Os melhores e os piores investimentos de 2013

Dólar fecha o ano como a aplicação mais rentável e o título do Tesouro Direto atrelado à Selic, a LFT, tem o melhor desempenho da renda fixa

São Paulo – O dólar foi a aplicação mais rentável do ranking dos melhores e piores investimentos do ano de 2013. E o título do Tesouro Direto que acompanha a variação da taxa Selic, a Letra Financeira do Tesouro (LFT), teve o segundo melhor desempenho entre as aplicações financeiras voltadas ao investidor pessoa física. 

Veja na tabela a seguir as performances dos investimentos e dos indicadores de mercado no ano de 2013 e no mês de dezembro.

Aplicação Desempenho no ano Desempenho em dezembro Fechamento em
Dólar comercial 14,64% 0,76% 30/12/2013
LFT (vencimento em 07/03/2014)* 8,21% 0,75% 30/12/2013
Selic* 8,20% 0,75% 29/12/2013
Fundos referenciados DI* 8,11% 0,83% 24/12/2013
LFT (vencimento em 07/03/2017) 8,11% 0,62% 30/12/2013
CDI* 8,04% 0,74% 29/12/2013
Fundos Multimercado Macro* 7,98% 1,40% 24/12/2013
Fundos de Renda Fixa* 6,80% 0,81% 24/12/2013
Poupança antiga 6,34% 0,55% 30/12/2013
Fundos Multimercado Multiestratégia* 6,20% 1,84% 24/12/2013
IPCA (estimativa do Banco Central)** 5,73% 0,75% 27/12/2013
Poupança nova* 5,73% 0,55% 30/12/2013
LTN (vencimento em 01/01/2015)* 4,93% 0,89% 30/12/2013
Fundos Multimercados Juros e Moedas* 4,92% 0,98% 24/12/2013
NTN-B (vencimento em 15/05/2015)* 4,68% 1,13% 30/12/2013
NTN-B Principal (vencimento em 15/05/2015)* 4,43% 1,13% 30/12/2013
Fundos de ações livres* 1,08% -1,11% 24/12/2013
NTN-F (vencimento em 01/01/2017)* -0,81% 0,73% 30/12/2013
Fundos de ações Ibovespa Ativo* -3,4% -1,99% 24/12/2013
Fundos de ações dividendos* -4,14% -2,52% 24/12/2013
NTN-F (vencimento em 01/01/2023)* -10,10% -0,56% 30/12/2013
Fundos de ações Small Caps* -11,47% -1,92% 24/12/2013
Fundos de Investimento Imobiliário (IFIX) -12,66% -2,66% 30/12/2013
Ibovespa -15,49% -1,86% 30/12/2013
Ouro -17,35% -2,16% 30/12/2013
NTN-B (vencimento em 15/08/2050)* -24,54% 0,36% 30/12/2013
NTN-B Principal (vencimento em 15/05/2035)* -33,04% 0,16% 30/12/2013
LTN (vencimento em 01/01/2017)* 0,58% 30/12/2013

Fontes: Banco Central, BM&FBovespa, Tesouro Nacional e Anbima.
(*) Últimos 30 dias até a data de fechamento
(**) Expectativa de inflação para o ano de 2013 e para o mês de novembro, segundo o Boletim Focus do Banco Central, divulgado no dia 27/12/2013. 


Destaques

Com alta de 14,64% no ano, o dólar liderou o ranking de rendimentos em 2013.

Diante do pessimismo no cenário nacional e dos sinais de recuperação da economia americana, investidores tendem a deixar as economias emergentes para investir nos Estados Unidos, resultando na valorização da moeda estrangeira.

Mesmo com um resultado muito superior ao de outros investimentos, a aplicação em dólar pode ser arriscada para o pequeno investidor, já que as oscilações da moeda dependem de inúmeros fatores macroeconômicos e políticos não só relacionados à economia norte-americana e brasileira, quanto à economia mundial.

O investimento em fundos cambiais – uma das poucas opções para aplicar no dólar -, por exemplo, é mais indicado para quem tem uma viagem marcada para o exterior e investe com o objetivo de não ficar sujeito às variações cambiais antes de viajar. 

Os títulos do Tesouro Nacional que acompanham a variação da Selic, as LFTs, tiveram o segundo melhor resultado do ranking. Esses papéis se beneficiaram da alta da Selic, que teve valorização superior a 8% em 2013. 

