Opportunity explica tombo de quase 30% em fundo

Grande posição alavancada em ações da Vale levou às fortes perdas em fundos multimercados no início de agosto

São Paulo – No balanço publicado nesta quinta-feira por EXAME.com com os melhores e os piores fundos durante o pânico de agosto, o nome que mais chamou a atenção entre os chamuscados foi o do Opportunity. Os fundos da família Midi apresentaram desvalorização de 29% nos oito primeiros dias de agosto, conforme mostra a tabela abaixo. Trata-se de um tombo e tanto, mas houve fundos multimercados que perderam ainda mais. O que causou estranhamento é que os fundos do Opportunity estão sob responsabilidade de Dório Ferman, um dos gestores mais experientes e bem-sucedidos do mercado brasileiro.

Nome Classificação Anbima Retorno em agosto Aplicação inicial mínima Quantidade de quotistas
Opportunity Midi 30 FICFI Mult Multimercados Macro -29,6 50000 261
Opportunity Midi FICFI Mult Multimercados Macro -29,6 50000 92
Opportunity Midi Performance FICFI Mult Multimercados Macro -29,4 100000 117

A reputação de Ferman pode ser medida em números. Ele é responsável por gerir cerca de 15 bilhões de reais, o que garante ao Opportunity um lugar de destaque no ranking das maiores gestoras independentes de recursos no Brasil. Procurado por EXAME.com, Dório Ferman explicou que a família Midi responde por menos de 1% do patrimônio administrado pelo Opportunity. “O fundo é pequeno, mas isso não quer dizer que eu não esteja cuidando dele com toda a atenção.”

O gestor afirmou que as perdas no início de agosto foram causadas pela forte desvalorização das ações da Vale. Os fundos possuíam uma grande posição alavancada na mineradora que refletia a crença do gestor de que os papéis já estavam baratos antes do início do mês. Mas a decisão da Standard & Poor’s de rebaixar o rating dos Estados Unidos e os sinais de que a economia americana poderia novamente entrar em recessão fizeram com que as ações da empresa caíssem ainda mais.

Ferman explica que os quotistas do fundo foram alertados desde o início sobre o alto risco da aplicação e não se importam com resultados de curto prazo. “Desde o lançamento, há seis anos, a quota se valorizou de 1 para 6”, lembra o gestor. A posição em Vale foi mantida porque ele ainda acredita que a queda nos preços das ações nos últimos dias foi exagerada. “Achamos que o preço do minério de ferro ainda vai demorar para cair, isso se cair. Espero recuperar o que perdemos.”

Bolsa

Em relação à bolsa como um todo, Ferman afirma que uma sequência de problemas tem impedido um bom desempenho. Neste ano, a economia global já foi chacoalhada pelas revoltas em vários países do Oriente Médio e norte de África, o tsunami e o risco nuclear no Japão e a luta política no Congresso americano em torno da elevação do teto da dívida. “Foi uma sequência de fatos que prejudicou a economia dos EUA em um momento em que começava a haver uma recuperação.”

Para piorar, explica o gestor, já há certo esgotamento na munição dos Estados Unidos e da Europa para reagir usando a política monetária ou fiscal. “O maior risco ainda é a Europa, embora eu ache que a região esteja apresentando um crescimento mais próximo ao potencial que os EUA.” O gestor mostrou confiança que haverá uma reversão em algum momento porque a China e o resto da Ásia continuam a apresentar bons números, o que beneficia os países emergentes em geral. “Metade do mundo está bem e a outra metade, mal. Tudo leva a crer que as coisas não serão catastróficas”, diz. “Nossa história é de obter lucros apostando no crescimento.”