Os 7 erros mais evitados pelos ricos ao investir

Gestores de grandes fortunas apontam o que pequenos investidores podem aprender com milionários

São Paulo – Quem tem milhões de reais para investir costuma ter uma visão diferente sobre como aplicar o dinheiro se comparado a um pequeno aplicador, segundo especialistas em gestão de fortunas ouvidos por EXAME.com.

Milionários geralmente são mais disciplinados com relação às finanças, principalmente se construíram o próprio patrimônio ao longo da vida (veja quais são os fatores que levam à riqueza). “Eles aprenderam a valorizar o dinheiro”, diz Peter Wilson, sócio-diretor Managrow, gestora que administra mais de 400 milhões de reais em ativos de grupos familiares e empresariais.

Grandes investidores também têm mais recursos disponíveis para contratar profissionais especializados, que os auxiliem a tomar as decisões corretas na administração de suas fortunas.

Para Wilson, o erro mais comum cometido por pequenos investidores é decidir onde aplicar o dinheiro sem fazer análises e pesquisas. “Concentrar investimentos em poucos ativos e em aplicações arriscadas também são equívocos frequentes”.

Executivos de gestores especializados em clientes de alta renda apontam quais são os erros evitados pelos ricos nos seus investimentos.

1) Não ter consciência de quanto ganha e gasta

Não é porque milionários têm muito dinheiro disponível que não devem se preocupar com a disciplina financeira (aprenda 14 hábitos que te deixam mais rico).

Grandes investidores sabem que se gastarem mais do que ganham seu patrimônio vai diminuir. Caso não mude esse comportamento, uma hora a fortuna vai acabar.

Além disso, a falta de controle do dinheiro torna necessário o resgate constante do dinheiro investido em aplicações financeiras com o objetivo de equilibrar despesas e rendimentos.

Como consequência, o grande investidor não consegue obter os retornos previstos inicialmente na aplicação, o que pode exigir mudanças em seus objetivos financeiros.

Nas gestoras de grandes fortunas, a renda utilizada para as despesas mensais dos clientes fica separada dos recursos destinados aos investimentos. 

O objetivo é evitar ao máximo que o grande investidor utilize esses valores e precise resgatá-los antes do prazo determinado. Além de reduzir o ganho previsto, resgatar investimentos antes do prazo pode até causar prejuízos, dependendo do tipo de aplicação.

Um exemplo é o investimento em ações. Caso o investidor precise se desfazer dos ativos de uma hora para outra, ele pode ter de se sujeitar a vender a ação em um momento de baixa da bolsa, perdendo dinheiro. 

2) Não verificar se a instituição financeira é confiável

Antes de escolher o banco, corretora ou gestora de investimentos onde vai aplicar seu dinheiro, o milionário costuma buscar referências sobre o histórico e reputação da instituição financeira.

Além disso, muitos deles buscam conversar com outros investidores e comparar os investimentos recomendados por cada instituição.

Grandes investidores sabem que vale a pena gastar tempo e dinheiro para analisar as aplicações financeiras antes de fazer suas escolhas.

O pequeno investidor que tem orçamento limitado para pedir o auxílio de um consultor especializado pode estudar os investimentos por meio de cursos, livros e outras fontes de informação. “Dessa forma ele já consegue diminuir o risco do investimento”, diz Wilson, da Managrow.

A ausência de conflitos de interesses da instituição financeira na hora de recomendar aplicações também é um requisito muito prezado por grandes aplicadores.

Gestoras independentes que são remuneradas por clientes e não têm produtos de investimentos próprios costumam oferecer opiniões mais isentas sobre onde investir, segundo , diz Daniel Auerbach, sócio do multifamily office Consenso, que administra 14 bilhões de reais. “Elas buscam em diversas instituições as opções de investimentos mais adequadas e com menores custos para o cliente.”

3) Não monitorar aplicações financeiras

Ainda que tenham uma equipe dedicada a acompanhar o desempenho de suas aplicações financeiras, os milionários gostam de discutir seus investimentos com os consultores. “Eles gastam tempo com o assunto”, afirma José Eduardo Martin, sócio da GPS, gestora de fortunas do Grupo Julius Baer.