As LFTs são o investimento mais indicado para quem deseja investir no Tesouro sem correr riscos. Enquanto outros títulos podem gerar prejuízos quando vendidos antes do vencimento, a LFT garante ao investidor sempre a variação da Selic no período. 

Na renda fixa também tiveram destaque os fundos referenciados DI, que investem em títulos atrelados ao CDI (taxa que varia de acordo com a Selic). Assim como as LFTs, esses fundos também se valorizaram com a alta da Selic. 

O resultado dos fundos DI apresentado, no entanto, é uma média do rendimento obtido por diversos fundos da modalidade disponíveis no mercado. Para o pequeno investidor o desempenho pode não ter sido tão vantajoso porque fundos que exigem aportes menores, de poucos milhares de reais, podem ter taxas altas, que minam boa parte do rendimento.  

Especialistas recomendam que o investidor não aceite fundos DI e de renda fixa com taxas superiores a 1% ou 1,5% ao ano. 

Poupança

O investimento preferido dos brasileiros, a poupança, fechou o ano com rendimentos muito próximos à inflação medida pelo IPCA, que segundo o último Boletim Focus do Banco Central deve fechar o ano com alta de 5,73%.

A poupança corrigida pela regra antiga (que paga juros de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial) rendeu 6,34% e a poupança nova (que rende 70% da Selic mais a Taxa Referencial quando a taxa básica é maior ou igual a 8,5%) rendeu 5,73%. Ambos os resultados permitem ao investidor manter seu poder de compra, mas praticamente não proporcionam ganhos reais.

Prejuízos na renda fixa

As Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), títulos públicos que pagam uma taxa de juro pré-fixada mais a variação da inflação no período, medida pelo IPCA, foram o destaque negativo do ano. 

A despeito da crença de que na renda fixa todo investimento é seguro, as NTN-Bs com prazos mais longos amargaram prejuízos de mais de 20% no ano. 

Ainda que esses títulos não tenham dado prejuízo ao investidor que não os vendeu, o rendimento anual reflete a rentabilidade que os títulos teriam se fossem vendidos antes do vencimento.


O prejuízo para quem vendeu os títulos antes do vencimento ocorreu porque, com as sucessivas altas da taxa Selic no ano, NTN-Bs compradas anteriormente, que pagavam 3% ou 4% ao ano mais a inflação, passaram a ser desvantajosas diante das novas NTN-Bs, que passaram a oferecer taxas acima de 6%.

Dessa forma, o investidor que se desfez do título antes do vencimento precisou vendê-lo por um preço menor do que pagou originalmente, perdendo não apenas sua remuneração, mas também parte do principal.

Ano desastroso para a Bolsa

O Ibovespa, principal indicador da Bolsa, fechou o ano com queda de mais de 15%, um dos piores desempenhos entre os principais índices acionários globais.

Conforme explicaram os analistas do Banco do Brasil, por meio de relatório divulgado nesta terça-feira (31), pesaram para o péssimo desempenho da Bolsa: o rebaixamento da perspectiva da nota soberana do Brasil pela agência de rating Standard & Poor’s em junho deste ano, que resultou em uma queda de 11,6% do Ibovespa no mês; a derrocada das empresas “X” de Eike Batista, com destaque para a OGX, pela sua forte participação no Ibovespa.

Outros fatores como a perspectiva de um PIB enfraquecido também para 2014, os dados de baixo superávit primário e a deterioração nas contas fiscais brasileiras acabaram empurrando para baixo neste final de ano todo o movimento de recuperação do índice esboçado a partir de setembro e outubro. 

Em linha com o resultado do Ibovespa, os fundos que investem em ações também apresentaram fracos resultados, figurando como algumas das aplicações com pior desempenho do ranking. Apenas os fundos de ações livres fecharam o ano com uma performance positiva, com leve alta de 1,08%.

Os fundos imobiliários também apresentaram variação negativa, com desvalorização de 12,66% no ano. A queda do índice que reúne os maiores e mais líquidos fundos imobiliários (IFIX) pode ser justificada por dois fatores principais, segundo analistas.

O primeiro é que as cotas dos fundos estavam supervalorizadas e desajustadas frente à realidade de precificação dos imóveis comerciais e passaram por um ajuste em 2013. E o segundo motivo é o crescimento menos vigoroso do mercado imobiliário. Com a possibilidade de enfrentar uma maior taxa de vacância, pequenos investidores ficaram assustados e venderam suas cotas, provocando um efeito manada.