Meu gerente recomendou previdência privada. Tesouro Direto é melhor?

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Pergunta do leitor: “Tenho R$ 160 mil para investir e ainda não sei quando vou retirar esse dinheiro. Talvez precise resgatar um pouco no final de 2020. Meu gerente do banco disse que é melhor investir em previdência privada, mas tenho dúvidas se o Tesouro Direto não seria melhor. Podem me dar uma segunda opinião?”

Resposta de Marcela Kawauti*:

Saber por quanto tempo quer manter seu dinheiro investido é fundamental para tomar a melhor decisão. No seu caso, pode ser uma boa ideia dividir a quantia em duas partes, alocando uma delas em um investimento para usar em 2020 e outra para o longo prazo, o que  trazer rendimentos mais vantajosos.

Para a sua reserva financeira de curto prazo, o Tesouro Selic é uma boa opção. Esse papel rende mais do que a poupança e apresenta pouca volatilidade, portanto, os riscos de você perder dinheiro se precisar vender o título
antecipadamente são baixos.

A única desvantagem de resgatar a quantia em pouco tempo é que a tributação do Imposto de Renda sobre os investimentos de renda fixa, como o Tesouro Direto, é decrescente de acordo com o prazo de aplicação. Ou seja, quanto mais tempo você deixar seu dinheiro investido, menor é a alíquota cobrada sobre o rendimento.

Pensando nisso, outras opções são LCIs, LCAs, CRAs ou CRIs, papéis de renda fixa sobre os quais não incide Imposto de Renda. Como você pode precisar usar o dinheiro logo, é importante apenas que você fique atento aos prazos de vencimento e carência desses papéis, já que, ao comprá-lo, você tem que ficar com a quantia imobilizada por um tempo.

Agora, pensando na parte da sua reserva que pode ficar aplicada por mais tempo, o Tesouro IPCA+, do Tesouro Direto, é interessante. Com esse papel, você garante que sempre terá um rendimento real, ou seja, acima da inflação do período.

Mais uma vez, é importante se atentar aos prazos de carência porque, nesse caso, se precisar fazer a venda antecipada do papel, corre o risco de perder dinheiro.

Por fim, para o longo prazo, além dos títulos de renda fixa citados acima (LCI, LCA, CRA e CRI), há os CDBs e LCs. Como o tempo de investimento é maior, a alíquota do Imposto de Renda fica reduzida e, com isso, esses papéis
se tornam novamente interessantes.

Com relação à previdência privada, ela pode, sim, ser uma boa opção, mas apenas se você estiver pensando em investimentos de longuíssimo prazo, acima de dez anos. Se não, as taxas cobradas prejudicam muito seu rendimento e você corre o risco de perder dinheiro.

Por fim, sua atitude de pesquisar e se informar melhor sobre a recomendação do seu gerente é muito importante e deve sempre ser adotada. Fazendo isso, você garante que o investimento seja o mais adequado para o
seu perfil e objetivos específicos.

*Marcela Kawauti é economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e colabora com o portal Meu Bolso Feliz

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