Mudança na poupança afetaria dinâmica dos investimentos

Remuneração atrelada à Selic possibilitaria queda maior de juros, mas também ameaçaria atuais produtos de renda fixa

São Paulo – Para concretizar seus planos de reduzir o juro real a patamares de países desenvolvidos, o governo precisará mexer na remuneração fixa da poupança, que na prática impõe um piso para a queda da Selic. A solução seria atrelar a rentabilidade da poupança – hoje fixada por lei – à taxa Selic, como todas as demais aplicações de renda fixa.

Agora que os juros entraram em nova rota de queda, a discussão volta à baila. A proposta considerada mais factível é de aplicar um redutor de 20% da Selic à remuneração da poupança, mantendo a isenção do IR. Como EXAME.com já mostrou, alguns especialistas consideram essa possibilidade boa demais para ser verdade, uma vez que tornaria a caderneta mais atrativa até mesmo que o Tesouro Direto.

A queda dos juros se faz necessária para o estímulo à economia, mas na prática torna a vida do investidor mais difícil. Quando isso ocorrer, a era da alto retorno com pouco risco vai ficar para trás, e será preciso buscar aplicações mais arriscadas para conseguir um diferencial de rentabilidade.

Para o educador financeiro Mauro Calil, a nova remuneração da poupança, ainda que vantajosa, pode ser boa, pois obrigará o restante da indústria de renda fixa a se adaptar. Os CDBs que pagam 80% do DI, por exemplo, não teriam mais espaço, pois sua rentabilidade é corroída pelo IR.

Com a taxa de juros atual de 11,5%, a rentabilidade da “nova” poupança ficaria em 9,2%. Um CDB que paga 80% do DI, por sua vez, teria uma rentabilidade líquida de IR de algo entre 7,13% (de dois a seis meses) e 7,85% (após dois anos).

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