupança, o investimento mais popular do Brasil, teve um dos piores rendimentos não só na comparação entre aplicações de renda fixa, mas no balanço em geral.

Com a Selic aos 11%, outras aplicações que acompanham a alta da taxa ficam mais vantajosas, enquanto a poupança perde a vantagem porque seu rendimento deixa de ser atrelado aos juros básicos depois que eles passam dos 8,5% ao ano.

Dentre os títulos mostrados na tabela, estão disponíveis para compra: NTN-B Principal (15/05/2035), NTN-B (15/05/2035), NTN-B (15/08/2050), LFT (07/03/2017), LTN (01/01/2018).

Renda variável

O Ibovespa teve o melhor rendimento do mês dentre os investimentos de renda variável, que possuem resultados mais imprevisíveis, com alta de 5,00%. 

Para Colombo, a valorização é resultado dos efeitos das pesquisas eleitorais. “Com a oposição tendo chance maior de vitória o mercado vê maior possibilidade de mudanças na política econômica e isso tem animado a Bolsa. A Petrobras e a Vale, por exemplo, tiveram altas acima do índice pois espera-se que os preços dos combustíveis sejam reajustados no futuro, caso a oposição seja eleita”, diz. 

Ele acrescenta que a alta poderia ter sido ainda maior, mas com as notícias de crescimento do PIB americano, divulgadas no fim do mês, e a consequente perspectiva de aumento dos juros nos Estados Unidos, bolsas do mundo inteiro sofreram quedas. 

Isso ocorre porque, com melhores perspectivas no mercado americano, investidores de todo o mundo tendem a direcionar seus recursos ao país, reduzindo posições em outros mercados e assim provocando a onda de quedas. 

Outro destaque do balanço foram os fundos de investimentos que aplicam em ações, como os fundos de dividendos, fundos Ibovespa ativo e fundos de ações livre. Os três investimento se valorizaram na esteira da alta da Bolsa. 

Cuidados

É importante ressaltar que a análise dos resultados dos investimentos no intervalo de um mês não é suficiente para que seja feita uma decisão consciente sobre qual aplicação escolher. 

O balanço pode ser uma boa medida para acompanhar o andamento dos investimentos de forma sistemática, mas não deve ser o único parâmetro de avaliação do investidor

Conforme brinca o professor William Eid, da Fundação Getúlio Vargas, investir olhando no retrovisor é fácil, mas pode ser uma estratégia furada, afinal, como diz um dos principais lemas das finanças pessoais: rendimento passado não é garantia de retorno futuro.

“É muito fácil mandar uma ordem de compra para o corretor observando os investimentos que mais renderam no mês, mas não adianta nada fazer isso”, diz Eid.

Para ele, o investidor deve pensar no longo prazo, sobretudo se quiser aplicar na Bolsa. 

“Quem já está na Bolsa deve ficar e quem quer entrar deve olhar no longo prazo. A Bolsa está com uma volatilidade impressionante e temos turbulência pela frente. Além das eleições, temos previsões pessimistas sobre o PIB. Um investimento não pode ser olhado mês a mês, tanto faz se subiu ou desceu em um prazo curto, quem investe deve ter visão longo prazo”, diz o professor.