Os melhores e os piores fundos de investimento em 2013

Fundos mais diversificados ou mais conservadores conseguiram se beneficiar da alta da taxa de juros; já os fundos de renda variável amargaram fortes perdas

São Paulo – Dois tipos de fundo de investimento tiveram bom desempenho em 2013 – e por bom desempenho entende-se desempenho superior à inflação oficial: os fundos que podem investir em diversos tipos de ativos para fugir da tendência de mercado, e os fundos de renda fixa mais conservadora. O motivo da bonança: a capacidade de se beneficiar da alta na taxa básica de juros, a Selic.

Na outra ponta do ranking, perderam dinheiro quase todos os tipos de fundos de ações – com destaque para aqueles indexados ao Ibovespa – e os fundos de Renda Fixa-Índices, que são penalizados quando a Selic sobe.

Confira na tabela o ranking de desempenho das modalidades dos fundos de investimento em 2013. Nas próximas páginas, veja as explicações para esses desempenhos.

Tipo de fundo Rentabilidade anual média
Long and Short – Direcional 10,19%
Long and Short – Neutro 10,02%
Multimercados Macro 8,47%
Referenciado DI 8,27%
Curto Prazo 8,14%
CDI 8,05%
Renda Fixa Crédito Livre 7,90%
Renda Fixa 6,99%
Multimercados Multigestor 6,49%
Multimercados Multiestratégia 6,36%
IPCA estimado 5,70%
Capital Protegido 5,31%
Multimercados Juros e Moedas 5,10%
Ações Livre 1,95%
Multimercados Estratégia Especifica 0,38%
Ações IBrX Indexado -1,34%
Ações Ibovespa Ativo -2,53%
IBrX -3,13%
Ações Dividendos -3,13%
Renda Fixa Índices -3,43%
Ações IBrX Ativo -3,67%
Multimercados Trading -7,29%
Ações Small Caps -10,39%
Ações Ibovespa Indexado -14,16%
Ibovespa -15,49%

Fonte: Anbima e Banco Central


Os mais rentáveis

Os fundos mais rentáveis do ano foram os chamados fundos Long and Short, uma modalidade de multimercados que fazem operações compradas e vendidas com ativos como ações e índices, a fim de lucrar com distorções de preços, tanto na alta quanto na baixa desses ativos. Sua rentabilidade média, porém, não foi nada estrondosa: em torno de 10%.

Os demais fundos que ganharam acima da inflação incluem três tipos de multimercados, os fundos de renda fixa mais conservadora (Referenciado DI, Curto Prazo e Renda Fixa) e os fundos de crédito privado.

O principal motivo para o bom desempenho desses fundos foi a alta da taxa Selic, que passou de 7,25% para 10,00% ao longo do ano.

No caso dos fundos mais conservadores, eles podem ou devem investir a maior parte da sua carteira em papéis de renda fixa atrelados à Selic e ao CDI, taxa de juros das operações interbancárias que costuma acompanhar a Selic. Quanto maior a taxa de juros, mais eles ganham.

Os fundos DI são os mais conservadores, pois devem investir no mínimo 95% do seu patrimônio nesses papéis; os de Curto Prazo são semelhantes, mas investem em papéis de curto prazo.

Já os de renda fixa podem investir em diversos papéis de renda fixa, com diferentes perfis de remuneração, desde que 80% da carteira sejam destinados a títulos públicos federais. Assim, eles podem se aproveitar da tendência mais favorável, como a alta da Selic.

Os fundos multimercados se beneficiam da possibilidade de diversificar bastante o patrimônio, o que os ajuda a surfar as melhores tendências, mesmo que o momento econômico não seja dos mais favoráveis. Em 2013, destacou-se quem conseguiu se beneficiar da alta da Selic.

Eles podem investir tanto em renda fixa quanto variável, por meio de outros fundos ou diretamente, operar comprado ou vendido. Assim, podem adaptar a carteira ao momento econômico.

“Quando o Banco Central sinalizou que ia iniciar um processo de alta de juros, se beneficiaram os fundos cujos gestores conseguiram capturar essa tendência mais rapidamente. Os multimercados que tinham aplicações em Bolsa puderam até se desfazer delas”, diz Paulo Bittencourt, diretor técnico da Apogeo Investimentos.

Além disso, os fundos multimercados podem investir até 20% do seu patrimônio em ativos no exterior. Uma alternativa para fugir do mau momento econômico por que passa o Brasil.

Em 2013, com a recuperação econômica dos Estados Unidos, muitos multimercados buscaram refúgio em ativos estrangeiros ou em investimentos cujo desempenho esteve atrelado a ativos estrangeiros.

“O maior ensinamento de 2013 é que não se pode ter uma estratégia baseada em um único tipo de ativo. Em 2014, a coisa mais importante vai ser preservar a liquidez para poder fazer mudanças táticas. O gestor de um fundo pode até estar amarrado a uma única estratégia, mas o investidor pode diversificar, se não abrir mão da liquidez”, diz Bittencourt.

Finalmente, os fundos de crédito podem manter mais de 20% da sua carteira em títulos de médio e alto risco de crédito, emitidos por empresas. Embora mais arriscados, eles também podem se surfar a tendência da taxa Selic e obter rentabilidades mais altas que os títulos públicos, uma vez que os títulos de dívida de empresas pagam mais.


Os perdedores

Na ponta do desempenho negativo da carteira, a maioria dos fundos opera ações. O rendimento desses fundos foi arrastado pela queda de 15,49% do Ibovespa e de 3,13% do IBrX.

Apenas os fundos de Ações Livre, que podem operar quaisquer ações da Bolsa, escolhendo os melhores ativos, conseguiram se livrar da rentabilidade média negativa.

Os fundos que replicam o desempenho de índices ou que fazem a escolha de ativos apenas entre as ações que compõem os índices, além dos fundos de dividendos e de Small Caps, amargaram perdas.

Para Paulo Bittencourt, os principais motivos de mau desempenho do Ibovespa no ano passado foram a percepção de que o baixo crescimento econômico deve se perpetuar – até para 2015, conforme as previsões – e a recuperação americana.

A retomada da economia dos Estados Unidos culminará numa retirada dos estímulos do governo americano à economia, o que tornará o dinheiro mais escasso no mercado, voltando os recursos alocados em países emergentes para economias mais seguras e desenvolvidas, elevando o dólar e aumentando o juro dos EUA.

Já os fundos de Renda Fixa-Índices (referenciados em índices de renda fixa, como os fundos de inflação) tiveram queda em função da alta da Selic, movimento que penaliza os tipos de títulos em que eles investem: papéis de renda fixa com remuneração pré-fixada (acordada no ato da compra do título).

Esses papéis desvalorizam quando a taxa de juros sobe, pois a partir de então, os novos investimentos no mesmo tipo de papel passam a render mais com o juro mais alto.

Assim, os papéis que rendem menos têm uma queda no seu valor de face – mecanismo chamado de marcação a mercado. Quanto maiores os prazos dos títulos presentes na carteira do fundo, pior sua rentabilidade quando a Selic se eleva.

Esses fundos são obrigados a divulgar a rentabilidade diária da cota, refletindo o que o cotista ganharia ou perderia se resgatasse naquele dia.

O mau desempenho desses fundos de renda fixa reflete o mau desempenho de títulos do Tesouro Direto como as NTN-Bs e as LTNs. Mais especificamente dos índices que lhes servem de referência, o IMA-B (que reflete o desempenho de uma cesta de NTN-Bs), e o IRF-M (que reflete o desempenho de uma cesta de LTNs e NTN-Fs).