Os imóveis favoritos dos estrangeiros em São Paulo

Franceses, alemães, holandeses, americanos e japoneses buscam diferentes tipos de residência quando decidem morar no Brasil

São Paulo – O Brasil é um dos países que mais atraem investimentos estrangeiros. Com a valorização do real e o bom momento da economia, cada vez mais empresas de outros países investem em solo brasileiro. Trazer de fora muitos dos executivos que serão responsáveis pelas operações é um passo natural. Por ser o maior centro econômico, a cidade de São Paulo é um dos principais destinos dos profissionais que vão atuar em bancos de investimentos, empresas de tecnologia, construção civil e outros.

Um dos segmentos que se beneficia desse fluxo migratório é o imobiliário. Afinal, que vem ao Brasil precisa de um teto. Com a intenção de atrair os melhores talentos para fincar raízes no país, empresas estão dispostas a pagar caro pelo conforto de seus executivos. Diretora da Anglo Americana Imóveis, especializada em atender a demanda das empresas estrangeiras e seus executivos em São Paulo, Sílvia Makansi explica que os expatriados procuram, antes de qualquer coisa, um imóvel confortável e seguro. “Os valores dependem do pacote de expatriação oferecido pela companhia. São elas que definem qual o valor de aluguel a ser pago”, diz.

Em geral, o valor dos aluguéis pode ir de 4.000 reais mensais para cargos de gerência até cerca de 12.000 reais para um funcionário do alto escalão. Imóveis de alto padrão acabam, naturalmente, sendo a preferência entre os futuros inquilinos e os bairros escolhidos também variam em função da proximidade com o local de trabalho, a presença de escolas internacionais na região, arborização, segurança e até a possibilidade de uma vida noturna agitada pra quem vem em carreira solo.

Preferências

Quem chega sozinho à capital paulista vem atrás de agito e badalação. Este público, independentemente da nacionalidade, acaba se fixando na região dos Jardins ou de Moema. Buscam flats modernos, de fácil manutenção, com acesso a serviços como lavanderia e limpeza, decorados com charme e já mobiliados, descreve a diretora.

Já quem traz a família busca, antes de mais nada, conforto logístico. Ou seja, uma morada que seja próxima ao trabalho e boas escolas, preferencialmente internacionais. “Geralmente eles chegam à imobiliária muito bem informados sobre o trânsito da cidade e priorizam locais com fácil acesso”, conta Sílvia.


O bairro favorito das famílias francesas, por exemplo, é a região da Vila Mariana, Parque Ibirapuera, Vila Nova Conceição e Moema, pela proximidade com uma tradicional escola bilíngue francesa. Segundo Sílvia, os franceses vêm geralmente muito bem informados acerca dos bairros da cidade e alguns inclusive já vêm com o local na cabeça. Ela nota também que os franceses são um pouco menos preocupados com segurança, mas prezam por casas espaçosas, com direito a um bom jardim e piscina para aliviar o calor.

No caso dos americanos, o processo de escolha é um pouco mais complexo. Além de priorizarem a proximidade com o local de trabalho, a maioria das empresas para as quais trabalham proíbe que seus funcionários aluguem residências fora de condomínios fechados. A maioria das companhias contrata agências de controle de risco para que a área na qual o imóvel se encontra seja mapeada e avaliada quanto à segurança. A região dos Jardins e Moema são as preferidas deste público.

Famílias oriundas dos Países Baixos, segundo Sílvia, procuram imóveis com boa iluminação. Por conta do inverno longo e de dias curtos em sua terra natal, holandeses, por exemplo, chegam aos trópicos procurando um lar com janelas grandes e muita luz. A maioria opta por apartamento.

Quanto aos alemães, há uma tendência de se fixar em bairros já conhecidos por terem abrigado em outros tempos imigrantes. O Alto da Boa Vista, por exemplo, recebeu na década de 50 uma leva de imigrantes alemães. O bairro ainda hoje exibe traços da colonização e faz com que os expatriados sintam-se acolhidos. Escolas e restaurantes de origem alemã, fora o fato de ser um bairro arborizado e com uma boa oferta de casas, imóveis preferidos deste público, são os grandes atrativos da região.

Nem mesmo executivos que vem da terra do sol nascente, o Japão, chegam a São Paulo sem ter um local previamente escolhido. Os japoneses, explica Sílvia, tem um grande apreço pelo bairro do Paraíso, que se justifica pela quantidade de restaurantes orientais e a presença da colônia no bairro vizinho da Liberdade. Curiosamente, de acordo com Sílvia, a maioria tem como requisito apartamentos cuja suíte seja munida de banheira.