Na Consenso, ainda que a estratégia de investimento passe pela aprovação de uma equipe de análise e também por advogados, quem dá a palavra final é o cliente.

Para o investidor que não tem acesso a uma estrutura de aconselhamento financeiro, o monitoramento se torna ainda mais importante. A frequência vai depender do prazo e risco de cada aplicação financeira.

Ao acompanhar os investimentos de perto, é possível direcionar recursos para aplicações que ofereçam maior retorno e evitar riscos diante de mudanças no cenário econômico, que podem ter impacto negativo sobre o dinheiro aplicado.

4) Não diversificar

Investir tanto em aplicações que possam ser resgatadas no curto prazo, quanto em um período maior de tempo, permite que o investidor tenha mais segurança para aguardar o retorno de investimentos de longo prazo.

O planejamento de longo prazo, como forma de complementar a aposentadoria e evitar que o patrimônio seja corroído pela inflação e por gastos imprevistos, é uma estratégia comum entre os ricos. “O grande investidor sabe ter paciência”, diz Auerbach, da Consenso.

Ter uma carteira diversificada, com ativos que possuem diferentes graus de riscos, evita que o investidor precise mexer com frequência na sua carteira de investimentos para se adaptar às alterações do cenário econômico.

Para Luis Lima, sócio da gestora Berkana, o pequeno investidor, que tem menos recursos para aplicar, pode criar uma carteira diversificada ao longo de cinco anos, por exemplo. “Conforme ele acumula um patrimônio maior, pode aceitar investimentos de maior risco.” 

5) Não ter coragem de seguir uma estratégia própria

Investimentos da moda, com promessas de altos ganhos e geralmente recomendados por amigos e conhecidos não costumam seduzir grandes investidores (conheça o aplicativo que ensina a investir como os bilionários).

O objetivo de quem investe deve ser principalmente antecipar tendências, e não segui-las. “Um grande erro cometido pelo pequeno aplicador é olhar apenas a rentabilidade passada de uma aplicação financeira e ser pessimista com relação a um investimento que registrou prejuízo”, diz Lima, da Berkana.

6) Não se preocupar em preservar o patrimônio

Os milionários não se preocupam apenas em ganhar mais dinheiro, mas em como manter o patrimônio já conquistado. Minimizar riscos para evitar perdas é uma prática comum entre esses investidores.

Milionários monitoram constantemente o seu perfil de risco, diz Marin, da GPS. Dessa forma, conseguem saber se devem se arriscar mais ou menos diante de uma crise econômica, por exemplo.

Mesmo quando investem em aplicações mais arriscadas, grande investidores são cautelosos. É difícil encontrar milionários com investimentos concentrados em ações de uma única empresa, ainda que sejam apaixonados pelo negócio, segundo os gestores.

O risco é proporcional ao patrimônio. Quando o grande investidor aplica milhões em ações de uma empresa, é necessário calcular o porcentual que o valor investido representa em relação ao patrimônio.

Para Wilson, da Managrow, não é difícil encontrar um pequeno investidor que aposte todo o patrimônio em um investimento com risco elevado. “Isso não faz sentido. Para o pequeno, que tem renda limitada, a necessidade de preservação do que já conquistou deve ser ainda maior”.

7) Não proteger o patrimônio contra problemas pessoais

Tanto o milionário como o pequeno investidor estão sujeitos a imprevistos e eventos familiares que podem gerar gastos inesperados.

Wilson, da Managrow, afirma que o seguro de vida é encarado pelos ricos como um investimento e deveria ser visto da mesma forma pelos pequenos investidores. “Os riscos de morte e invalidez podem ter um impacto muito negativo sobre a renda futura do investidor e de sua família”.

Milionários também não deixam de planejar a divisão de sua herança e a partilha de bens em caso de divórcio. “Esse planejamento também é válido para quem tem recursos a partir de um milhão de reais”, diz Wilson.