Mulheres investem 29% menos que homens, mostra GuiaBolso

No Dia Internacional da Mulher, pesquisa mostra que ainda estamos longe de alcançar a igualdade de gênero nos investimentos pessoais

São Paulo – No Dia Internacional da Mulher, uma pesquisa divulgada pelo aplicativo de finanças pessoais GuiaBolso mostra que ainda estamos longe de alcançar a igualdade de gênero nos investimentos pessoais. As mulheres investem 29% menos que os homens, em média, ao comparar as mesmas faixas de salário.

A pesquisa foi realizada com 43.500 pessoas, com base nos dados bancários da movimentação das contas dos usuários do app. As maiores desigualdades ocorrem entre as faixas salariais mais altas. Entre as pessoas que ganham acima de 10 mil reais por mês, a diferença chega a ser de 50%. A desigualdade também aumenta conforme a idade. 

“As mulheres se sentem desencorajadas a investir, com o estigma de que não são boas para esse tipo de coisa. Ao analisar seus gastos, vimos que as mulheres investem menos porque não são ensinadas sobre dinheiro, não porque gastam demais”, explica a diretora de marketing do GuiaBolso, Paula Crespi. 

A seguir, confira quanto homens e mulheres investem por faixa de salário, em média:

Salário (em R$) Quanto mulheres investem por mês, em média (em R$) Quanto homens investem por mês, em média (em R$) Diferença
1.000 a 2.000 70 74 6%
2.000 a 5.000 82 98 17%
5.000 a 10.000 154 197 22%
10.000 a 20.000 464 694 33%
20.000 a 50.000 2.088 4.137 50%
Mais de 50.000 16.453 26.842 39%

A seguir, confira quanto homens e mulheres investem por faixa de idade, em média:

Faixa de idade Quanto mulheres investem por mês, em média (em R$) Quanto homens investem por mês, em média (em R$) Diferença
Até 20 anos 50 60 17%
21 a 30 anos 80 100 20%
31 a 40 anos 150 226 34%
41 a 50 anos 198 323 39%
51 a 60 anos 210 400 48%
Acima de 60 anos 200 642 69%

Mulheres investidoras são minoria

A participação de mulheres investidoras cresceu nos últimos anos em relação à participação de homens, mas elas ainda são minoria entre os investidores brasileiros.

A proporção de mulheres investidoras com conta ativa no Tesouro Direto, plataforma de compra e venda de títulos públicos para pessoas físicas, passou de 13,51% para 30,43% entre 2002 e 2017.

Na B3, a participação de mulheres pessoas físicas com conta ativa cresceu menos no mesmo período: de 17,63% para 22,87%. Os dados da B3 incluem investidoras que possuem ações ou outros ativos passíveis de negociação na Bolsa.

Para explicar por que essa desigualdade persiste e ajudar a pensar em como podemos evoluir, o site EXAME entrevistou a economista Itali Collini, co-fundadora do Núcleo de Pesquisa em Gênero e Raça (Genera) da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. 

Na entrevista, a economista faz críticas à abordagem do mercado financeiro para atrair investidoras e explica por que as mulheres são mais conservadoras na hora de investir. Uma pista: não tem nada a ver com a biologia. Confira a entrevista completa.